segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O BANDARRA- Almanaque Trimestral - 3º Trim. 2017


Só agora trago o registo desta publicação saída a seu tempo: princípio de Julho de 2017. Por vezes tenho picos de participação neste blog, outras entro em letargia relativamente a ele. É caso para dizer que, com tão prolongado hiato, até dá para esquecer a senha de entrada.
Estou com um trabalho "ciclópico" entre mãos. Trata-se de uma BD híbrida, com imagem e fotografia em todas as vinhetas, devidamente manipuladas (digitalizadas), tratadas e aglutinadas, por forma a conseguir uma unidade síncrona e graficamente enquadrada, embora se distinga uma da outra, dado que a fotografia está em muito mais baixa resolução.
Como sou um alfobre de ideias, não tenho possibilidades - porque sou humano - em concretizá-las todas, guardando algumas delas no congelador, mesmo quando já tenham sido iniciadas e tratadas.
Às vezes ouço dizer a algumas pessoas quando observam os meus trabalhos humildes e tratados pela informática: "isso torna-se fácil, pois o computador faz tudo"! E eu respondo: "os escultores também têm os ponteiros, o cinzel e o gradim, mas estes, por si só, não executam a escultura". O mesmo se passa com o desenho tratado em computador que, neste caso, possui ferramentas para o tratamento e que exigem uma outra "arte" para a execução da obra.
Para exemplo, cito a publicação que justifica este post. É toda tratada por mim num desktop e vai para a gráfica (capa e miolo) só para imprimir.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

"THE AFRICAN QUEEN" - A RAINHA AFRICANA (SINOPSE EM BD)


Não sei se é da lembrança de muitos, mas este filme, A Rainha Africana (The African Queen), realizado por John Houston, tem nos principais papeis Humphrey Bogart (que ganhou um Oscar de melhor actor por esta película) e Katharine Hepburn.
Foi rodado no ano em que eu nasci. Sempre nutri pelo filme um carinho especial, visionei-me muitas vezes e decidi, há uns tempos atrás, fazer uma sinopse (só com didascália da minha autoria), do argumento, fazendo-a acompanhar de imagens desenhadas por mim e extraídas naturalmente dos fotogramas.
O intuito era publicar uma pequena revista de vinte e tal páginas, com duas vinhetas em cada uma, respeitando o formato da projecção em écran. Essa revista seria então distribuída gratuitamente por amigos e coleccionadores.
Acontece que, a páginas tantas, surgiu novo projecto, e este passou a marinar encafuado num ficheiro
em "drive" própria. A ideia não feneceu, até porque queria também desenhar outras jóias do cinema (para mim), como o Ben-Hur, O Nome da Rosa, etc.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

BANDARRA A CORES


Esta página já tem uns largos meses, a preto; a cor, dei-a hoje, para experimentar.
Com isto quero dizer que, se me der na veneta, ainda um dia completo uma obra com este padrão de enquadramentos e desenho, reformulando no todo um álbum que vai para 20 anos (1997), esse de formato A4 e de capa dura.
No caso de publicar esta versão, restar-me-á sair da seguinte indecisão: ou o faço em formato A5 (14,8x 21 cm) ou em 17x24 cm.
Esta página é uma das três que se enquadra na lenda "O Banco do Eco", uma vez que, para além da vida do sapateiro-profeta, incluo as lendas que foram coladas à sua figura.

sábado, 17 de junho de 2017

JOSÉ DO TELHADO - NOVA ABORDAGEM

Já trouxe a este espaço o tema deste bandoleiro português, para o qual fiz, em tempos, um trabalho de uma página semanal para um jornal da capital.
Já alterei os enquadramentos da série, não sei quantas vezes, impondo-se esse exercício de paciência através da apetência por novos formatos.
Desta vez, lá vem o eterno A5 - entre duas e cinco vinhetas por páginas - adoptando os desenhos publicados no semanário, enquadrando-os de forma a não incompatibilizar, o cerne do que então fiz, com a adopção de novas vinhetas.

O desenho de traço espontâneo mantive-o, tanto mais que, por ser do meu âmago, deixava para o limite o acabamento das pranchas semanais, o que não se coadunava com mais perfeição. Hoje podia melhorar o aspecto gráfico, mas acho graça a esta forma de desenvolvimento plástico.

Voltei para actualizar este "post", colocando aqui o desenho aguarelado com o auto-retrato do autor (que sou eu), baseado numa fotografia dessa pose marcial. Como facilmente se verifica, esta pintura serviu de base para a gravura do José do Telhado no projecto de capa acima exposto.
Trata-se de um desenho com alguns anos, quando ainda tinha outros óculos, o cabelo mais escuro e, obviamente, menos idade.
A primeira imagem desta nova abordagem - e única como vinheta inteira de página - não pertence à edição original deste trabalho, mas que encaixa neste como abertura.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

PRÉMIO GICAV BD


Foi neste sábado passado, dia 3, que decorreu, na Aula Magna do IPV de Viseu, a 25ª Edição  dos Prémios da Revista ANIM'ARTE, relativos ao ano de 2016. Estes galardões são  um reconhecimento público do trabalho realizado por todo o tipo de agentes culturais, institucionais e desportivos.
O Júri teve a cortesia de me comunicar, bem antecipadamente, primeiro por telefone e depois por escrito, que me tinha sido atribuído o galardão relativo à BD, um reconhecimento público da obra que tenho publicada. Não divulguei a distinção, tanto mais que me propus reservar essa consideração para quem de direito, no momento oportuno e no lugar próprio.
Na breve intervenção que tive o ensejo de proferir, para além de agradecer ao Júri a distinção, bem como à promotora revista ANIM'ARTE do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), achei por bem realçar e prestigiar esta forma de arte comunicativa (que se diz 9ª arte quando, de facto, foi a 1ª, precedendo a escrita, uma vez que na pré-história se narrava através da sequência desenhada), contando até um breve episódio que se passou comigo.
Numa ocasião em que fui apresentado a uma figura pública como um autor de livros, mormente de ficção e de História, incluindo também obras de banda desenhada, a figura arqueou as sobrancelhas e inquiriu, dirigindo-se-me com alguma perplexidade:
- O senhor faz banda desenhada! A sério?...
Eu respondi:
- Não. Apenas faço banda desenhada, a brincar; os leitores é que a levam a sério.
Sobre o desenho e a escrita, achei por bem dizer que o próprio A que consta do galardão começou por ser o desenho fenício da cabeça de um touro (o Aleppo sírio, que corresponde ao aleph do alfabeto hebreu, etrusco e romano/cirílico) antes de se transformar na primeira letra do alfabeto latino.
Reparem bem na forma em V da cabeça de touro, atravessada pelos chifres,
Aleph fenício
com evolução através dos tempos de forma a rodar e ficar como hoje a encontramos.
É caso para dizer que, quando escrevemos, estamos a desenhar figuras de animais e objectos do quotidiano ancestral.

Ilustro esta informação com uma fotografia do troféu e uma outra, tirada pelo meu amigo Agostinho Barreiros, através do telemóvel.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

PROJECTOS ABANDONADOS - O MALHADINHAS


Já aqui falei deste projecto. Executei quase toda a obra com o prazer que me deu adaptar, para esta linguagem, a novela do Mestre. É claro que não a publicarei, tanto mais que sobre o texto pendem direitos autorais, os quais julgo repartidos entre os familiares de Aquilino e uma editora. No entanto, considero que, o gosto em fazer este trabalho, compensa as horas que o mesmo levou a executar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

DICIONÁRIO DAS LOCALIDADES DO DISTRITO DA GUARDA


Acabou de sair este meu livro, que é uma edição especial com distribuição gratuita no 7º Encontro dos Aposentados da DGCI do Distrito da Guarda. Trata-se, desta feita, de uma edição com patrocínio do STI (Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos) e, como tal, para distribuição exclusiva pelos membros aposentados da classe.
É um livro onde são descritas, de A a Z, todas as localidades (aldeias, quintas, vilas e cidades) do distrito, num total que ronda o milhar e meio.

Está actualizado segundo a nova reforma administrativa das freguesias e contém, para além dos dados meramente corográficos, um pouco de história, monumentos, património material construído e natural, curiosidades, festejos e distâncias.
Talvez me proponha a fazer uma nova edição... para venda.

domingo, 21 de maio de 2017

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE IMPOSTOS (6)

Em 8 de Março deste ano trouxe aqui o tema “contribuição” e volto para repeti-lo, a pedido de “várias famílias” e porque ontem, numa confraternização, saiu-me esta do bestunto. Por essa altura, lembrou-me da “coisa” a propósito dos nomes que a estrangeirada deu à “Geringonça”, que também é um Imposto – e não uma Contribuição – uma vez que governa sem ser directamente votada para ficar em primeiro lugar para governar. Se isto é confuso, eu vos confundo neste poço de perplexidades sem fundo. O caso das traduções do vocábulo Portasiano por essas línguas-de-trapos para além de Vilar Formoso tem dado que falar; pelo menos, foi o que li num semanário abandonado e perdido numa sarjeta (quando o seu lugar seria num ecoponto), na altura em que não tinha trocos nem pachorra para comprar um em primeira mão.
Mas vamos aos vocábulos...
CONTRIBUIÇÃO. Durou muitos anos este termo “contribuição”, designadamente nos diplomas fiscais e na própria designação da entidade que superintende – a Direcção Geral das Contribuições e Impostos. Com a queda do que se chamava, muito despropositadamente contribuições, a própria designação da direcção geral deixou de conter esse termo e passou a ser conhecida como Direcção Geral dos Impostos, embora mantivesse a sigla DGCI.
Disse despropositadamente e disse bem, porque a contribuição pressupõe quem contribua com um propósito generoso, direi mesmo voluntário. E não era esse o caso.
Acabou o termo? Nada disso! Então como é que se chama, ou que outro nome tem, a contribuição audiovisual? E o que são as chamadas “contribuições extraordinárias”? Quando até a própria e o Banco Alimentar Contra a Fome, bem como a Wikipédia pedem “contribuições”!...
Uma coisa é dizer: eu contribuo para a AMI, porque tenho pena dos mais necessitados; outra será dizer: eu contribuo para o IMI, porque tenho pena dos menos carenciados. Para além disso, convenhamos que se o IMI fosse contribuição, seria designado por COMI (Contribuição Municipal de Imóveis) – logo, se o predicado exige sujeito, ou vice-versa, se COMI, comi alguma coisa…
Não se queixem os que contribuem com as filas de espera para cumprirem o sagrado dever de contribuir, alegando terem de deixar os filhos e os netos sozinhos em casa, pois o primeiro-ministro Costa disponibiliza-se para ficar com eles nesse ínterim.
O que contribui chama-se contribuinte, pessoa que o devia fazer graciosamente, segundo a etimologia da palavra. E não o faz. A não ser que seja um filantropo ou altruísta, mesmo assim para outras causas. Há quem ache que o contribuinte é um mecenas ou um trabalhador sem direito a féria. Aquele que foi actor e presidente americano muito antes de Trump, que se chamou Reagan, disse mais ou menos isto: “O contribuinte é o único cidadão que trabalha para o governo sem ter de prestar concurso.”
Também se pode meter neste saco todo aquele “chico” que contribuiu para os dez mil milhões nas “offshores”, na órbita da frase keynesiana de que evitar os impostos é a "única actividade que actualmente contém alguma recompensa".
O livro do ex-presidente da república, que levou o título “As Quintas-Feiras e Outros Dias” bem que podia ter outro título, mais apelativo, capaz de catapultar estas memórias para uma cifra equivalente à publicação das de Obama – 60 milhões (!). Se fosse eu, chamar-lhe-ia “As Quintas-Feiras e Outras Contribuições”. Mas, confesso, eu também não teria pachorra nem capacidade para escrever memórias deste quilate.
O certo é que o termo contribuinte constitui um paradoxo, tal como essoutro que se chama fuga ao fisco, quando, o que vemos, é os ditos contribuintes, em vez de fugirem, fazerem "fila" à porta das repartições para cumprirem a obrigação, ainda que, no íntimo, desejassem que o papel para pagamento da contribuição fosse metido num sítio recôndito e íntimo, como serventia.
Voltemos à família contribuição e imposto, cujo parentesco, no seio das designações fiscais, deve andar à volta de primos. Não havia uma redundância de designações para o mesmo fim? Não entrava tudo no mesmo saco, pela via da mesma caixa? Logo, um estava a mais.
Não estava, disso vos garanto. Os catedráticos aludem a diferentes significados técnicos para a existência dos dois ramos, coisa que eu não contesto.
O próprio termo imposto, se quisermos, já significa contribuir (concordo, por imposição), tanto assim que os serviços fiscais tratam por contribuintes os pagadores de impostos e não por impostores. Nalguns casos, sinceramente, mais impostores que contribuintes.
FOSSADO. Este devia ser o mais exótico dos impostos, se fosse aplicado aos proprietários e produtores de porcos bísaros, pata negra ou malhados de Alcobaça. Mas não. Quem fossava para este imposto não eram os suínos, que já os havia em larga escala, mas os trabalhadores da gleba, através da sua mão de obra para serviços de construção de castelos ou fortificações militares, bem como o serviço militar a que estavam obrigados os cavaleiros vilãos e peões.
Era, como se compreende, um imposto em espécie, sendo a espécie o trabalho e a prestação de serviços. Não era chegar à tesouraria ou ao multibanco e toma-lá!... Saía do corpinho e tinha o benefício de não sujeição às argoladas da liquidação e das omissões no e-factura, coisas que acontecem desde a ocorrência do pecado original.
E quem se escusasse ao fossado? Tal como hoje – e sempre – teria uma multa ou coima, que se chamava fossadeira e não era mais suave do que as suas congéneres de hoje.
Mais tarde, este encargo passou a ser remido a dinheiro, uma vez que o valor é semelhante para todos os sujeitos passivos e os cofres não engordavam com o suor alheio. Digo isto porque, sendo um imposto generalizado, alguns sornas e menos trabalhadores contribuíam com uma fatia menor, o que não era justo. Já na altura passava a ideia de que pagar imposto fazia mal à saúde.
    Tinha de haver penalidades para os faltosos. Então, tal como agora, código que fosse código, não ficaria completo sem este saboroso capítulo. Fossadeira, de início, era a multa que tinham de pagar os que faltavam ao fossado. A fossadeira, como multa, podia então ser paga em géneros, talvez mesmo em bitcoins da época, através de um estratagema subtil e semelhante àquele que só podia surgir, mais tarde, em cachimónias de hodierna gente.
     Imagina-se a satisfação dos cobradores ao ouvirem o "cantar" das moedas no fundo do cofre, muito semelhante à de um melómano a uma partitura de Bach.

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE BRUXAS - Letras T e U


TESOURAS. Uma tesoura aberta sobre uma travesseira livra do poder maléfico das bruxas a todo aquele que, durante o sono, aí repousar a cabeça. Igualmente deve servir uma tesoura (aberta, naturalmente) para evitar que as bruxas ouçam quem fale mal delas. Torna-se evidente que, no pressuposto de Trump, se existir um aparelho micro-ondas por perto, elas ouvem mesmo.
TRAJE. Uma mulher com bata branca será médica ou enfermeira; um homem fardado com um cassetete, papel de multas na mão e um radiotransmissor-receptor será polícia; um fulano com farda verde e com as iniciais CM, será identificado como prestador de serviços menores numa câmara municipal (sim, porque o presidente ou os vereadores jamais usariam uma coisa daquelas); um outro com o cabelo desalinhado, de fraque e luva branca, passará por regente da orquestra, mesmo que perceba tanto de uma pauta musical como eu; alguém de gravata e com sintomas de sonolência, decerto o percebemos como membro do Parlamento. Ora, uma bruxa não possui fardamento, vestes talares ou outro traje característico especial que faça com que se distinga do comum dos mortais. Quando se transformam em patas de cor preta, ratazanas e porcas negras como o azeviche, não são vistas por qualquer um e, se as descobrem, nem sequer imaginam a metamorfose que vai por ali. Apenas a vassoura, os cintos de grandes fivelas e aquele emblemático chapéu cónico que faz lembrar os limitadores de obras na auto-estrada – e que o estilismo de Jean Barthet não desdenharia – as podem denunciar, não estivessem elas, hoje em dia, arredadas desse ultrapassado folclore.
Quem acusar um vizinho ou vizinha de bruxaria, não tendo formas de o identificar, podendo essa pessoa ser aquilo que acusa, é como ouvir dizer a um jacaré que o hipopótamo tem uma boca enorme.
De tudo isto se imagina como é difícil a identificação das bruxas e bruxos, nem mesmo se as virmos, de ouvido atento, à audição da “Sinfonia Fantástica” de Berlioz.
URINA. Atenção a este sinal: quando o lume da lareira começa a dar estalidos, é sinal que as bruxas estão a urinar nele. Se não é bastante para esfriar a fogueira, também não deverá ser confundido com outra prática mais escatológica, que vulgarmente se intitula “chuva dourada”.
Há quem diga que elas celebram os sucessos com o mesmo chinfrim do clube de futebol que arrebanha o tetra. Com o diabo como treinador em slips, executam passes taurinos e, entre elas e ele, exercitam os principais tipos de pegas: de caras, de cernelha, de costas, a de gaiola, o cite do forcado e a pega com o forcado da cara sentado numa cadeira. O diabo, por ter cornos, faz de touro.
UVAS. Esta até o mais empedernido descrente sabe e pratica. Comer doze passas, cada uma com seu desejo, na altura em que soam as badaladas da meia-noite da passagem do ano, é comum e prática generalizada. É uma por cada badalada e não convém atrasar-se nem muito menos engasgar-se. Para o caso de se atrapalharem nos pedidos, usem uma cábula, pois não está proibido este auxílio da memória. Aconselho que reservem uma das passas para que um primeiro-ministro detestado, e a sua comandita, não regressem ao leme do País, porque para pior, já se aguenta assim.
Não convém é sonhar com uvas brancas na noite da passagem de ano ou nas noites seguintes, porque é sinal de lágrimas; no entanto, sendo uvas pretas é sinal de carta, que muito bem pode ser o pagamento de uma multa de trânsito (o mais vulgar e, ultimamente, o mais frequente) ou a liquidação, a pagar, do IRS.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O MEU LIVRO DE CURIOSIDADES

Depois de ter colocado o post anterior, onde foquei o trabalho sobre efemérides (que não concluí), tive a peregrina ideia de aproveitar os desenhos feitos para o tema (e são muitos) e transformar as efemérides em curiosidades.

Para isso, juntei outros desenhos avulsos e procurei legendas curiosas sobre os mesmos, num exercício que me levou a programar os apontamentos que seguem a ilustrar esta peça.
A coisa está "atabalhoada", sem revisão e com arrumação provisória, mas serve para dar uma ideia da minha ideia.




terça-feira, 9 de maio de 2017

EFEMÉRIDES DESENHADAS - PROJECTO INCONCLUÍDO


Entre 1997 e 1998 ilustrei, por dias do ano, algumas efemérides mundiais. A ideia era fazer publicar num jornal diário - e no respectivo dia - um quadro alusivo ao acontecimento nesse mesmo dia ao longo da história do mundo.
Enviei a ideia para um jornal e, felizmente, nem sequer resposta tive (o que é normal na maioria dos editores dos media em Portugal). Disse felizmente porque o dito jornal durou apenas alguns meses e eu também era capaz de não cumprir com regularidade os 365 desenhos, uma vez que, quando apresentei a proposta, apenas tinha concluídos os meses de Maio, Junho, Julho e Agosto.
Na minha periódica "vistoria" aos arquivos, dei com uma resma de esboços e desenhos já concluídos,
com a didascália colada em lugar livre do desenho.
Vai daí, escolhi meia dúzia de Junho, passei a "limpo" as legendas e aí vão, de cima para baixo, os dias 12, 2, 3, 15, 5 e 14 de Junho.





Talvez um dia volte à carga e faça um ano completo, com continuidade, colocando os quadrados a 4 ou a 6 por página. Talvez...
A única certeza é a de não colocar a ideia de publicação a quem quer que seja.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

COMO EU ATRAVESSEI A ÁFRICA (SERPA PINTO)


Desafiado por um amigo, ele também ligado à Banda Desenhada, propus-me passar a esta via um pequeno trecho da obra do explorador português, de seu nome Serpa Pinto.
Eu também estive em África (Moçambique), de onde vim em meados dos anos 60 e todo o espírito da terra e das gentes, empolga-me.
Julgo que desenhei estas quatro pranchas num só dia e remeti-lhas, não me lembrando para que efeito era o pedido (nem isso interessa), nem se estou a quebrar algum sigilo sobre a matéria.
A obra "Como Eu Atravessei a África" é enorme e tem passagens alucinantes, que o saudoso Fernando Bento desenhou com o seu habitual primor. Talvez pela grandeza da obra e pela grandeza da versão do Bento, eu me acanhe sobre este trabalho, de que fiz apenas esta passagem... de passagem.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

PRÉMIO LITERÁRIO NUNO DE MONTEMOR


Na arrumação periódica do meu acervo literário e artístico, deparei hoje com um livro, datado de 1981, onde foi publicado o meu trabalho premiado, um dos dois que conseguiram essa escolha (o outro trabalho premiado foi da Professora Doutora Maria Máxima Vaz Neves Pires).
Tinha eu acabado de completar 30 anos de idade quando concorri ao Prémio Literário Nuno de Montemor, aberto pela Câmara Municipal da Guarda.
Mal conhecia a Guarda, pouco tinha lido da obra do autor quadrazenho (de Quadrazais-Sabugal), pelo que recorri a uma verdadeira maratona de leituras (o autor publicou cerca de três dezenas de títulos, entre poesia, conto e romance), fiz algumas pesquisas na altura em que não havia internet's, google's e quejandos, e entrevistei um sobrinho do autor.
Trabalhei tudo na minha pequena máquina de escrever e concorri. Felizmente consegui ser premiado e vi reproduzido o trabalho na obra, com imagem a abrir este texto. Já lá vão 36 anos.
Da entrada do livro, à guisa de prefácio, da autoria do Pelouro da Cultura da Câmara da Guarda, reproduzo o texto a seguir:
Justificando uma Iniciativa
Quis a Câmara da Guarda, através do Pelouro da Cultura, comemorar o 1.° Centenário do nascimento do escritor padre Joaquim Augusto Álvares de Almeida, conhecido, no mundo das letras, por Nuno de Montemor.
No âmbito das comemorações, promoveu conferências e um certame literário, subordinado ao tema:
«Nuno de Montemor, Escritor Guardense Sua Vida e Obras».
Para dar mais relevo aos trabalhos apresentados, e tornar mais conhecida a obra do homenageado, foi deliberado, em sessão camarária, mandar editar um pequeno Livro, composto pelos trabalhos que obtiveram os dois primeiros prémios. São eles: «NUNO DE MONTEMOR — UM ESCRITOR GUARDENSE, SUA VIDA E OBRA, da autoria de Maria Máxima Vaz Neves Pires e «NUNO DE MONTEMOR — SUA VIDA E OBRA» da autoria de Fernando Jorge dos Santos Costa.
Julgamos, deste modo, ter contribuído para o melhor conhecimento dum dos maiores vultos das Letras, que viveram na nossa Terra. Descreveu, com realismo inexcedível, costumes e tarefas das nossas aldeias, divulgando o folclore regional; entoou cânticos de louvor a tudo o que há de belo e singular na nossa Estrela, em páginas dignas de figurarem em qualquer antologia da Língua Portuguesa.
Queremos, nesta homenagem simples, recordar um dos maiores encantos da Vida de Nuno de Montemor — Lactário Dr. Proença — onde, o poeta do «Amor de Deus e da Terra», passava a maior parte dos seus dias, procurando minimizar o sofrimento dos mais carecidos de bens materiais, e onde, possivelmente, se inspirou para escrever alguns dos seus mais belos poemas.
Outubro de 1981

A Câmara Municipal



sábado, 22 de abril de 2017

A VOLTA AO MUNDO (E À MINHA CABEÇA) EM 80 DIAS


Já aqui falei neste trabalho/lazer e volto a falar dele porque me têm chegado provas de incentivo para o continuar.
Para ser sincero - como costumo - é daqueles trabalhos inconcluídos que ficaria a aguardar um hipotético desejo de o concluir, a exemplo do que já aconteceu com outros. Não sei...
A Banda Desenhada, no meu entender, possui uma engrenagem equivalente à das antigas noras de tirar água. Para quê dar à manivela e à roda do poço, quando a água salta das torneiras a um simples toque? E, pior ainda, quando já há por aí tanta água engarrafada, engarrafonada, obliterada e não sei mais quantas terminologias idênticas?
Se acabar este trabalho, sei que terei de puxar pela bolsa sem ver retorno da espórtula; isto quer dizer que, para apenas vender meia dúzia de livros, além de me deixar indisposto, acabará por desmotivar outros empreendimentos editoriais. Para os oferecer a todos, ainda não acertei nos cinco números e nas duas estrelas para encher o cofre. Pensar em arranjar editor está fora de questão, porque não estou disposto a "pedinchar", tanto mais que, o meu feitio independente e pouco dado a negativas, deu em acabar com esse peditório. Para complicar ainda mais, tenho outros trabalhos editoriais a sair periodicamente e, até me enfastiar, penso prosseguir com os mesmos. Para finalizar o rol das justificações, pesa a proliferação desta obra editada em Banda Desenhada, quase toda ela com qualidade superior e mais oleada para chegar ao público leitor.
Logo, mal apanhe uma aberta e a vontade desperta, sou capaz de ir para a hipótese das ofertas, com uma tiragem equivalente à de uma sala de aulas.
Mas não foi por isto que volto ao assunto.
Este trabalho foi feito para me divertir e para experimentar a cor do "photoshop". Tinha a intenção de fazer tudo em 80 dias, na justificação da viagem de Mr. Fogg, sem planificação, sem cuidar de enquadramentos e sem me preocupar com o desenho e os seus pormenores. Arranjei um caderno escolar, desses de capa preta da "firmo", uma esferográfica azul (daí ter feito o scan a preto para reproduzir a imagem em cima) e retoquei com tinta a arte final. Desenhei para mim, pelo que sou autor e leitor de uma obra solitária, manca, instável e possivelmente sob condenação eterna do seu ilustre autor do texto, que muito admiro.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE BRUXAS E SUPERSTIÇÕES - Letras Q-R

Q
QUEBRANTO. Na farsa Quem tem farelos?, de mestre Gil Vicente, a determinado passo encontra-se a excomunhão: “Má cainça que te coma/ mau quebranto te quebrante”.
Este anátema possui característica inversa à das feromonas – nem sequer faz despertar o apetite sexual. O “quebrantado” ficará, pois, num estado de letargia, abúlico, febril e definhado.
O quebranto age como um vírus, talvez com o poder de “o pai de todos os vírus”, só lhe faltando um nome em latim e referência em simpósio farmacológico para se tornar mais respeitável entre os seus pares. De qualquer forma, sempre é mais fácil de pronunciar que enterobius vermiculares, uns vermes no vulgo alcunhados de lombrigas.

R
REUNIÕES. Segundo consta, podem realizar-se em qualquer lado, mesmo em salas multifuncionais com ar condicionado, projectores de tela, tradução simultânea e acesso à internet. O mais provável é que se dispensem esses requisitos e ocorram numa laje granítica, previamente limpa de detritos de rebanho, junto a uma encruzilhada de caminhos onde não haja sinalização de trânsito.
Já o calendário pia mais fino e é imutável nos dias de presença, sem hipótese para ausências justificadas, às terças e sextas feiras. Tratam-se assuntos que são postos dentro e fora da ordem do dia, lançando os seus discursos de elevado teor conceptual, permitindo-se considerandos, requerimentos e propostas, desde que contenham matéria conclusiva sobre a arte de embruxar toda a coisa.
Não levem a mal, mas como ainda não assisti a nenhuma, não asseguro se tudo isso se passa como em outras assembleias desassombradas. Também não me consta que se lavrem actas, relatórios ou meras resenhas sobre os assuntos agendados.
Ah! Não sei se as votações são por maioria simples ou por unanimidade, de braço no ar ou língua de fora; e sei também que as únicas geringonças permitidas são as vassouras de transporte.
Como é da praxe, reunião antes, estômago depois. É neste particular e em outros fora deste âmbito: quando se trata de seminários e outros arraiais congéneres, umas roucas e outras afónicas, as bruxas empanturram-se de comidas pouco recomendáveis e indigestas, com alto teor calórico. Mas é uma opção que as livra da conta exagerada e das gorjetas nos restaurantes.

S
SÁBADO. Dia das reuniões – o “sabat” – em que reúnem as bruxas com o bode dos “cornos grandes”, que desempenha funções equivalentes às de presidente do conselho de administração, e que preside à cerimónia numa encruzilhada de caminhos e em redor de um espinheiro. Esmeram-se na forma indecorosa como se vestem para a ocasião, narram façanhas, fumam charutos Montecristo (furtados na secretária de algum ministro ou de um banqueiro), falam das vítimas passadas e futuras e apresentam ao amo as neófitas de quem serão madrinhas.
As noviças, que possuem perfis no Linkedin, iniciam-se por renegar a religião e a existência de Deus, enquanto as madrinhas são recompensadas com moedas de ouro e prata, que terão de ser gastas no prazo de 24 horas, numa casa de bingo ou num supermercado, sob pena de desaparecerem em fumo.
Goethe e Victor Hugo tentaram-se pela descrição sabática nas suas obras e o pintor Jeronimus Bosch, em “As Tentações de Santo Antão”, colocou na tela um casal de bruxos que vai até ao “sabat” montado num peixe, o que constitui substituição do uso da tradicional vassoura.
SANCHO PANÇA. É o martirizado e incompreendido companheiro de D. Quixote, autor da máxima que outros parafraseiam - não creio em bruxarias, mas que as há, há.
Farto de ver coisas estapafúrdias, das quais e não menos significativa era um amo desaparafusado do juízo, o gordo e desajeitado escudeiro só lhe faltava acreditar em bruxas. Aliás o Sancho Pança era um pobre diabo que tinha um fôlego épico para aturar tanto disparate junto. Mas tantas e tais as mirabolantes contradanças e alucinações em que o seu amo se meteu, que o coitado passou a crer na existência daquilo que não cria, mas que nós cremos que ele cria.
SAPATOS. Agora habituei-me aos pés e aos sapatos sem atacadores, como ténis e mocassins, os que apertam com velcro e sandálias. Sapatos com atacadores, só para cerimónias e calça vincada. Por essa razão não me preocupo com a superstição que diz ser aziago calçar um dos pares com um atacador castanho e o outro com atacador preto, pois o castanho simboliza a terra da sepultura e o preto a escuridão da morte.
Na passagem de um ano para o outro, há quem se dê ao cuidado de colocar uma nota (no caso, o euro, no mínimo uma nota de cinco) dentro de um dos sapatos (de preferência, o direito), porque atrai mais dinheiro, uma vez que se acredita que a energia e a abundância entram pelos pés.
A propósito, também traz bom augúrio saltar com o pé direito, sem se incomodar muito com os euros aí escondidos, porque mais pisados do que estão pela Europa fora, é impossível. Acautele-se com o cheiro dos pés, principalmente se pretende posteriormente trocar a nota.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CONTOS DE AMOR E DRAMA - NOVOS VOLUMES


Depois da publicação dos 2 primeiros volumes, cada um com 206 páginas, tenho prontos para a gráfica os 3º e 4º volumes com 206 páginas.
A capa do 4º volume, para alertar os que menos atentos poderão estar aos meus post's, possui o desenho que eu inseri na contra capa do meu mais recente romance policial. A razão é simples: neste quarto volume está o conto que deu origem ao romance, com a mesma passagem que a capa ilustra.
Deste quarto volume reproduzo o prefácio.

PREFÁCIO

 Este é o quarto volume da série de contos que eu fui publicando ao longo do tempo, em revistas e em jornais, com alguns inéditos e outros retirados a obras que não cheguei a dar ao prelo.
Neste livro consta um conto de género policial – muitos preferem dizer policiário – que é um dos inéditos inicialmente proposto para um romance e que transformei num conto, que tem por título “Um Caso de Adultério”, amputando e corrigindo grande parte da ação.
O Conto “A Bandoleira” é baseado numa figura real, recolhida na imprensa da época e que eu decidi trazer aqui embrulhada em ficção.
A maioria dos contos continua a provir desse manancial que produzi durante mais de um decénio, a pretexto de novelas românticas, para uma revista feminina com certa regularidade, de tal forma que foram publicados 138 contos ou histórias de amor, em outros tantos números daquela revista, então uma das de maior tiragem no País, com uns invulgares 400.000 exemplares de tiragem, em média, por semana. Acontece que, a este volume, resolvi trazer o primeiro com que encetei essa colaboração, em dezembro de 1990 e a que dei o título de “Aconteceu no Egito”.
“A Bruxa” faz parte de um original inacabado, que pretendi dedicar a uma figura lendária: o João Tição da Fonseca, guerreiro português do séc. XII, enquanto “O Crime de Ana das Dores” foi um capítulo que resolvi expurgar ao meu livro publicado com o título “O Padre Costa de Trancoso”, que vai na 5ª edição.
Hão de reparar que há oito contos que têm como protagonista um narrador na primeira pessoa. Isso não quer significar que seja eu, autor, a narrar factos da minha vida ou que tivessem acontecido comigo, nem que esse “eu” respeite a uma única personagem que se repete nessas oito narrativas. No entanto, dizer que eu, o autor, não se identifica com aquele ou aqueloutro personagem, é extirpar de mim aquilo que eu sou, quer na ousadia, nas circunstâncias e na liberdade que eu fruo no dia a dia como cidadão e como pessoa.
Já escrevi romances, ensaios, monografias, estudos históricos e regionalistas, mas nenhum me deu e dá tanta amplitude criativa como este género de literatura que agora vos apresento. Trago para o palco da obra muitas dezenas de personagens que se ficam pelo compartimento do título onde gravitam, mas dou-lhes a liberdade de questionarem o autor: ou porque as destrato; ou porque evidencio os seus defeitos; ainda porque as faço sofrer (o que também me dói); finalmente porque coloco um fim inesperado, imprevisto e, quiçá ainda, em contrassenso. Há ainda a considerar que, no conjunto dos volumes publicados e a publicar, percorro todos os continentes da Terra, incluindo os oceanos, com povos e costumes, sítios e gastronomia de cada uma das regiões, o que me levou a uma constante busca em revistas especializadas para colher dados que, de outro modo não teria, uma vez que, ao contrário das minhas personagens, nunca lá pus os pés.
Apesar de num ou noutro caso ter como “chave” ou “semente” da ação algumas situações reais e figuras que as desempenharam, tive o cuidado de alterar o que me deu na real gana modificar, de sorte que em nenhum deles pode existir cotejo com eventuais situações ou pessoas reais.
Repito ainda o que disse nos anteriores três prefácios. Para esta recolha, optei eu próprio por ilustrar todos os contos, desenhando os pórticos um por um com base no escrito e na ação. O mesmo fiz com a capa, naturalmente ilustrada com a imagem de pórtico de um dos trabalhos, escolhida e colorida aleatoriamente.
                                                                                                                                         Santos Costa

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O MAGRIÇO EM A4 - 1º VOLUME


Pois é. Tanto andei, tanto andei, que acabei por publicar As Aventuras do Magriço em A4. Os exemplares chegam amanhã, vindos da gráfica, e respeitam ao primeiro de quatro volumes já concluídos. A saga, no entanto, correrá por mais volumes, logo que vá registando consoante a disposição e o engenho.



As capas - que já estão feitas para os ditos quatro volumes - vão ser de cores diferentes quanto ao fundo e às imagens.
Em cima, uma das poucas páginas com uma só vinheta; a seguir, a capa e a contracapa; em baixo, uma página deste volume.
A impressão foi feita sobre papel de 120 gramas, o que torna o álbum mais consistente.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE BRUXAS E SUPERSTIÇÕES - letras O e P

O
OBJECTOS. Aconselham a que nenhum objecto partido deve ser mantido em casa, na passagem de ano; eu diria mais, tudo o que tresande a partidos. Se tiver por lá uma geringonça, rua com ela!
Deve deitar fora todas as más recordações impressas, como as fotografias dos ditadores e quejandos – possivelmente trará bom augúrio para si e para o País.
Tendo em conta esta tradição, já esteve mais longe a ideia dos municípios aumentarem a taxa sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos, bem como a taxa de protecção civil, a da conservação dos esgotos e uma outra, a criar, sobre mobiliário do ano velho fora de casa.
ORAÇÕES. De barato seguem algumas orações indispensáveis ao espantar das abominações.
Uma delas, dita ao deitar, faz com que as bruxas não se metam com o dorminhoco, o mesmo que é dizer, numa linguagem mais pueril, que se intrometam entre quem dorme e o João Pestana. E reza assim: “Oca, marnoca,/ três vezes oca;/ pé no pé, freio na boca;/ trista com trista,/três vezes trista,/ S. Pedro e S. Paulo/ e S. João Evangelista/ao redor da minha casa assista”.
Esta outra é digna de memorização: “Eu me apego a S. Silvestre/ e à camisa que ele veste,/ e ao círio pascal,/ e às três missas do Natal,/ para que nem homem nem mulher, me possam fazer mal”.
Para a colecção, mais esta: “S. Pedro, S. Paulo e S. João Evangelista/ em redor da minha casa assista;/ se alguma bruxa, feiticeira ou melgueira comigo quiser entrar,/ conte primeiro as areias do mar”.
Lá vai a última, pois o que já foi dito equivale a uma consulta com preçário muito superior ao valor da sua sobretaxa de IRS. Assim, para fazer fugir uma bruxa que se reconheça, deverá dizer-se: “Tu és ferro,/ eu sou aço,/ tu és o diabo/ e eu te embaço”.
Se julgam que isto é uma falácia, saída do bestunto deste “enciclopedista” desnorteado, experimentem ouvir uma avisada aldeã (das poucas que resistem), no exorcismo de berço de uma criança que abra a boca num bocejo: “Anjo bento, o Espírito Santo te entre pela boquinha adentro”.
Mais tarde, a mesma criança, agora já homem no Parlamento, poderá ouvir da mesma aldeã: “(marm)anjo de S. Bento, um moscardo te entre pela bocarra adentro!”.

P
PENEIRAS. São crivos para peneirar farinha ou qualquer outra substância a refinar, mas também servem como passagem de testemunho no âmbito deste enlevo do oculto.
Eu explico: quando alguém, tido com poderes de bruxaria, estiver para morrer, só finará quando lhe entregarem uma peneira; a pessoa que faz a entrega ficará com os poderes de bruxaria transmitidos pela moribunda. Esta passagem é conhecida como entrega dos “novelos do mal”       .
A principal questão – e eu coloco-a antes que me façam essa pergunta – é saber se, à falta da passagem de testemunho, a bruxa não se arrisca a ter uma vida perpétua. Digo isto porque vai ficando escasso o fabrico de peneiras. No entanto, se lerem o parágrafo seguinte (que o legislador introduziu para prevenir estas casualidades), ficarão com a resposta.
Parágrafo único – à falta de peneira, o contacto simultâneo de ambas as mãos supre a ausência do adereço.
PORTAS. Entradas pouco utilizadas pelas bruxas – e pelo Pai Natal, acrescente-se também – uma vez que preferem a forma bizarra da entrada pelos telhados e pelos buracos das fechaduras.
Suponho que também entrem pelas chamadas “portas do cavalo”, umas entradas que geralmente têm um letreiro a avisar que é para uso exclusivo do pessoal ao serviço, mas por onde entram os amigos sem senha de atendimento.
Quem não tem certezas, bem fará em ganhá-las. As bruxas entram por todo o lado, com portas ou sem elas. Com a mesma facilidade, com ou sem portas, também entram na política. Cruzes, credo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL


Esta caricatura foi "pescada" nos meus arquivos. Foi publicada, em seu tempo, no semanário "O Diabo" e foi propositadamente feita aquando da polémica com o túnel do Marquês, cujas obras estavam a ser embargadas. Falar do túnel do marquês, sem o marquês!...
Desenhei quase tudo o que era político nesse tempo. Fazia os desenhos da parte da tarde dos domingos e enviava-os, a tempo do fecho da edição, às segundas-feiras.

domingo, 2 de abril de 2017

A BD ABRANGENTE


A Banda Desenhada  é abrangente em todos os ramos da cultura e do divertimento, tal como acontece com a literatura e o cinema, uma vez que envolve as características destes dois. Permite recuar no tempo e fardar os intervenientes sem recorrer aos custos de um guarda-roupa; consegue registar a imagem de um "acidente" sem  que seja necessário o recurso a um duplo ou "stunt" (lutas, atropelamentos ou quedas, tudo); regista, como sequência, sem que seja necessário recuar na imagem e fixa-a na retina do observador pelo tempo que este deseja.
O caso das lendas é paradigmático. Como são histórias curtas - e, até por vezes, mirabolantes - a BD pode adaptá-las ao gosto do autor/realizador e passar, através das imagens, a mensagem lúdica contida no texto e oralidade tradicionais.


As duas páginas que aqui coloco respeitam a duas das catorze lendas do concelho de Aguiar da Beira, sendo que ambas foram recolhidas por mim no registo oral, o que quer dizer que se encontravam inéditas, até eu e um outro companheiro - o João Portugal - publicarmos a primeira monografia daquele concelho, seguindo-se uma segunda monografia, deste vez a solo, elaborada e acrescentada por mim cerca de duas décadas depois.


quarta-feira, 29 de março de 2017

OS MELHORES AUDITÓRIOS


Foi hoje. Só este ano já é a terceira acção do género, sendo que uma foi dedicada à Escrita e à História para alunos do 10º Ano e outra (Aguiar da Beira) para alunos do 5º e 6º anos sobre Desenho e Banda Desenhada.
Hoje foi sobre Lendas, tendo como pano de fundo o meu livro "Lendas do Distrito da Guarda". Tudo começou num programa tecido pelo Dr. Rui Santana, director da Biblioteca e Centro Cultural de Trancoso, com o patrocínio da Câmara Municipal de Trancoso, na abertura e decurso da Semana da Leitura/Feira do Livro (no domingo, o  Professor Dr. Frederico Lourenço apresentará os seus dois volumes traduzidos da Bíblia-Novo Testamento, que lhe valeram o Prémio Pessoa 2016), e participação do Sr. Presidente do Município, Amílcar Nunes Salvador, que abriu a sessão.
Os Agrupamentos de Escolas, os professores e os alunos participaram "em cheio". Encheram duas vezes o auditório (uma acção de apresentação da parte da manhã e outra da parte da tarde), com lugares para mais de 100 pessoas.



Falar para um auditório destes, conseguir o seu interesse e a sua participação/colaboração como ouvintes e intervenientes, é um privilégio de que não abdico e que me satisfaz em pleno.
Um aplauso meu, especial, ao Dr. Rui Santana e ao Município de Trancoso, na pessoa do seu Presidente e um agradecimento, também especial, ao Gabinete de Comunicação e Imagem do Município (autoria destas imagens), na pessoa da jornalista de serviço ao evento,  Dra. Inês Amoedo.
Na última das sessões (há duas imagens do auditório sobre cada uma delas), houve uma aluna que pediu um autógrafo. Em folhas de papel branco não só correspondi ao pedido, como desenhei o que a aluna me pediu, seguindo-se uma extensa fila de jovens de ambos os sexos a requererem justamente o mesmo (geralmente fauna vária, desde coelhos a tigres, cavalos, dragões, pandas, gatos, etc.).
Não me cansei. Nunca me canso nestas circunstâncias e com este auditório. Divulgo a escrita, o gosto pela leitura e pela banda desenhada. E sei que, paulatinamente, se consegue passar a mensagem cultural que pretendemos, porque é nesta idade que se formam os grandes públicos.