quinta-feira, 20 de setembro de 2018

PARA QUEM CANTA O CUCO?

Andava eu no então chamado liceu, era necessário escolher uma alínea para prosseguir os estudos a nível superior. Escolhi a alínea E, que me levaria à advocacia. Mas não levou, uma vez que saltei da carruagem em andamento.
Li, mais tarde, um conto português, que passei a uma curtíssima banda desenhada, que demonstra bem qual o resultado dos pleitos, logo à partida.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

QUANTO VALE UM ELOGIO...



Uma vez por outra, consulto a blogosfera que vale o gosto consultar. Eis quando deparo com um excelente texto do Prof. Doutor Salvador Massano Cardoso, trazida ao blog “4R-Quarta República”, em 14 de Setembro de 2013, intitulada "Trancoso...".
Nessa bonita peça literária, é feito um elogioso comentário a este livro “O Padre Costa de Trancoso”, o qual vai na 6ª edição.
Solicitei autorização para publicar neste modesto espaço essa peça literária, o que trago agora, ainda com a promessa de reproduzir uma outra, da autoria do Dr. Pinho Cardão, também colaborador do Quarta República, que dedicou um outro texto ao famoso sacerdote.

Salvador Manuel Correia Massano Cardoso é Professor Catedrático de Epidemiologia e Medicina Preventiva e Director do Instituto de Higiene e Medicina Social da FMUC, é ainda Especialista em Medicina do Trabalho pela Ordem dos Médicos e Membro Titular da Academia Portuguesa de Medicina (cadeira L),coordenador dos Cursos de Mestrado em Saúde Pública e do Mestrado em Saúde Ocupacional e ainda do Curso de Medicina do Trabalho da FMUC, Provedor do Ambiente e da Qualidade de Vida Urbana de Coimbra, Deputado à Assembleia da República (IX Legislatura), Presidente da Assembleia Municipal de Santa Comba Dão, Vice-Presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.

Segue o texto

TRANCOSO…
Tive que ir a Trancoso. O meu amigo não sabia que naquela vila histórica tinha vivido o famoso Bandarra, sapateiro e autor de profecias que fazem ainda hoje as delícias de qualquer um. Um notável que merece ser emparelhado ao lado dos melhores. Depois de termos chegado, fui à vida, cumprindo o que estava destinado. Ficou à espera, acabando por esperar mais do que o previsto. Quando entrei no automóvel vi que estava a ler. Disse-me que tinha dado uma volta. Não imaginava ver uma preciosidade que desconhecia.
Portugal tem muitos e maravilhosos tesouros que me enchem de alegria, de satisfação e de orgulho. Tomara ter tempo para viver e andar por todas essas terras, embrenhando-me nas suas ruas e convivendo com as gentes. Foi então que apontou, com muita satisfação, o livro, "As profecias do Bandarra". Tinha acabado de o comprar. - Comprei-o por causa da nossa conversa de há pouco. - Fez muito bem. - Mas espere, também acabei por comprar este, era o último. Mostrou-me a obra de Santos Costa, "O Padre Costa de Trancoso". Dei uma tremenda gargalhada. - O padre Costa, o homem que, segundo a lenda, deve ter feito mais filhos em Portugal, filhos feitos nos ventres de dezenas de mulheres. Um feito que lhe ia custando a vida mas que, devido ao contributo para o povoamento da região, acabou por ter clemência real. - Já o tem? - Não, por acaso não tenho, embora tivesse tido conhecimento da sua publicação. - Era o último que havia na livraria, mas eu ofereço-lhe. - Muito obrigado. Aceito com imenso prazer. Depois sugeri que fôssemos tomar uma bebida naquele belíssimo e histórico lugar. Passeámos um pouco e vislumbrámos belos edifícios, e espaços cuidados, embora a decadência do Palácio Ducal cortasse o coração de qualquer pessoa.
Não disse, mas pensei, quantas histórias devem andar por ali mortas de desejo de renascer nas almas dos visitantes. Quantas, meu Deus! Não me importava nada de as ouvir, de as ver, de as imaginar e de as guardar.
Soube-me bem a cerveja. Soube-me bem respirar aquele ar. Soube-me bem sentir o calor das muralhas.
Hoje, li, ou melhor, reli as "Profecias do Bandarra". Adorei. Tenho de regressar a Trancoso o mais breve possível, mas com tempo.
Ontem, comecei a ler o livro "O Padre Costa de Trancoso", padre a quem foi atribuído 299 filhos paridos de 53 mulheres. Hoje retomei a leitura. Gosto da narrativa, cuidada, rica e ilustrativa dos hábitos e costumes da história de Portugal desse período.
Uma das passagens diz respeito à conversa entre o padre Francisco da Costa e o seu amigo, o culto e respeitado judeu Mendo Pires, que, conhecedor das façanhas do clérigo, ia trocando impressões sobre o tema da dissolução dos costumes. Para o padre todas as mulheres serviam para satisfazer os seus instintos, justificando-se como lhe convinha. A páginas tantas, Mendo Pires afirmou que no que toca às solteiras o "meretrício parecia ser exclusivo dos padres". Surpreendido, o Costa pediu-lhe explicações. Foi então que o escrivão comentou uma passagem do Talmude. Uma descrição tão bela que não posso deixar de transcrever. "Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as lágrimas dela. A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual; foi feita da parte debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada". O padre Costa, insensível, "encolheu os ombros", mas eu não. Uma imagem destas, cheia de amor, rica de poesia e verdadeira fonte de pureza, não pode ficar escondida. Vou retê-la.
Afinal, como costumo dizer, adoro tropeçar em coisas belas e depois saboreá-las com prazer. Tenho que as partilhar. Porquê? Porque sim, porque merecemos desfrutar o belo, que é um dos alimentos das almas famintas.

sábado, 15 de setembro de 2018

AS TRÊS CAPAS DO "PADRE COSTA"




No canto superior direito deste blog, hão-de ter reparado - naturalmente os mais atentos - que saiu dali a referência promocional de "As Lendas do Distrito da Guarda" para dar lugar à terceira capa do livro "O Padre Costa de Trancoso".
Já não possuo exemplares de "As Lendas do Distrito da Guarda", edição toda a cores e capa cartonada. Esgotaram. Tenho, como é evidente, meia dúzia de reserva, apenas para ofertas seleccionadas quando se proporcionar ensejo de cortesia especial.
Ao longo das 6 edições deste livro, foram impressas três capas, pelo que suponho ser de (meu) interesse exibir todas elas. Será natural dizer que a última não será, provavelmente como em tudo na vida editorial, a última, caso continue a esgotar-se cada uma das edições e o gosto circunstancial do autor assim o desejar. Para esta última, tive o "aval" de alguns leitores e amigos, consultados sobre duas hipótese apresentadas, sendo que 99% recaiu sobre esta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

2 EDIÇÕES DE CORTO MALTESE

Todos os que são mais frequentadores deste blog sabem que não sou particularmente aberto a  anunciar publicações... a não ser as minhas. No entanto, há ocasiões em que, pela qualidade e oportunidade dos trabalhos - ainda sob pedido ou com autorização dos editores - o faça com cortesia e graciosamente, sem qualquer contrapartida.
É o caso.
Tenho adquirido as edições da Arte de Autor e tenho ficado satisfeito. A que é agora anunciada, mais satisfeito me deixa. Não só porque se trata de um dos meus autores preferidos - dos mais preferidos, até - mas porque constato que há editores que se preocupam em lançar obras de qualidade, apresentando-as de acordo com essa qualidade.
Já possuo vários álbuns de Corto Maltese (suponho que tenho quase a colecção completa), mas estes são de aquisição imediata, no meu caso.
Por isso, não percam...

Tomo 2 – SOB O SIGNO DO CAPRICÓRNIO
Editor: Arte de Autor
Argumento e Desenho: Hugo Pratt
Edição: Cartonada
Formato: 225 x 297 mm
Número de páginas: 152
Impressão: Preto e branco com prefácio a cores
Data de Edição: Setembro de 2018
PVP: 26,95€





Tomo 3 SEMPRE UM POUCO MAIS LONGE
Editor: Arte de Autor
Argumento e Desenho: Hugo Pratt
Edição: Cartonada
Formato: 225 x 297 mm
Número de páginas: 128
Data de Edição: Setembro de 2018
PVP: 26,95€

A Banda Desenhada está viva e recomenda-se.
Boas leituras.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A EXECUÇÃO DOS TÁVORAS


É um trabalho que fiz para o jornal O Crime, de 19 de Abril de 2001  a 21 de Julho desse mesmo ano, precisamente com o título "A Execução dos Távoras". Foram então desenhadas 26 pranchas como as que hoje exibo (4), o que formou uma página inteira do jornal durante 13 semanas.



Nos "intervalos" de outros trabalhos - e faço isso para não me enfastiar - vou compondo essas pranchas através dos originais que estão na minha posse. Altero apenas o "lettering" dos textos e acerto as linhas dos enquadramentos em computador para evitar faltar à esquadria das vinhetas.
É certo que poderei vis a publicar este e outros trabalhos em volumes sob o lema "Registos Criminais", não sabendo ainda qual o formato e tamanho com que o faça.
Vejamos: 
É impensável publicar no formato tablóide, pois foi esse o utilizado nos jornais e também no formato A3, que corresponde à reunião de duas meias pranchas. Para mais, essas meias pranchas condizem com o formato de publicação "à italiana".
Possivelmente (e digo-o porque não tomei decisão definitiva - e há-de o livro estar em gráfica e poder tomar outra decisão), suponho que favorece mais o género, esse mesmo formato italiano, em fundo A5 horizontal.
O que está em exibição neste post são as "meias" pranchas 19,20,21 e 22, que corresponderam, em formato do tablóide, às páginas 10 e 11.
A título de curiosidade, cerca de meio ano depois do início desta minha publicação no jornal, a RTP exibiu uma boa série intitulada "O Processo dos Távoras".

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

DESENHO E FOTOGRAFIA PARA BD

Este é daqueles trabalhos intermitentes, o qual vou pegando e largando. Aqui utilizo o desenho, metade feito em prancheta ou mesa de trabalho e outra metade em computador. O desenho resulta de simples traços que irão ser preenchidos com programas especiais, a que junto em camadas (layers) de fotografias muito ou pouco pixelizadas, adulteradas e misturadas com outras fotos até conseguir o "décor" pretendido.
Há vinhetas que exigem mais de 10 layers e outras que se contentam com três. Depende dos fundos e dos primeiros planos ou, como se diz em fotografia, da profundidade de campo.
É um trabalho que exige alguns conhecimentos de informática, sendo a sua morosidade relativa, dependendo essencialmente da complexidade de cada imagem ou vinheta.
Há pormenores que podem passar despercebidos a quem lê e vê, mas que não devem ser descurados do autor. É o caso da imagem anterior, que foi preparada para que a torre do Terreiro do Paço, em fotografia, levasse aquela cúpula que actualmente não tem e que fui ao pormenor de colocar em segundo plano a torre de uma igreja que hoje não existe. As janelas, o chão e a ausência de elementos actuais, como carros e pessoas, foram eliminados.
É o caso da vinheta alta de Fernando Pessoa, em que a rua do Martinho da Arcada (da Alfândega, onde trabalhei no Ministério das Finanças) foi alterada com elementos de outras fotografias de "chãos" de Lisboa (o Fernando Pessoa, em desenho, baseia-se numa conhecida foto do génio).

A maior parte das fotografias são da minha autoria, servindo-me e alterando outras, adicionando e retirando elementos consoante pretendo "recuar" no tempo da acção (há vinhetas que possuem uma mistura de cinco e seis fotografias). As imagens que envolvem o desenho são tratadas  (ou destratadas) de tal maneira que se propõem como complemento, com a diminuição do seu tamanho para depois as estender em "pixels"  em fundos pintados, por vezes com muitos retoques imperceptíveis e outros nem tanto.

É um trabalho que tem para cima de 100 páginas.
E mais não digo.

sábado, 1 de setembro de 2018

O TRAÇO DA JUSTIÇA - FUNDÃO



“O Traço da Justiça” nos Paços do Concelho do FUNDÃO
A inauguração da exposição “O Traço da Justiça”, constituída por cartoons (cartunes) e caricaturas e outros elementos com ligação à administração judicial, como exposição de processos antigos e uma grande colecção de canetas e os respectivos aparos, acontece no dia 4 de setembro, às 17H30, na Câmara Municipal do Fundão.
Esta exposição surgiu inspirada no livro “Trevim – 50 anos com humor” e “30 anos a dar broncas”, assinalando a Justiça, a arte de caricaturar, os 50 anos do Trevim e a imprensa regional.
Promovida pelo Tribunal da Comarca de Castelo Branco, esta exposição conta com o trabalho de 40 artistas, provenientes de 15 países, entre os quais os cartoonistas Osvaldo de Sousa, Carlos Sêco, Onofre Varella, Zé Oliveira e Santos Costa, parta além do coleccionador Francisco Geraldes.
A exposição está patente até final de Setembro.


Esta exposição já esteve anteriormente patente no Tribunal Judicial da Covilhã, no Tribunal Judicial de Castelo Branco e na Câmara Municipal de Proença-a-Nova.