sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS - PROJECTOS INCONCLUÍDOS E ABANDONADOS (3)


Já falei deste projecto neste mesmo blog, designadamente a forma como o encetei (primeiro, a esferográfica, depois a passagem a "limpo", o trabalho em computador, etc.), como experiência e deleite, uma vez que aprecio a obra de Jules Verne, maxime este título que agora aqui exponho.
Não tinha ainda chegado a um terço, decidi parar; melhor (ou pior) criei uma pausa para abraçar outras ideias e outros trabalhos, no sentido de recuperar a "brincadeira" que, talvez por isso, nunca tive o interesse de publicar em livro.
Trata-se de um desenho despretensioso, sem apoio iconográfico, ao correr da pena. Essa fragilidade, essa despreocupação entre os pormenores e traços, pode estar na causa do "abandono".



Estão reproduzidas as pranchas 23, 24, 25, 26 e 27.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AUTO EDITOR, GRAÇAS A DEUS


Hoje deu-me para boa!...
Pegar nos Lusíadas e escolher esta estrofe 145 do Canto X e reescrevê-la com alterações de vocábulos.

Não mais, Musa, não mais, que a imaginação tenho
Destemperada e a mão entorpecida,
E não do trabalho, mas de ver que venho
Escrever a gente desinteressada e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá qualquer editora, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Esta paráfrase adulterada ao talante de um autor cansado e desiludido, não me diz respeito no seu todo.
Primeiro: considero-me um autor prolixo (talvez, decompondo o termo, a arte seja pro-lixo), pelo que não consigo suster a imaginação que cria, cria, cria...
Segundo: apesar de escrever e desenhar para um mercado restrito, não me queixo.
Terceiro: não recorro a editores desde há algum tempo, a partir da data em que uma editora não deu resposta a um trabalho proposto. Foi uma vez, mas chateou-me. Até nem levaria a mal que a resposta fosse negativa, do género - "o programa editorial está preenchido" ou "não estamos interessados por não fazer parte da nossa linha editorial", mas nada! Nem um email a dizer "recebemos o original, vamos analisar" e depois silenciarem.
Para o raio que os parta! Vacinaram-me de tal maneira que, a bem dizer, não quero saber mais daquela ou de outra chancela para dar corpo à multifacetada criação. Não tenho a pachorra da autora do Harry Potter, que enviou o seu primeiro romance para oito editoras (oito) e valeu-lhe a persistência e a visão editorial da  Bloomsbury.
A propósito, quero dizer que enviei uma BD para uma editora espanhola. Estes  foram simpáticos, recusando o trabalho e agradecendo o ter-me lembrado de lho enviar. Curiosamente, esquecendo-se que já me tinham dado a resposta, meio ano depois veio a mesma, exactamente igual.
Também já me aconteceu um editor pedir-me um trabalho para um livro biográfico de uma personagem real do séc. XIX e, quando veio para receber o original, pôs tais condições sobre os direitos de autor que eu disse: "não vai ser editado, fico com ele para mim, nem que seja para servir de calço a uma cristaleira paralítica, que não tenho".
Publico eu e pronto. Escrevo, desenho, pagino, faço as capas, envio para as gráficas para imprimirem... só imprimirem; ou, quando não vejo saída para o "nascituro", arrumo-o num escano do arquivo e lá fica até me lembrar o que fazer para o trazer à luz.
Serve todo este arrazoado para dizer que tenho muitos originais - a maioria contos de diversos segmentos literários - arrumados, os quais, a par dos editados, vou periodicamente passando a livro de lombada grossa. Em todos eles há sempre um projecto de capa (adoro fazer capas).
É sobre estes que colo aqui dois exemplos, sendo que "Ódio Velho" saiu numa revista cor-de-rosa com a tiragem de 400.000 exemplares, com outra ilustração como é evidente.



O segundo exemplo é um conto, em texto, com base em algumas vinhetas da obra desenhada sobre "O Magriço".
Por isso, ao contrário do poema de Camões que adulterei, digo: mais, Musa, ainda mais...
Eu darei vazão à tua ajuda, Musa, de tal sorte que, em dias de muita pachorra, escrevo um conto completo ou desenho duas pranchas de banda desenhada. E não te importes com os editores, que eu também não.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

COLECÇÃO - OS MEUS POLICIÁRIOS


Há tempos, num email que enviei a um amigo, disse isto:
"As tiragens limitadas também têm esse intuito: disponibilizar poucos para não sobrarem muitos. E não dar lugar a segundas edições. Enzo Ferrari, quando tinha 500 compradores para os seus modelos desportivos, mandava fazer 499. Não vou assim tão longe, porque não abri assinaturas e pré-vendas, mas tenho os meus critérios editoriais". 
A colecção que estou a desenvolver e a publicar, reflecte essa linha - os livros são primordialmente para coleccionadores.
Esta edição é o início de uma série de "policiários", cuja capa e contracapa estão acima, tal qual enviei para a gráfica. Esta capa, com algumas alterações de pormenor e de cor, fazem parte de outro meu blog e foi baseada - quanto à figura da mulher - num desenho de um romance policial americano, uma espécie de pastiche. É claro que tanto a capa como a contracapa e os desenhos do interior têm a ver com o conteúdo.
Toda a sequência destas novelas policiais terão de comum três condições: a primeira é que têm 100 páginas cada uma; têm três ilustrações de página no miolo; o personagem principal não é um detective nem um advogado nem um polícia, mas sim um funcionário do Fisco (inspector tributário, nível 2) que é envolvido em encrencas e que, metediço como eu, gosta de seguir o fio até apanhar o novelo.
Os livros, se são considerados de bolso, não cabem em todos (à excepção dos de uma gabardina) pois têm a dimensão de 14x22 cm.
A leitura é rápida, trepidante quanto possível, com ingredientes necessários ao género. Este episódio, por exemplo, passa-se perto de Aubagne (a 17 km de Marselha-França), nas férias do funcionário. Obviamente não utilizo o truque de encher páginas com fait-divers, palha de centeio a esmo ou muita sangria de encher morcelas, bem como utilização exagerada de diálogos que aumentam o número de páginas com escassos caracteres e sem interesse para a "rodagem" do enredo.
Não se procure o livro nas livrarias, porque não vai estar lá. São, como disse, tiragens para coleccionadores, exemplo que já estou perseguindo em o almanaque trimestral O Bandarra (há leitores que, ao comprarem o número do 1º trimestre de 2017 requerem do livreiro o do 4º de 2016, mas este último já esgotou em alguns vendedores).
Este meu blog é uma montra onde exponho, porque cheguei à conclusão que a venda dos meus livros não deve ser feita directamente por mim, mas por terceiros (os livreiros), sem mais intermediários. Só compra quem quer e, como dizem os americanos "what you see, what you get".



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PROJECTOS INCONCLUÍDOS E ABANDONADOS (2)

Houve uma altura em que fui "atacado" por uma ideia peregrina, a qual me levou a executar uma série de gravuras de personalidades para uma agenda de nascimentos, que então pensava publicar por cada um dos meses do ano, cabendo seis páginas a cada dia: 4 com nascidos nesse mês, breve biografia e gravura; uma página com 25 nomes de outras personalidades, com uma brevíssima menção à sua biografia; 1 outra página deixada livre para o leitor colocar aí o(s) amigo(s) ou quem lhe apetecesse, também nascidos nesse dia do mês.
Comecei por Fevereiro (o meu mês) e assim desenhei 116 "fotos", ficando expostas por página como vai acima.
Foi relativamente fácil desenhar os rostos, mais fácil ainda redigir as biografias... Desisti porque me chateei com a coisa, não prosseguindo com os meses restantes. Talvez um dia recomece, mas acrescentando à ideia deixar algumas páginas em branco para os meus amigos e familiares, a quem farei, como é justo, o mesmo tipo de gravura e enquadramento das restantes personalidades.
A título de exemplo, para o mês de Fevereiro, seguem apenas as gravuras de:

Fernando Assis Pacheco, também nascido a 1 de Fevereiro;

O bispo Ximenes Belo, a 3;

Lee Marvin, a 19;

Kátia Guerreiro, a 23;

Steve Jobs, a 24;

Michèle Morgan, a 29.

São oito de 116 figuras, escolhidas ao acaso.

domingo, 18 de dezembro de 2016

PROJECTOS INCONCLUÍDOS E ABANDONADOS


O título não corresponde, no todo, à realidade: projectos inconcluídos, sim; abandonados, nem todos nem alguns, uma vez que estão suspensos até nova vontade.
É o caso desta série de efemérides que eu fui elaborando no texto e nas imagens, estas últimas baseadas em fotografias (quando as há) e em ilustrações atinentes às situações.
Como é fácil observar, sou daquelas pessoas que não param de ter ideias; tantas que, como também se torna óbvio, nem todas são exequíveis, não só pela sua complexidade, como pela capacidade de as concretizar no seu todo. É o caso deste trabalho, de que apresento duas páginas, que exigiria, a ser concluído, centenas de horas de trabalho "duro" para uma ou várias publicações de muita lombada.
Uma página por efeméride, mesmo que apenas proposta para um século apenas, exigiria muito papel impresso e muita dose de paciência.

domingo, 4 de dezembro de 2016

BANDARRA (DE NOVO) EM BD

Há muito que se encontram esgotados os quatro mil exemplares da BD que fiz em 1990, com edição partilhada por mim com o Município de Trancoso. Obra cartonada, a cores, em formato A4, requeria nova edição, uma vez que dificilmente aceito fazer segundas edições dos livros publicados.
Com vista a repor a obra, achei por bem alterar tudo, mantendo o formato (ligeiramente inferior para melhor dizer), retirando a cor e ampliando o número de páginas.
Aproveitei alguns desenhos do primeiro álbum, redesenhando-os, aplicando os cinzentos através da trama mais grossa.

Embora ainda não tenham o tratamento final, uma vez que o trabalho ainda não está concluído, deixo aqui quatro das páginas. Também não sei quantas terá ao todo este livro, uma vez que a planificação é alterada de dia para dia e, entre uma página e outra, suspendo a função para me dedicar à escrita de outras obras.
Coloco aqui esta novidade sem outro intuito que não seja a notícia, pois a obra já tem editor, o habitual: eu próprio.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

AS LENDAS DO DISTRITO DA GUARDA NA REVISTA "COFRE"

Por cortesia  da direcção da Revista "COFRE" - Revista do Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado - foi inserida uma referência à minha obra "Lendas do Distrito da Guarda", acompanhada de uma indicação para acesso a este meu blog.

Esta é das poucas revistas institucionais e representativas de classes de trabalhadores, que dedica este espaço aos seus associados, dando conta dos seus trabalhos trazidos ao público nas várias vertentes artísticas e culturais. Para além disso, é uma revista que insere e generaliza, para além dos assuntos informativos e relativos ao âmbito do "Cofre de Previdência", outros de vária ordem cultural e lúdica, conseguindo trazer ao público efemérides, conselhos e consultórios, pequenas e grandes histórias da História, coleccionismo, ciência, gastronomia e culinária, reportagens, informação sobre regalias (financiamentos para aquisição de imóveis e obras, bolsas de estudo, residências universitárias, centros de lazer, cartão de saúde, entre outras), livros, hobbies,  viagens e até BD. Com este leque de assuntos, esta revista pode orgulhar-se de emparceirar com outras do segmento generalista, não lhe ficando atrás.

É certo que a periodicidade bimensal e o reduzidíssimo custo de venda ao público (gratuita para os associados), não nos permite desfrutar desta leitura com mais assiduidade, mas não deixa de ser desejada a sua pronta periodicidade e o seu interesse. Cabe-me assegurar que esta boa qualidade da revista e a sua criteriosa e variada escolha editorial, é fruto de um bom trabalho da sua direcção e redacção, de que se destaca a directora Dra. Luís Paiva Boléo, na vigência do actual presidente do "Cofre", Dr. Tomé Jardim.
Depois de dizer isto, só tenho de agradecer ao núcleo editorial do "COFRE".