quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

À VENDA "O MAGRIÇO"


Já tenho na minha posse os exemplares impressos do primeiro livro da “Biblioteca Sete Vidas”, que é de Banda Desenhada e com o título AS AVENTURAS DO MAGRIÇO, o qual faz parte de uma série de livros que trarão a saga do cavaleiro que emparceirou com os outros onze para, em Inglaterra, dominar e vencer os cavaleiros ingleses em torneio.
Neste primeiro livro estão seis capítulos sequenciais (uma vez que a história é narrada em sequência), que têm como títulos: A Bruxa dos Javalis – O Desafio – Viagem por Terra – A Zaragata – A Armadilha – O Soldado Castelhano. Os capítulos não são estanques, como referi, mas sequenciais, constituindo a série de 6 livros (os restantes a publicar periodicamente), obviamente nas suas cerca de 600 páginas com as aventuras colhidas na viagem por terra até Inglaterra, o torneio, aventuras naquele reino, as aventuras na Flandres, outras tantas no mar, no regresso a Portugal e mais aventuras em algumas partes do País, com uma última a terminar na cidade do Porto, já no 6º livro.
Embora a minha especialidade não seja vender livros pelo correio, não posso deixar de experimentar esse canal para obter interessados à distância. É claro que não recorro a editores, nem a distribuidores, nem ando de saco às costas a bater às montras dos livreiros porque, para além de não ser talhado para o negócio, sou defeituoso nessas abordagens e não vislumbro nelas qualquer rendimento, quanto mais não fosse para suprir o custo gráfico.
Por isso, para os eventualmente interessados em fazerem o pedido por carta, com ou sem pagamento antecipado, porque eu confio, aí vai o “estado” da venda…

Formato A5: 14,8 x 21 cm
Mancha: 11,8 x 18 cm
102 páginas a p/b
Capa em papel couché de 300 gr e plastificação brilhante, a cores
Acabamento colado à lombada
Preço: 8 euros com IVA e portes de correio incluídos (e envio de factura/recibo)
Remessa c/ dedicatória personalizada e desenhada
Os pagamentos devem ser feitos, de preferência, por cheque.

Pedidos a:
Fernando J. Santos Costa
R. Padre António Vieira, n. 10
6420-022 Trancoso

domingo, 6 de dezembro de 2015

A MINHA BIBLIOGRAFIA - I

Já são tantos livros e tantas as publicações que, quando questionado sobre o número, costumo dizer aquele que me vem à cabeça e que julgo aproximado, uma vez que é mister distinguir entre obra em livro, em álbum, em folheto, em periódicos, etc.
Como não tenho grande tentação de os deixar todos anunciados aqui - e parece que no Depósito Legal nem todos constam, onde até se chegou a juntar a minha obra com a de outro homónimo já falecido - paulatinamente irei expondo aqueles que me vierem à mão, tal como as mouras das lendas que vinham colocar ao relento as toalhas nas madrugadas de S. João.
É o caso que agora exponho, por ser a segunda publicação e a primeira em forma de livro, classificada como tal.


Título: Maltratados Sedentos e Famintos
Edição: do Autor – EA
Classificação: Contos
Formato: Livro; 14,5 x 20 cm
Número de páginas: 114
Data: 1976
Gráfica: Tipografia Mondego – Celorico da Beira
Trata-se do meu segundo trabalho publicado e este em forma de livro. Caracteres móveis, na mesma tipografia onde era impresso o jornal O CASTELO, mensário que fundei e dirigi em Trancoso, de que saíram sete números.
É das únicas obras em que me identifico com o nome e o sobrenome e uma das duas em que inseri a minha fotografia na contracapa. A capa foi desenhada por mim, assinada e datada com o mesmo ano da publicação. Foi impressa a 3 cores, sendo a gravura a preto, o título a laranja e o nome e tarja sobre a gravura a azul. Tem lapela de capa e contracapa de 25mm.
Na contracapa coloquei, sob a fotografia tipo passe, um poema de minha mulher e umas palavras que serviram de entrada aos contos onde disse: “De um lado os pobres, os humildes, famintos, sedentos e maltratados; do outro, os ricos, os opressores, os saciados, mas sedentos do poder e da força; entre os dois, os espectadores da vida, que não sentem nem uma coisa nem outra”.
Integra os seguintes contos: A Aldeia – Mais Natal – Velho e Filósofo – Dia de Feira – O Ferro Velho – Sua Excelência – Uma Esmola e uma Lágrima – Aquela Professora – Pele de Diabo – Mais Medo que Cobardia – O Comboio – O Coveiro – Estudante – O Avarento – Ambição ou Pressentimento? – O Calhambeque – O Burro – Quem quer Vai, Quem não quer… - A Taberna – Amarás o teu Próximo – Quando as Armas Queimavam as Mãos – Lembrança – Crónica de um Caso.
Os contos O Calhambeque, A Taberna, Quando as Armas Queimavam as Mãos e Lembrança, possuem uma gravura, cujo base para impressão foi a zincogravura montada sobre um taco de madeira.

O conto Amarás o teu Próximo, foi publicado no jornal Notícias da Beira de Mangualde em episódios.
Este livro não teve distribuição comercial, nem coragem tive para o vender. Por isso, grande parte da edição foi destruída, sendo oferecidos alguns exemplares a conhecidos e pessoas de relações cordiais. Fiquei, no entanto, com uma pequena reserva, no respeito pelo labor e despesa, bem como na forma como foi conseguido o trabalho gráfico, todo ele manual e de forma quase artesanal, muito embora o seu aspecto gráfico e final, como livro, seja de boa qualidade.
Como acontece com todas as obras que dou à estampa, nunca mais o li depois da sua publicação; não porque desdenhe o que ali escrevi, mas porque é meu hábito criar e ter prazer no decurso dessa criação, pensando sempre na próxima.

Qualquer dia tenho de reler esta obra, fruto de um desejo de querer comunicar, ainda que sob a influência de algum amadorismo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

BIBLIOTECA SETE VIDAS

Já o disse antes, volto a repetir. Deve estar a chegar, para a semana, a encomenda da gráfica do nº 1 da colecção Biblioteca Sete Vidas, que abre com Banda Desenhada, muito embora nesta colecção apareça de tudo, romances, monografias, ensaios, etc., e BD mais raramente.
São livros do mesmo formato (altura e largura), em A5, mas de lombada de harmonia com o número de páginas, que vão desde as 80 (o mínimo, se possível) até às 400; se alguma das obras ultrapassar este último dígito, divide-se em dois ou mais livros, como é o caso deste número 1, em que as páginas da saga completa de O Magriço vão para muito além disso.
Sendo assim, deixo aqui 4 páginas: a 11, a 14, a 25 e a 55, escolhidas ao acaso de um total de 96 pranchas para este número.
O preço, que ainda não estabeleci de definitivo (porque é preciso retirar a percentagem dos livreiros), deve andar pelos 7 ou 8 euros.
Um aviso à navegação, pois velejo à vista: não estou interessado em apresentações, concursos, divulgações e outros "ões" (porque sou independente, o que correr mal ou bem é entre mim e o editor, que sou eu) e estou "nas tintas" para a apreciação - direi melhor, a depreciação - dos "entendidos".
Arrisco este número em BD porque é o meu campo preferido, a minha "praia", mas darei largo projecto editorial a outras obras minhas em texto, sem imagens, a que acrescentarei outras de outros autores que me der na gana editar.




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

JÁ EDITADOS



Estes dois títulos já estão editados: o primeiro, em Setembro; o segundo, em Outubro. Ambas reedições, mas com outro miolo e outras capas, sendo que o primeiro tem  98 páginas (5 euros) e o segundo 150 (7 euros).
Para breve, a chegar da gráfica, estará o próximo, de que já falei aqui, e que é de Banda Desenhada - As Aventuras do Magriço (Primeiro Livro) - que será o primeiro de muitos que se seguem na saga do cavaleiro português na sua viagem por terra até Inglaterra, o combate e tudo o mais que por lá se "passou", a sua passagem pela Flandres e o regresso a Portugal, onde outras peripécias o esperaram.
Com ele, abro uma colecção de obras, nem todas da minha autoria, embora a maioria o seja. Essa colecção designa-se por Biblioteca Sete Vidas e veremos como darei conta dela.

A minha ideia é publicar um livro por mês, sendo que os quatro primeiros títulos desta colecção já têm reserva. O Magriço (Segundo Livro) vem lá mais para diante, entre o número 9 e 11. Para já, a capa do nº 2, que é uma obra que tenho concluída há mais de dez anos e repousava sossegada na gaveta.  Trata-se da biografia que fiz do José do Telhado para uma editora (que acabou por não se fechar o negócio), com a particularidade de se basear do processo que sobreviveu na Relação do Porto, bem como em toda a tradição à volta da figura do bandoleiro. Aproveito para expor a capa, a seguir...
Devo um esclarecimento. Todas estas obras estão em formato A5 e só uma delas - O Magriço - é em Banda Desenhada, com 104 páginas.
"Roubar aos Ricos" tem 244 páginas e ainda não seguiu para a gráfica.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

LENDAS DO DISTRITO DA GUARDA

Estive ausente deste espaço um ror de tempo, eu sei. É hábito acontecer disto, porque nem sempre estou de pachorra, embora os visitantes deste blogue mereçam a minha assiduidade.
O que aconteceu?
Simplesmente estive atarefado - e ainda estou - com uma série de publicações que fazem deste meu afã qualquer coisa como um editor (com chancela e tudo, a "Sete Vidas"). Entre o último post e este, lancei quatro títulos, alguns como 4ª, 5ª e 6ª edições e este que agora aqui reproduzo como 1ª edição.
As LENDAS DO DISTRITO DA GUARDA  é um livro com duas lendas por página, com ilustrações a cores por cada uma, distribuídas por 14 concelhos, em 100 páginas.
Trata-se de um livro com o formato 21,5 x 30,5 cm, cartonado em cartão de 2,5 mm, em papel couché brilho de 135 gr.

As lendas têm a particularidade de terem a caixa de texto de cada uma rigorosamente igual às restantes (sem fugir aos pormenores da etnografia do texto), com uma gravura a cores para cada uma delas e, embora contrariado, escrita ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, porque a obra é também para ser lida por jovens em idade escolar e poderia causar confusão lerem a ortografia anterior.
Teve o apoio de 7 dos Municípios do distrito, através da aquisição de alguns exemplares, o que aliviou um pouco o custo gráfico; os restantes municípios, com as suas justas razões, responderam que não estavam interessados em adquirir exemplares, sendo que um deles disse nada, nem sim nem não.
Voltarei com as outras publicações e algumas novidades, designadamente mais textos da enciclopédia alegre que já apontei em posts anteriores.
Deixo aqui a capa e a contracapa do livro, chamando a atenção para a "publicidade" que coloco na badana direita deste blog.

sábado, 8 de agosto de 2015

ENCICLOPÉDIA DAS BRUXAS (II)

Dando continuidade à exposição de algumas entradas da enciclopédia anunciada em publicação anterior, eis mais algumas, escolhidas ao acaso.
ALIMENTOS. Embora este mesmo assunto seja abordado na entrada “Culinária”, para abrir o apetite não me privo de o cozinhar aqui.
Demonologistas, inquisidores e alguns enciclopedistas, queimaram as meninges para descobrirem o que comiam as bruxas fora da vista desarmada. Quando elas confessavam práticas e comeres aberrantes, isso era a maior parte das vezes devido à tortura dos inquisidores, ávidos para obter confissões terríveis e assim lhes facilitar a redacção das sentenças. Dizer que elas tinham por gastronomia qualquer mistela parecida com o menu de um cafre, é pura especulação.
Serpentes, sapos, gafanhotos e até morcegos, não são de todo ingredientes, que eu acredite; mais certo, bons nacos de presunto e toucinho, vaca e carneiro assados, tudo regado com vinho do melhor, mesmo que surripiado nas adegas da vizinhança.
Outros estudiosos, aventam que eram em tempos vegetarianas, alimentação com ausência de carne, como era hábito em alguns costumes pagãos.
Terão então as bruxas apetência pela soja, tofu, algas, castanhas e folhas de alface?
Esta teoria não pega, pois há quem jure ter visto uma bruxa a passar ao estreito, num restaurante da especialidade, uma garoupa, duas cavalas, uma embalagem de delícias do mar ainda congeladas e um pires de “jaquinzinhos” sem arrotar.

Nas assembleias, o bode e as bruxas não se privam do estendal no final da sessão, onde não faltam os garrafões de vinho e presunto, nem tão pouco o sacramental cafezinho servido do termo e um cálice de aguardente, da rija, uma vez que não há brigadas de trânsito por onde circulam as vassouras.
CAÇA ÀS BRUXAS. Quando se fala em caça às bruxas sem se referir a políticos e à política, alude-se à ignominiosa perseguição religiosa e social que começou no final da Idade Média e atingiu o seu apogeu na Idade Moderna, por se achar que as bruxas eram tidas como satânicas. Naquela paranóia instituída, queimavam então as pobres mulheres em fogueiras para as castigar e “purificar”.
A caça às bruxas, tal como outros tipos de caça com o seu “Manual do Bom Caçador” ou “O Manual do Caçador Furtivo”, possuía também um livro de instruções do género faça você mesmo, se puder. Tem por título Malleus Maleficarum, ou "Martelo das Feiticeiras", publicado em 1486, originalmente escrita em latim pelos monges dominicanos Kramer e Sprenger. 
Nesta obra, os capítulos estão recheados de assuntos e questões como estas: se os íncubos e os súcubos podem conceber crianças; se as bruxas copulam com demónios; se as bruxas que são parteiras matam de diferentes maneiras as crianças concebidas no útero, e tentam um aborto, ou se não fazem isso, oferecem aos demónios os recém-nascidos, entre outros assuntos de semelhante jaez.
Se em vez daquela trapalhada, os fradinhos rotundos, ardilosos e implacáveis, tivessem escrito uma enciclopédia alegre ter-se-ia poupado muitas vidas e, com a legalidade da profissão, muita receita fiscal entraria nos cofres do erário público. Já não conto que me poupariam muito trabalho, pois para fazer esta edição bastar-me-ia chegar à net, copiar e colar.
O primor desta obra “ Martelo das Feiticeiras” teve direito a bula de Inocêncio VIII, “bispo, servo dos servos de Deus, para eterna memória”.
Se não queimaram aquela tralha toda, ainda restam por aí alguns exemplares, mormente traduzidos e dispostos para downloads na internet.
CASAMENTO. Agora é que são elas! Sobre o casamento há tantas superstições que, se fossem levadas a legislação, havia por lá mais artigos do que no Código Civil (e este leva qualquer coisa acima dos dois mil e trezentos). Por isso, estão a ver, pela rama é que eu vou passar este verbete, uma vez que não pretendo uma enciclopédia alegre de solteiros, casados e divorciados.
Vejamos, só para mata-bicho.
Quer casar em Maio? Marcou a boda para um sábado, principalmente se neste dia decorre o aniversário de um dos noivos? Não o faça. Prefira casar a uma quarta-feira, pois é a superstição que o recomenda e o melhor mês é Junho, por ser dedicado a Juno, fiel esposa de Júpiter. Outro conselho: deve ser o noivo a fechar a porta do quarto na noite de núpcias.
Victor Hugo chegou a afirmar que o casamento é um romance no qual o herói morre no primeiro capítulo.
Começando do princípio, diz a crença que não se deve varrer os sapatos e os pés dos jovens solteiros, pois é sinal de que não casarão e que, se uma pessoa solteira ouvir uma vaca berrar, deve meter uma das mãos na algibeira, para assim vir a casar cedo.
Acertado o casório, pois o namoro não deve ser prolongado como o do Sapo Cocas e da Miss Piggy, a escolha do vestido é também importante, segundo a crença. Para já, deve ser de seda, porquanto o cetim é considerado aziago, enquanto o veludo pressagia pobreza. O véu foi criado para evitar que os espíritos malignos cobicem a noiva. Se não sabiam esta, ficam a saber.
O cortejo nupcial deve seguir para a igreja por uma rua e regressar por outra, porque é de mau agoiro ir e vir pela mesma. Evitem cruzar-se com um porco ou com um funeral, mas acreditem que será benéfico aparecer um gato preto ou um limpa-chaminés.
No Minho, em recuados tempos, os noivos seguiam para a cerimónia em carros de bois enfeitados com campainhas. Naquela espécie de limousine, o noivo devia ter o cuidado de ir para a igreja com as pernas para fora e voltar da cerimónia com elas para dentro, como um paxá.
Perguntará algum leitor, com pertinência: então, onde atavam os amigos a tralha da lataria no veículo nupcial, que dizem dar felicidade? No carro de bois, não, porque a coisa andava tão devagar como se estivesse numa película de Manoel de Oliveira; depois, com tal chinfrineira de rodados, mal se dava pela chocalheira das latas. Pois bem, para solucionar essa questão, atirava-se literalmente um sapato ao noivo, que o devia apanhar para o colocar aos pés da cama, como símbolo de autoridade.
A primeira fatia do bolo de casamento deve ser cortada, em conjunto, pelos noivos, sob pena de não haver descendência se só um deles o fizer. O corte da fatia por ambos simboliza a partilha de tudo entre si.
Para terminar o arrazoado, mais alguns dos avisos da senhora superstição.
Se alguém, por distracção, calçar uma bota e um sapato, é sinal de que se desmanchará um casamento na família. Pior do que isto é saber-se que a crendice larga enfaticamente que o primeiro recém-casado a subir para a cama na noite de núpcias é o que primeiro morrerá, havendo idêntico desfecho para aquele que apagar a luz do quarto. Temo que as superstições deste jaez, desta feita e através destas perplexidades, façam com que na noite de núpcias ambos se estendam no chão do quarto e de luz acesa.
Enfim, com tantas recomendações, especialmente as que omiti aqui, é caso para considerar as palavras dos mal-intencionados que dizem chamar-se santo ao casamento porque conta com inúmeros mártires.
 IMPOSTOS. Se já não escrevi isto atrás, é porque vai ser escrito adiante ou, para não reler o escrito, deve ter sido referido antes e depois desta entrada que fala dos impostos e a sua relação com as bruxas.
Escusado será dizer que na Idade Médio, a alta e a baixa, bem como nos períodos que se seguiram, mormente com a Inquisição, as bruxas pagavam os impostos após a morte: todos os seus bens eram confiscados. E os herdeiros, mesmo assim, ainda pagariam a “lutuosa” ao senhorio ou ao rei, imposto que se calculava segundo os bens do defunto.
No entanto, tenho de dizer que as bruxas não tinham impostos especiais pela actividade, que era naturalmente considerada prática criminosa e contrária aos ensinamentos religiosos. O único imposto que indirectamente estariam sujeitas era a “baluga”, curioso tributo fixado generalizadamente em três arráteis e meio de cera ou quatro soldos, pela alcavala com o nome de “ossas”, se enviuvassem e pretendessem casar de novo. Emendo: havia um outro que certamente lhes cobrariam, que era a “talha”, pois deste imposto ninguém se livrava… E era cada talhada! Tratava-se de uma contribuição extraordinária – como há hoje tantas para acorrer aos mesmos efeitos – cobrada aos que tinham, aos que não tinham e aos que fingiam não ter, para suprir falhas do erário régio quando qualquer acontecimento originava falha de dinheiro superior às necessidades.
As bruxas de hoje, livres da infeliz cobrança “post mortem”, não se livram do leque de tributos do espectro fiscal. Basta lembrar que um simples instrumento de trabalho, como a bolinha de cristal, vem facturada com vinte e três por cento de IVA. E, mesmo que a sua actividade fosse enquadrada no regime ilícito, lá está o código do IRS que, logo no articulado a abrir engloba todos os rendimentos, “mesmo quando provenientes de actos ilícitos”.
LIVROS. Para além do Manual das Bruxas, que deve ter uma edição limitada, há outras obras escritas por atrevidos que não pescam nada do assunto (como é o meu caso) e que parágrafo sim parágrafo não metem os pés pelas mãos, limitando-se a copiar e colar o que vão espreitando pelas ligações do Google.
Bruxa que se preze deve possuir o Grande Livro de São Cipriano, bem como o Primo Basílio, a maior parte – se não toda – a obra de José Rodrigues dos Santos e a colecção dos anuários de estatística do INE.
As bruxas, no entanto, têm um “livro das sombras” que elas próprias escrevem à mão (hoje devem fazê-lo no mais recente Microsoft Word) como se fosse um diário. Este livro tem a particularidade de não sobreviver ao autor, ao contrário das obras premiadas com o Nobel da Literatura. Este livro deve ser queimado logo após o último suspiro da bruxa.
Querer pretender adquirir livros de bruxaria e feitiçaria à moda antiga pela internet, é como tentar encontrar online um catálogo de zarabatanas de paxiúba do Amazonas (não confundir com os livros vendidos na Amazon, embora haja por lá obras mais eficazes que as zarabatanas do rio Içana).
VASSOURAS. É um meio de locomoção por excelência para a arte bruxática (devo ter criado um termo novo), tão importante para a classe como o automóvel é hoje para a distribuição do correio porta a porta pelos CTT. Trata-se de um transporte rápido, silencioso, económico, eficaz e não poluente, com a imensurável vantagem de não estar pendente dos constantes aumentos do preço dos combustíveis e das irritantes filas nas bombas de abastecimento. Tem ainda a particularidade de todas as funções de um voo doméstico e das viagens “low-cost”, sem as habituais chatices do apertar do cinto (coisa que os portugueses fazem constantemente desde que se levantam da cama), do não fumar e da praga das assistentes de bordo. Como se trata de um monolugar, tem a vantagem de se incluir no espírito “motard”, sem capacete, longe das expectativas causadas pela obediência aos semáforos, aos sinais de stop e ao sopro no balão para controlo de álcool. Mais ainda, sem o pagamento do imposto único de circulação (cujo nome é um eufemismo, porque este não é o único imposto para quem circula), e sem a obrigatoriedade dos coletes reflectores, dos triângulos de sinalização e do seguro em dia.

A vassoura, para além destas prerrogativas retro apontadas, tem porém inconvenientes. Se não pertencer à bruxa, basta virá-la ao contrário e colocá-la atrás de uma porta, o que a impede de sair desse sítio.
VIRGINDADE. Encontrava-me na elaboração deste arremedo tosco de enciclopédia quando li uma notícia na qual se dizia que uma jovem chinesa anunciara nas redes socias que trocava a sua virgindade pelo prazer de ter um iPhone4 novinho em folha. Dizia mais: e que fazia isso com qualquer um que se dispusesse à troca.
Há uns anos atrás, um “drama” deste género era passado a verso e cantado nas feiras com folhetos a tostão.
Eu ia escrever uma obscenidade, mas lembrei-me que esta enciclopédia é livro de respeito, para ser lido por qualquer idade e em qualquer lado, desde as salas de leitura da Biblioteca Nacional até à paragem do eléctrico 28, se algum carteirista não se antecipou e “gamou” esta proveitosa obra.
Devo ter escrito noutro lado sobre uma das superstições que pendem sobre a virgindade ou a perda dela, que é o costume, em aldeias de Portugal, considerar que o estrondo dos foguetes, no dia do casamento, tirava a virgindade às noivas. Cá para mim, este seria um pretexto para ludibriar o tanso do noivo, pois um parente vivaço era capaz de fazer estralejar meia dúzia de foguetes de cana e um morteiro para salvar a honra da dita.
Há outras superstições mais arriscadas para servir a prova da virgindade, como fazer passar a donzela por um enxame de abelhas sem ser picada.

Como ponto máximo da superstição, está a crença de que a mulher que dá à luz sete filhos de outros tantos pais readquire a virgindade. Esta, até eu não acredito, salvo se o sétimo “pai” assegurar, sob compromisso de honra, que o virgo está intacto e flexível.

P.S. Como podem ler, hoje estou um "mãos largas", dando sete dos cento e tal entradas (quase duzentas) incluídos na obra referida, que estará à venda após uma noite de lua cheia, se não sair embruxada à semelhança dos cartazes eleitorais do PS (Post Scriptum, seja bem entendido).

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ENCICLOPÉDIA DAS BRUXAS

Quem ler o post anterior, ficará com a ideia que esta capa é do segundo volume da enciclopédia dita - errado; poderá dizer que eu alterei a montagem - certo.
Estou numa fase frenética. Ora desenho (BD), ora digito texto com apenas os dedos indicadores das duas mãos, ainda investigação vária, comer e dormir, com outras propostas de permeio.
Hoje trago aqui, para além da nova capa (projecto), quatro entradas extraídas da obra supra, escolhidas ao acaso. Não reparem nos pormenores de pontuação, pois a revisão é a última (e custosa) coisa que faço.
ADIVINHAÇÃO. Segundo a conceituadíssima Wikipédia, o termo engloba tudo menos os números do euromilhões, o que significa “profecia, previsão, intuição, palpite, pressentimento”, pois é “o acto ou esforço de predizer coisas distantes no tempo e no espaço, especialmente o resultado incerto das actividades humanas”.
A adivinhação não deixa de ser uma arte, neste caso mágica, de descobrir o desconhecido através da interpretação de símbolos, como é a “leitura” de nuvens, cartas de tarô, chamas e fumo, ossos de animais e cartazes de autarcas municipais.
Quer isto dizer que as bruxas adivinham? É claro que adivinham, pois têm a equivalência aos cursos técnicos profissionais e profissionalizantes de astrologia, cartomancia, quiromancia, taromancia, hepatoscopia, I Ching e numerologia, para só citar estes. Parece que elas possuem, em doses maciças, os poderes sibilinos de Nostradamus, de Bandarra, mesmo do Pretinho do Japão, e das previsões económicas do Banco de Portugal.
Numa sondagem que se realize, como é hábito, através de entrevistas telefónicas em escolha aleatória, dará 10 por cento para os que acreditam no acertar dos resultados de adivinhação das bruxas e outros 10 por cento para quem creia no inverso. É bom que se diga que a diferença estará para quem não sabe/nem responde ao inquérito, que por meu lado adivinho com um erro máximo de amostra de 0,6 por cento para um grau de probabilidade de 99,9 por cento.
ANTÍDOTOS. Parece mentira, mas um rosário de alhos parece ser eficaz como antídoto contra os malefícios da bruxaria. Também se julga com idêntico êxito um ramo de alecrim e arruda, uma tesoura aberta, um chinelo velho ou uma meia calçada do avesso. Quem quiser complicar a receita, poderá juntar num saquinho algumas pitadas de rudo macho, espargo, mirra e mostarda. Simplificará se o conteúdo passar apenas com umas pedras de sal.
Com toda a humildade, não asseguro a eficácia. Uma ferradura atrás da porta, na grelha do automóvel ou na barra cama, parece ser o antídoto indicado para afugentar o bruxedo e quem o pratica, mas poderá fazer-se uma figa com os dedos indicador e médio à falta de um adereço mais apreciável, que é o signo-saimão (signo-salomão). Deixo um aviso, caso queiram servir-se dos dedos da mão: nada de esticar o médio e encolher ao mesmo tempo o indicador e o anelar.
Não encontrei qualquer referência alusiva à eficácia se a sogra estiver por perto. A sogra ou um fiscal das finanças, bem entendido.
CALDEIRÃO. Um dos símbolos da actividade, geralmente com água a ferver, onde se juntam alguns corantes para dar efeito, bem como ervas e fauna rasteira vária, tais como asas de morcego, rabo de escorpião e sémen de unicórnio. No entanto, trata-se de um instrumento mágico tão importante como é o estetoscópio médico para um clínico que mostre estar em serviço. Representa o ventre da deusa e o útero feminino. O seu tamanho deve ser um pouco menor que uma das panelas do restaurante El Celler de Can Roca.
Decerto não confundir este caldeirão com o da lenda que atribuiu o seu enchimento de ouro através do arco-íris, porque se fosse real já teria na periferia os auditores da Goldman Sachs, os mercados bolsistas e outras organizações sem fins lucrativos.
IDENTIFICAÇÃO. Apesar de a Inquisição ter dado baixa da actividade há muito tempo, o certo é que as bruxas continuam a viver numa quase clandestinidade. Para as reconhecer, caso alguma delas entre na casa de alguém – e a dona ou o dono da casa quiserem ter a certeza de que a visita pertence à estirpe - deverá esconder uma vassoura atrás da porta, virada ao contrário. A bruxa não conseguirá sair.
O mesmo efeito parece obter a pataqueira versão de um banco virado de pernas para o ar.
Com a mesma eficácia, uma navalha espetada na sombra da bruxa, fará com que esta fique tão imóvel como a estátua do Marquês de Pombal na sua rotunda.
Em tempos idos, para se determinar se uma mulher era ou não bruxa, atava-se de pés e mãos e deitava-se num lago de águas fundas: se mergulhasse, era bruxa; se flutuasse, não era. É claro que nem me vou dar ao despropósito de insultar a inteligência dos leitores ao dizer para que lado pendia a percentagem do sim e do não.
Quando virem uma amazona montada ao contrário… pimba! É bruxa. E se encontrarem numa encruzilhada uma porca com leitões de cor escura, aí vai uma bruxa disfarçada. Convém, neste caso, não a confundir com a “porca” da política, reconhecida já pelo extinto Rafael Bordalo Pinheiro e disfarçada com outros adereços mais subtis, designadamente os leitões que a seguem, sempre ávidos da teta e malas Louis Vitton.
Na heráldica, nada se encontra sobre bruxas. Nada mesmo. Se houvesse, talvez estivesse assim esculpido em brasão: escudo lavrado em campo de preto e esquartelado de caveiras com a dentição completa, sapos ou outros motivos atinentes, tudo em campo polvilhado com pós de perlimpimpim. Em chefe, uma vassoura ou uma varinha mágica (sem ser das de passar o cozinhado), consoante a casta.
De qualquer forma, sem menção do registo da actividade, não consta que a profissão das ditas possa vir a constar no Código das Actividades Económicas ou na lista das profissões liberais anexa ao código do IRS. Logo, sem cartão profissional, sem descontos para a Caixa de Previdência, sem impostos retidos na fonte e outras alcavalas que levariam mais de cinquenta por cento dos seus rendimentos mensais. Poderão descontar por outros “hobbies” que tenham em concomitância, como será alguma colocação em organismo público ou privado.
Como é de direito, será certo que terão bilhete de identidade ou cartão de cidadão, cartão de crédito, cartão do “Continente” e número de contribuinte. Mas isso toda a gente tem!

sábado, 1 de agosto de 2015

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE BRUXAS E SUPERSTIÇÕES

Em 31 de Outubro de 2011, deixei uma publicação neste mesmo blogue que dizia (e prometia):
"Vou neste blogue periodicamente publicar, por ordem alfabética (naturalmente), uma Enciclopédia Alegre de Bruxas e Feiticeiras. Publiquei parte deste trabalho na revista NOTÍCIAS MAGAZINE, do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Notícias da Madeira, no nº 440, de 29 de Outubro de 2000".
Para os que eventualmente se mostraram mais interessados, repararam que eu não cumpri o prometido, o que vou fazer, não no blogue no seu todo, mas em partes, uma vez que vou publicar um livrinho sobre o assunto, cujo título serve de epígrafe a esta peça.



O livrinho irá ser impresso através do sistema "print on demand", pelo que a tiragem se presume, à partida, muito limitada. É a primeira vez que o pretendo fazer através deste sistema editorial, ainda como auto-edição, e colocado à venda e em oferta para um número restrito de pessoas, designadamente através deste blogue. É, assim, a quinta edição (para já) deste ano de 2015, o que levou a APEL a recomendar-me a requisição de um conjunto maior de prefixos de ISBN.
Quem sabe se não irei, posteriormente, a "fabricar" outras enciclopédias alegres sobre assuntos como política, economia, gastronomia e o diabo a quatro.
Para ilustrar esta peça (não gosto de escrever post), deixo a primeira e última página do trabalho que foi publicado na revista citada acima.
Depois de dar entrada desta peça no blogue, fui fazer o projecto de ilustração da capa. Vai a seguir.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

O MANUAL E O DIGITAL

Para além de aceitar desafios, como foi o caso da RTP, em que apostei desenhar em directo e ao vivo uma prancha de Lucky Luke, tendo esse desafio decorrido com uma mancha de 3 metros de altura com a largura proporcionada (quando a mancha do álbum tem 25 cm de altura), também os proponho a mim próprio, como é o caso de desenhar com o rato no computador.
Desenhar com o rato não é fácil e só ao poder de muitas horas e de muita experiência se consegue transformar em "bico de lápis" aquela "carapaça de escaravelho". Por isso, faço-o no acabamento das vinhetas, acrescentando ou corrigindo imperfeições, linhas dos enquadramentos e textos, depois de ter passado pelo scanner o trabalho manual, a tinta (com as linhas principais do desenho).


Isto quer dizer que as pranchas que actualmente produzo não são propriamente consideradas as ideais para exposições de BD, a não ser que o trabalho final seja apresentado como original, depois de impresso. Mas, sinceramente, ao contrário do que vai sendo usual no panorama bedéfilo nacional, em que se expõe mais do que se publica, não estou interessado nesse propósito, tanto quanto é essencial o produto final, o livro ou álbum, e acessória a exposição em galerias.



Se se reparar nas janelas desta vinheta ou no cadeirão à esquerda, nota-se que há trabalho digital.


sábado, 25 de julho de 2015

A "BATALHA DE TRANCOSO" E O JORNAL "EXPRESSO"


Foi há 30 anos. O álbum de BD "Batalha de Trancoso" constitui o meu primeiro trabalho publicado nesse formato. Mas tem uma história interessante...
Em meados de 1984, o então vice-presidente da Câmara de Trancoso abordou-me em outro concelho onde eu trabalhava para me propor a BD sobre a batalha de S. Marcos, pois ia comemorar-se o 6º centenário em 1985 (a batalha deu-se a 29 de Maio de 1385, mas na altura ainda se comemorava a 25 de Abril).
Depois de entregue o trabalho, foi-me proposto pela Câmara que estava interessada em adquirir os direitos, fazendo um preço que eu achei justo. O álbum saiu, foram feitas edições atrás de edições e eu... chapéu!
Passados uns anos, aquando nas pesquisas das actas do município para uma obra monográfica de uma das freguesias do concelho de Trancoso, reparei que o jornal "Expresso" estava interessado na edição da obra.
Assim, na acta de 23 de Maio de 1985 lê-se: "Em seguida foi presente ofício recebido do jornal Expresso informando que estudou a possibilidade de fazer publicar nas suas páginas a banda desenhada editada por esta Câmara referente às Comemorações da Batalha de Trancoso, pedindo para a Câmara colaborar com apoio publicitário".
Não me foi dado conhecimento, mas nessa acta o executivo deliberou solicitar mais pormenores ao semanário. 
O assunto só foi a reunião a 5 de Setembro de 1985, pois lê-se: "Em seguida foi presente a carta da empresa Sojornal - Soc. Jorn. SAR, proprietária do Jornal Expresso, apresentando a sua disponibilidade para publicar  "A Batalha de Trancoso" em banda desenhada por reprodução directa do álbum editado por esta Câmara, oferecendo gratuitamente 500 exemplares a este Município. A Câmara deliberou autorizar  a publicação de tal trabalho nas aludidas condições, sem qualquer encargo para si, mantendo a exclusiva propriedade e direitos de autor sobre a referida obra".
Todo o processo passou-me à margem, pois eu já nada tinha a ver com o caso. O que vendi, está vendido.
Sobre este trabalho, uma revista publicada pelo Expresso (com a Liber), - o Jornal da BD, 165, 21º volume, 5º fascículo - dedicou-me uma breve crítica, assinada pelo Geraldes Lino, na página "da BanDa de cá"que passo a reproduzir: "Apresentada em álbum de Banda Desenhada pela Câmara Municipal de Trancoso, pode considerar-se acontecimento quase inédito, a par de "A Batalha da Salga", editada em 1981 pela C.M. de Angra do Heroísmo./ Desta Batalha de Trancoso (ou melhor, de S. Marcos), comemorou-se este ano o Sexto Centenário. Daí resultou a ideia de a narrar, bem como aos antecedentes históricos, através da BD. Tomou conta do recado Fernando Jorge dos Santos Costa cujo grafismo, apesar de evidentes incipiências, tem o indefinível encanto da espontaneidade."
Resta-me acrescentar que o então vice-presidente passou a presidente da Câmara no mandato seguinte e foi-o até ao limite de mandatos legal, tendo eu sempre colaborado com outras publicações, mas sem a venda dos direitos de autor.
Ainda hoje recordo que, em 1984, na ocasião em que fui chamado à reunião do executivo, para assinar o contrato, um dos vereadores, médico de profissão (e de quem sou amigo), me foi chamar à sala de espera e convidou desta guisa: - "Entre, a Banda!".

terça-feira, 21 de julho de 2015

UMA VINHETA, VÁRIAS PERSPECTIVAS





É a mesma vinheta, o autor continuo a ser eu, os tratamentos é que são diferentes, designadamente na aplicação da cor e, no caso da última, com uma trama ou "screentone", que lhe dá os cinzentos.
Trabalhar em BD não é fácil. Por vezes, o mesmo trabalho percorre várias versões, quase sempre com imperceptíveis alterações do traço, designadamente quando é redesenhado a partir do original.
É natural que esta cena, depois de escrita e bem esticada (com a descrição das personagens, a acção à mesa, a iluminação, a comida e os diálogos, por exemplo), caberia na mancha de uma página de livro, mas demoraria menos vinte vezes a ser executada em termos de energia e de tempo.
Alterarei o rifão para dizer que "uma imagem vale por mil palavras e necessita do tempo inerente a estas para se executar".

segunda-feira, 20 de julho de 2015

OS "MALTRATADOS" E AS "CRÓNICAS"




Poderá alguém dizer - e ainda não disse, mas talvez pensasse - que este blog é um bocado narcisista, uma vez que o seu autor costuma fazer o mesmo que as mouras das lendas faziam nas madrugadas de S. João: estendiam os seus tesouros ao relento; eu, tal e qual, estendo as minhas obras no relento da blogosfera.
Quando criei o blog era para "malhar" na política e exercer uma crítica, tanto quanto fosse necessário, severa. Optei por não fazer uma coisa nem outra; antes, enveredei por aquilo de que gosto - a literatura e os desenhos.
Não quero com isto dizer que não publique sobre terceiros (e, para tanto, aguardo sempre que estes me incitem a isso), não o fazendo a esmo porque, sem ser crítico, não é meu hábito criticar; e sem autorização dos autores e editores, não coloco imagens para as quais estou impedido pelos direitos de autor. Com isto, não brinco.
Depois do arrazoado, tomai lá mais do Santos Costa (como de si disse o Alexandre O' Neill), que são as duas obras com as capas supra. Constituem elas os meus primórdios, pois são, respectivamente, a segunda e a terceira publicação que fiz - a primeira, intitulada "A Revelação", falarei dela depois.
Os "Maltratados, Sedentos e Famintos" foram publicados, em auto edição, em 1976, depois de impressos numa tipografia antiga (com caracteres móveis de chumbo), mas o trabalho saiu perfeitíssimo. Presumo mesmo que foi o primeiro trabalho, no género, que executou essa gráfica de Celorico da Beira, mais vocacionada para jornais. Mas, repito, tomara muitas gráficas de hoje, com os meios que dispõe, fazer obra tão bem acabada como esta.
Trata-se de um livro de contos com 114 páginas de texto, com algumas gravuras, assinado com o meu nome e sobrenome (a única vez em que o fiz deste modo).
As "Crónicas do Arco da Velha" surgiram impressas, em 1985, com uma tiragem de 2.000 exemplares, que foram distribuídos e bem vendidos por todo o País através da Bertrand. A gráfica que executou esta obra foi a, agora extinta, Tipografia Guerra (Viseu).
Trata-se de um livro de crónicas e contos, com 182 páginas. Entre os contos, figura um que venceu o 1º prémio da RTP (1975), aberto através do programa "Os Homens, os Livros e as Coisas", e um outro que venceu o 2º Prémio em concurso aberto pela Junta Central das Casas do Povo (1978), que teve um júri constituído pelos escritores José Gomes Ferreira, Maria Velho da Costa e Álvaro Salema.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

OS PSICOPATOS DO MIGUEL MONTENEGRO


O Convite está aí, a obra promete, pelo que já vi e li.
Miguel Montenegro é um jovem e promissor autor de BD, "bichinho" da arte que o "atacou" aos onze anos de idade. Foi o primeiro autor português a trabalhar, como profissional, para editoras norte-americanas, tais a Marvel, Image, Dynamite e Top Cow, apresentando agora esta obra sob a chancela da BABEL.
Vai apresentar a obra o mais jovem dos seniores da BD nacional - Geraldes Lino - que estará com o Miguel a receber os convidados, que são todos os que quiserem estar presentes.
O convite foi-me endereçado para o e-mail mas, como infelizmente (e como vem sendo hábito) não posso lá estar, considere-se esta transmissão graciosa para todos aqueles que tenham a sorte de estar presentes.
Para o apresentador, um abraço de amigo; para o Miguel, um outro de gratidão (pois hei-de ler e ver o álbum), com votos de muitos êxitos, naturalmente merecidos.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

DOIS TÍTULOS

Entreguei hoje na gráfica dois títulos correspondentes a duas obras distintas: uma, de texto com ilustrações, tem como título "Lendas do Distrito da Guarda", é em formato A4 e cartonada; a outra, intitula-se "As Aventuras do Magriço", é em formato A5, capa mole, e constitui um dos doze livros (sendo este o primeiro) que pertencem a esta saga.
As capas, elaboradas por mim (portanto, sem o tratamento final da gráfica), estão a seguir:



domingo, 14 de junho de 2015

O "NASCIMENTO" DO MAGRIÇO NA EUROPRESS


A ideia de publicar as aventuras do Magriço vem de longa data, dos inícios dos anos 90, mais precisamente há 23 anos.
A coisa começou quando o grande poeta, jornalista e homem da rádio, Nuno Rebocho, me apresentou a Bento Vintém, editor e proprietário da Europress. Numa conversa amena que tivemos na empresa, falou-se de literatura e de banda desenhada e o Nuno falou do herói do séc. XV. A conversa resvalou naturalmente para a Banda Desenhada, pois o Editor tinha-me oferecido várias publicações da Europress. Logo ali nasceu a ideia de eu fazer esse trabalho.
Meti mãos à obra, mas muito lentamente, porque nessa altura eu mantinha a autoria dos textos de um programa diário na rádio e um outro, semanal, todos com a duração de uma hora.
Não sei por que carga de água, decidi que o Magriço devia ser apresentado como o Príncipe Valente, do Foster, pelo que o desenhei sem balões e com o texto no fundo dos enquadramentos. Não foi por isso que não foi editado; foi devido à minha teimosia e ao facto de ter desistido da ideia, quando tudo apontava para que a obra seguisse.
Bento Vintém foi uma pessoa extraordinária, em todo o bom sentido, paciente e um Homem de carácter, conhecedor do seu ofício e muito culto. Se a coisa não foi para a frente, fui eu que me desinteressei, nada mais. Por isso, digo: o Magriço não tendo sido editado pela Europress de António Bento Vintém, não será editado por outra editora, a não ser por mim.
Da carta que me enviou em 9 de Março de 1992, Bento Vintém dizia (e com toda a razão:
“Vamos enviar-lhe, conforme combinado, a proposta de Contrato para a edição de “As Aventuras do Magriço”.
“Observamos, no entanto, que a simplificação do traço, que se regista nas cópias de pranchas que nos fez chegar, se afastam um pouco do trabalho que primeiramente nos mostrou, talvez com perda relativamente ao projecto inicial.
“É óbvio que esta observação em nada influi no acordado. Tão só deve ser considerada como opinião construtiva (pretende-o ser), na medida em que nos apraz muito mais editar Fernando Jorge Santos Costa – ele próprio – do que Harold Foster. Por outro lado, temos esperança neste projecto de “As Aventuras do Magriço”, as bastantes para que sejamos tentados a acompanhar com atenção o seu trabalho.
(…) “Nada a opor à ideia de rotulação nos espaços inferiores das vinhetas, em vez da utilização de balões, embora daí possa resultar alguma dificuldade de leitura, o que também pode ser contrariado pela plasticidade do desenho.
“Conforme acima referimos, vamos enviar-lhe o texto do Contrato nos próximos dias.”
Como disse, não prossegui com o trabalho, deixando-o em arquivo, com meia dúzia de pranchas desenhadas e enquadramentos estilo Foster.
António Bento Vintém faleceu em 2013. Aproveito para deixar aqui esta homenagem ao Homem e ao Editor, ao seu espírito lutador e combativo de antifascista, empreendedor e pessoa de trato excepcional, e que, se não editou obra minha, a culpa não foi dele.
Mais tarde, em 1998, coloquei balões e levei treze pranchas a uma publicação que andava a editar há 12 anos - O Almanaque (1998), edição anual, obra em formato livro de 224 páginas, papel couché e encadernada à linha, com tiragem de 1000 exemplares - de que junto uma das páginas, a 158 da publicação.



Eis por que eu digo que O Magriço não irá parar a outra editora a não ser a minha (sim, a minha, porque já não é a primeira vez que o faço, a contento), obra que já modifiquei (talvez para pior, porventura para melhor) ao longo deste quarto de século.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

BANDA DESDENHADA


Página 21 do Mundo de Aventuras 464(1716)
trabalho meu publicado na revista, que mantenho encadernada no seu todo
em vários volumes

Quando iniciei a publicação dos meus desenhos no "Mundo de Aventuras" pensei: "eu faço esta trapalhada de riscos, pernas tortas, rostos patibulares, traços a mais e traços a menos, estou a dar cabo da arte. O melhor é seguir a veia da escrita, que me parece mais natural, e deixar para os mestres - que os havia e os há - a tarefa de contarem uma história com desenhos perfeitos e apelativos".
Porém, com o passar do tempo, e principalmente com a extinção das grandes revistas de BD nacionais, parece que a BD, ao atingir novos meios de difusão, se abastardou no que toca ao traço e ao desenho, o que de certa forma contribuirá para que, de banda desenhada, seja transformada em banda desdenhada.
Continuo a pensar que não será nesta vida que atingirei a perfeição do traço, mas apraz-me ver que há muitos autores que o conseguiram e contribuem para que esta forma de comunicação ainda seja tida por quem gosta de ler e de ver. Porém, infelizmente, aparecem trabalhos em que o desenho, por muitos rótulos pós-modernistas e de vanguarda com que os rotulam, fazem com que se desdenhe e se apresente esta arte como "menor", o que não corresponde à verdade. Escrever e publicar um livro de texto, parece que está ao alcance de qualquer um, mesmo aqueles que não têm nada para contar e muito menos como o fazer. Já o mesmo não se diz da publicação desenhada, a qual não está ao alcance de todos.
Mas...Ah! Engano meu! Quem quer, quem tenha papel e canetas, faz BD, ainda que os arabescos sejam de tal forma disformes que não se consegue distinguir um comboio de uma centopeia ou de um cavalo de um tronco de árvore ressequida. Paradoxo dos paradoxos, logo aparecem os comentadores a "lerem" arte ressumada pelas vinhetas (quando as há), ainda que as páginas tenham duas ou três figuras pinceladas a negro, vendo na "coisa" grande qualidade estética e gráfica, tal a do sobretudo que aquele tal realizador colocou a tapar a lente da câmara para apresentar a Branca de Neve.
Há desenhos que aparentemente são simples e de traço sinuoso, mas têm arte e não são fáceis de executar. Há jovens autores portugueses que conseguem trabalhos de grande beleza sem grande "perfeição" do traço, mas lê-se e vê-se a sua arte espelhada nessas obras. O pior é quando, a par de um desenho "deficiente" a narrativa ainda seja pior, lamechas, vazia, deprimente. Enchem-se prateleiras dessas "coisas", que não são adquiridas, o que leva os livreiros a relegarem para espaços de "vão de escada" essas preciosidades, carreando a chouto outras obras que são de maior valia.
Na net, onde a coisa é de borla, posta-se a riscalhada obtida do scanner e vê quem quer. Com o papel e a tinta, a coisa pia mais fino: a parte tipográfica é a mais simplificada, basta esportular o custo do tabaco e do café de um ano; a distribuição e a venda é que são "o cabo dos trabalhos"!
A coisa vende? Não sei, mas venderá, se pensarmos que os cinquenta, oitenta ou cem exemplares em formato de caderno (que tem a vantagem de não ser ratado pelo Depósito Legal), esgotem pelos amigos, que fazem o favor ao ego do autor. 
Não sou crítico de BD e não me pronuncio sobre obras ou sobre os autores, nomeando estas e aqueles, porque respeito o trabalho de cada um, assim como os gostos de quem adquire. Não contem comigo para entrar nessas andanças, se bem que nada me leva a recear fazê-lo. É uma questão de princípio, pronto!
Não sei se sou dos que contribuem para a "banda desdenhada", se é que esse desdém provenha apenas da qualidade e não da forma. Continuarei a escrever e a desenhar - e a publicar quando e como quero - mesmo que, por vezes, tenha de considerar como Aquilino (que já parafraseei de outras vezes): quis fazer uma gamela, saiu-me um tamanco.


terça-feira, 9 de junho de 2015

PORMENORES


Aprecio envolver todos os pormenores, designadamente os que respeitam aos monumentos, nas vinhetas das minhas bandas desenhadas. No caso de O Magriço, fácil foi para mim fazer a repérage
(termo ligado ao cinema quando se procura os décors onde irá decorrer a acção), pois estou perto dos monumentos e sítios relativos ao enredo.
É o caso destas três vinhetas: a de cima, com o castelo de Trancoso; as duas inferiores, com um pormenor das muralhas exteriores de Trancoso (Portas d'El-Rei) e o castelo de Penedono.



segunda-feira, 8 de junho de 2015

LENDAS DO DISTRITO DA GUARDA


Está pronta esta obra. São quase duzentas lendas de catorze concelhos, levadas a um trabalho de 100 páginas, a ser impresso em papel couché, formato A4 e cartonado. Tem o apoio de metade dos concelhos, através da aquisição de alguns exemplares e segue em breve para a gráfica.


São duas lendas por página, todas elas ilustradas e também todas elas com o mesmo tamanho de texto, exercício que fiz sem retirar os elementos essenciais de cada uma delas.
Deixo no blog duas páginas escolhidas ao acaso e retiradas de uma base, montada em formato "word", para trazer aqui.
Os textos reproduzidos nestas duas páginas ainda não foram revistos, pois é um trabalho que tenho entre mãos. Todas as ilustrações, assim como os textos e adaptação dos mesmos, são da minha autoria.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O COMBOIO DOS ÓRFÃOS


Este é um dos títulos que faz parte da minha próxima lista de compras de BD. Considerados o desenho e a cor de grande categoria estética e documental, mormente na conseguida ambiência da época, o enredo interessa-me (interessa-nos), como europeu, porque circula à volta de um período conturbado da História europeia e as relações de acolhimento do lado de lá do Atlântico. Por incrível que pareça, estes acontecimentos não são apenas do passado, porque ainda se repercutem actualmente em qualquer parte do mundo.
A editora escolheu bem este trabalho de Philippe Charlot e Xavier Fourquemin, num álbum duplo que constitui o primeiro ciclo da obra.
Trago aqui ao meu blog esta obra porque acredito que a Arcádia/Babel está a apostar na BD de qualidade e porque recebi no meu e-mail esta novidade. Cortesia com cortesia se paga.

Características:
96 páginas
Cor
476x320x12 mm
PVP 20,80 euros

Sinopse da Editora:

O Comboio dos Órfãos é uma história sobre mobilidade e desenraizamento, que nos mostra um momento menos conhecido mas muito significativo da História dos Estados Unidos da América.
Na costa leste dos Estados Unidos, a onda de emigração maciça leva ao abandono de muitas crianças vindas da velha Europa. Miseráveis entre os mais miseráveis, as crianças abandonadas e maltratadas sobrevivem à custa de pequenos furtos e mendicidade nas ruas de Nova Iorque. Só nesta cidade, eram cerca de 20 mil em 1854, ano em que foi posto em prática o primeiro programa de adoção, conhecido pelo nome de “Orphan Train Riders”. Inicialmente artesanal, este sistema adquiriu rapidamente uma dimensão e uma eficácia quase industrial. Quando a iniciativa terminou, em 1929, cerca de 250.000 crianças haviam sido enviadas para o Oeste.


O reverendo Charles Loring Brace foi o primeiro a acreditar que retirando estas crianças do seu ambiente nocivo, poderia transformá-las em cidadãos irrepreensíveis. No estados do Middle West, havia falta de mão-de-obra e muitos casais que não conseguiam ter filhos… Pelo que seria possível enviá-las, por comboio, de uma costa à outra dos EUA. As primeiras viagens foram um êxito.
Recorrendo a agentes locais, Loring Brace instituiu o princípio dos cartazes que anunciavam a chegada das crianças para adoção. As “distribuições” realizavam-se no teatro, na ópera, na igreja, ou até no cais da estação. Os nomes, ou números, pregados nos casacos dos mais novos permitiam que os agentes os identificassem facilmente. Era frequente que estas sessões se assemelhassem a uma feira de gado. Compostas, na sua grande maioria, por agricultores, as famílias de acolhimento exigiam o direito de verificar o estado de saúde (principalmente dos dentes) dos meninos e meninas que lhes eram apresentados. Era raro que fossem imediatamente adotados. A única obrigação das famílias de acolhimento consistia em tratá-los como se fossem seus filhos, até atingirem os17 anos. Obviamente, muitos eram considerados apenas como mão-de-obra barata, mas, para o reverendo, era uma situação melhor do que aquela em que viviam nas ruas de Nova Iorque.

Este livro relata uma longa viagem pautada pela amizade, pela entreajuda… mas também pela traição.      

terça-feira, 2 de junho de 2015

O VÍCIO DO DESENHO



Podia falar de dois vícios, o do desenho e o da escrita, como se estivesse a falar dos vícios do álcool e do tabaco. Como não tenho os dois últimos, continuo com os dois primeiros, juntando-os consoante o meu engenho e arte.
Não sou perfeito e a anos luz da genialidade, mas faço o que posso e o que me dá na gana, principalmente porque quero agradar a mim próprio em primeiro lugar. Se gosto, continuo; se não gosto, não paro (se tanto, suspendo), para rectificar e modificar.
No trabalho que tenho entre mãos - melhor seria dizer da cabeça aos pés - é este Magriço que estou a alterar, depois de mais de trezentas páginas feitas a preto. Caberia na cabeça de alguém modificar três centenas de páginas, depois de as ter completas? A resposta é dada por mim: sim!
Com a peça teatral o Magriço, inaugurou-se o Teatro Nacional D. Maria II (texto que eu ainda não li para não me influenciar), mas é com a perspectiva do écran dos cinemas que eu modifico os enquadramentos e as vinhetas: por página, em norma, são três, em "cinemascope ou Cinema Scope". De quando em quando lá surgem duas vinhetas em uma, se a acção merece esse enquadramento.

Lá vou progredindo, redesenhando para aplicar a cor, modificando alguns pormenores, corrigindo gestos e outras imperfeições, na certeza de que ficarão muitas mais.
Logo que esteja pronto o trabalho, peço à gráfica a alteração do orçamento inicial, incluo a encadernação à linha e a capa cartonada com guardas impressas, para a obra seguir à sua vida.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O MAGRIÇO... A CORES



Eh, pá! Não sei o que me deu!... Já tinha anunciado aqui, no ano anterior, que ia publicar "O Magriço", a preto e branco, com orçamentos na mão, ISBN e tudo pronto quando, de uma noite para uma manhã, pensei modificar tudo.
Ao dizer tudo, foi quase tudo. Os enquadramentos, algumas vinhetas e, principalmente, o preto e branco, que quis acompanhar com a cor.
Só não concluí esta obra porque, entretanto, tenho andado com outra, que segue brevemente para a gráfica, sobre lendas ilustradas a cores (e estas cores influenciaram a nova ideia), uma obra que já conta com apoios, através de compra prévia de exemplares e se pode classificar "de luxo", formato A4, cartonada e em papel couché.
Voltando ao Magriço. Estou em pleno trabalho de transformação, e agrada-me. É também uma obra que fica cara na gráfica, mas eu estou determinado a levá-la para lá.
Também já esgotou a 4ª edição do "Padre Costa" e segue a 5ª; este com a particularidade de ser vendido num único local e numa só cidade. Quem o compra, ou vem até cá, ou pede pelo correio. O certo é que não têm faltado interessados.