quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"A VOLTA AO MUNDO EM OITENTA DIAS" BANDA DESENHADA

 Como expliquei no post anterior, a experiência que fiz com a adaptação à banda desenhada desta obra de Júlio Verne, resultou de uma "brincadeira", sem cuidar de pormenores de desenho, pois interessava-me enveredar pela cor feita em "photoshop". Daí ter desenhado, um esquiço a esferográfica azul (acima), com indicações da balonagem e textos.
 Seguidamente passei para o trabalho "a limpo", desta vez a preto e com caneta apropriada, mas sem desvirtuar muito o traço rápido original.
Finalmente, foi levada a página ao "scanner" (no caso, a página 30) e aí trabalhada segundo as cores que eu pretendi dar, retirando-lhe no MGI os traços negros dos enquadramentos das vinhetas.
Conclusão: parei, como disse, na prancha 33, embora tenha desenhado a esferográfica mais cinco, que não levei ao computador.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS" EM BANDA DESENHADA




Esta obra em banda desenhada foi a primeira tentativa para colorir no computador, a partir de simples rascunhos feitos em papel A4, com esferográfica. Desenhei 33 páginas e interrompi o projecto.
Deu-me um gozo tremendo esta tentativa de trabalho em banda desenhada, porque o fiz sem intenções de o publicar - pelo menos, enquanto tentativa na utilização de um meio novo - e sem preocupações do desenho e dos pormenores.
Eis aqui 4 das pranchas (páginas), a 14, a 19, a 27 e a 32.
Entretanto, a meio do projecto, abracei uma outra obra em livro, e ele aí quedou, no disco do computador.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

CONTO POPULAR EM BANDA DESENHADA




Na recolha que tenho feito dos contos populares, ilustrei alguns em banda desenhada. Gosto muito deste - O Roubo da Corda.
Se houver algum dia algum editor interessado no manancial do acervo cultural que os contos populares detêm na memória imaterial colectiva, podem bater-me ao ferrolho.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ANO NOVO-SUPERSTIÇÕES VELHAS


As superstições são vividas ao longo do ano; no entanto, com a entrada de novo ano, são inúmeras as que são seguidas e atendidas por larga maioria de pessoas, principalmente ante, durante e após as doze badaladas do dia 31 de Dezembro.
Vejamos algumas:

Champanhe – guarda-se a rolha da garrafa do champanhe aberto na ocasião para festejar o Ano Novo, em lugar secreto, para que traga dinheiro. Também se acredita que é de bom agouro dar três saltinhos com uma taça de champanhe na mão, de modo a que não verte sequer uma gota; há quem leve o costume mais longe, deitando após o conteúdo do copo para trás, independentemente de molhar alguém, porque garantirá a sorte a essa pessoa.

Subir um patamar – acredita-se que se deve subir um degrau, um patamar ou para uma cadeira, na passagem de ano, para que a vida ganhe novo impulso positivo; mas deve fazê-lo com o pé direito primeiro. Não se promete que suba na carreira, principalmente se estiverem “congeladas” as progressões na dita.

Uvas – comer doze passas, cada uma com seu desejo. Aconselho que reservem uma delas para que Sócrates e comandita não regressem ao leme do País, porque para pior, já basta assim.

Calcinhas e cuecas – usar de preferência de cor amarela, porque representa o ouro.

Sapatos – colocar uma nota (no caso, o euro) dentro de um dos sapatos (de preferência, o direito), porque atrai mais dinheiro, uma vez que se acredita que a energia e a abundância entram pelos pés. A propósito, também traz bom augúrio saltar com o pé direito, sem se incomodar muito com os euros aí escondidos, porque mais pisados do que estão pela Europa fora, é impossível. Acautele-se com o cheiro dos pés, principalmente se pretende posteriormente trocar a nota.

Barulho- fazer chinfrineira com tachos e panelas, para espantar os malefícios do ano que finda e impedindo que entrem no novo.

Portas e janelas – devem estar abertas na passagem do ano e as luzes acesas, para assim receber o ano novo com bonomia. É claro que também se estará sujeito a receber o amigo do alheio, mas devemos lembrar-nos que somos “assaltados” com taxas, impostos, alcavalas e portagens, mesmo com tudo fechado.

Moedas – Acredita-se num ano de boa conta bancária se jogarem moedas de fora para dentro de casa; será cauteloso aquele que se prevenir contra a quebra acidental de vidros, cujos seguros (e mais uma vez) se escusam a reembolsar.

Bolsos – Não se deve fazer a passagem de ano com bolsos vazios, mesmo que tenha sido esbulhado pelos mesmos sugadores ao longo do ano e independentemente dos cortes no subsídio de Natal. Lembrem-se que até a mendicidade, neste País, paga imposto.

Objectos – Aconselham a que nenhum objecto partido deve ser mantido em casa, na passagem de ano; eu diria mais, tudo o que tresande a partidos. Deve deitar fora todas as más recordações impressas, como as fotografias de Sócrates e quejandos – possivelmente trará bom augúrio para si e para o País.

Finalmente - Façam o que entenderem, mas sejam Felizes e tenham Saúde. Difícil será esconjurar os resultados dos maus governos, as tróicas e a subida do custo de vida e dos impostos. E lembrem-se que só será bom um Ano Novo se não cometermos os mesmos erros do Ano Velho.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Profetas e Profecias

Bandarra, o “obscuro mesteiral” nasceu três anos antes de Nostradamus. Ambos perseguidos pela Inquisição, não puderam declarar abertamente (como convém a todo o profeta que se preze) os factos e as eras dos acontecimentos. Isto faz que não sejam, por vezes, claras as premonições escritas pelos dois profetas, assumindo uma característica hiperbólica, recheada de metáforas e de citações bíblicas.
Se “ninguém é profeta na sua terra”, Bandarra contrariou o rifão. Profecia é – segundo o conceito enciclopédico – o conhecimento sobrenatural e a predição infalível de acontecimentos futuros naturalmente imprevisíveis. A própria Bíblia tem os seus profetas, que são dezasseis: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, os maiores; Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias, os menores.
Para o padre António Vieira, a rusticidade de Bandarra numa vila de interior, justificava-se pela intervenção divina – “se levantou Deus de entre as mulheres uma Doutora que foi Santa Teresa, de entre os Soldados um Apóstolo que foi Santo Inácio” também Deus podia escolher “de entre os rústicos um profeta que foi o Bandarra”
É ainda Vieira, para quem a figura de Bandarra merece respeito, que afirma sobre os profetas – “Isto que nos Poetas é hipérbole, no Profeta é verdade pura, e certa sem encarecimento”
E quanto aos outros profetas portugueses?
Em 1541, a Inquisição condenou Luís Dias, alfaiate de Setúbal “por se fazer Messias em Setúbal”. Em 1582, era condenado, por falsas profecias, Afonso dito O Adivinhão. Dois anos depois, cabia igual condenação a um tal Pedro Afonso. Em 1638, deste anátema não escapou João Lopes dito O Idiota.
Latino Coelho define desta guisa os profetas: “primeiro adivinham vagamente, depois afirmam com ousadia... A princípio profetas, depois mártires, finalmente semideuses”.
Juntaram-se outras figuras menores, porquanto populares, como o caso do Pretinho do Japão, um profeta do séc. XIX, que baseava as suas profecias nas de Bandarra. A este veio juntar-se o vate Pimentel, tendo saído a lume um livro com a data de 1849, impresso na Tipografia de E. J. da C. Sanches, cujo título é bastante sugestivo: Profecias profetizadas pelo Pretinho de Japão, e por Gonçalo Annes de Bandarra./ Augmentadas com as verdadeiras profecias do Vate Pimentel, profetisando os grandes acontecimentos que tem accontecido em differentes nações, desde 1847, até ao presente; e de feturo até o anno de 1856.



Neste tempo em que Portugal se vive das dificuldades de um País que foi mal governado, e se remenda com esbulhos e parciais formas de tributar, é bom que se leia nos profetas o destino que Fernando Pessoa viu nas trovas do Bandarra.
Bandarra disse:
Também sou oficial,
Sei um pouco de cortiça.
Não vejo fazer justiça
A todo o mundo em geral.

Que agora a cada qual
Sem letras fazem Doutores,
Vejo muitos julgadores
Que não sabem bem, nem mal.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

BRUXAS E FEITICEIRAS - DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO

Vou neste blogue periodicamente publicar, por ordem alfabética (naturalmente), uma Enciclopédia Alegre de Bruxas e Feiticeiras. Publiquei parte deste trabalho na revista NOTÍCIAS MAGAZINE, do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Notícias da Madeira, no nº 440, de 29 de Outubro de 2000.


ABELHARUS
Feitiço inventado pela ficcionista de Harry Potter, faz com que de uma varinha mágica ou enfeitiçante saia um enxame de abelhas, as quais podem até atacar o feiticeiro, pelo que na dita escola de Hogwarts é ensinado aos alunos do 4º ano.

ABONO DE FAMÍLIA
Forma de assistência que é enquadrada no esquema de segurança social, a que as bruxas não têm acesso (pelo menos, com o cartão profissional que é suposto terem, para além do número de contribuinte, a que ninguém escapa). Também não precisam, porque o Diabo é a sua Segurança Social. Enfim, tal como ao comum dos portugueses, às vezes até parece que a sua Segurança Social é o diabo.

ABRACADABRA
É uma palavra de origem cabalística formada por letras dispostas em pirâmide de seis linhas.
Com este título há uma comédia que passou ao cinema dirigina por Kenny Ortega. Narra a história de 3 bruxas que têm a (in)felicidade de serem transportadas até ao séc. XX, tendo de enfrantar três crianças e um gato palrador, que são o cabo do trabalhos.

ACTORES
Os actores não gostam de interpretar a peça de Shakespeare, MacBeth, porque nela se canta uma “canção das Bruxas”, o que atrai o mal e o azar.

ACTUAÇÃO
As bruxas costumam entrar pelos buracos das fechaduras das portas ou pelos buracos nos telhados. Quando entram nas adegas, utilizando o tal método da fechadura, bebem o vinho. Tocam pandeireta quando dançam, cantam desafinadas como um coro de ébrios, soltam sonoras gargalhadas e dançam à roda, de mãos dadas.
Quando pretendem embruxar alguém, apanham a terra da pegada do pé direito que essa pessoa deixou, atam-na a um pano e atiram-na à cova de um defunto. Assistir a tudo isto não é lá muito divertido.

AFOGAMENTO
O teste do afogamento era praticamente por débeis mentais sobre aquelas ou aqueles que eram julgados com poderes de bruxaria ou feitiçaria. Deitavam a vítima num rio: se morresse afogada, não era bruxa, mas lá se foi para o outro mundo; se se salvasse, então era bruxa e passava também para o outro mundo, queimada viva.

ALHO
Para quem queira afugentar as bruxas, nada melhor do que trazer um rosário de cabeças de alho ao pescoço. O mesmo efeito se concretiza ao mastigar-se um dente de alho.
Ressalva-se, porém, o odor do dito, que terá o condão de não afastar apenas as bruxas.

ALTERNATIVA
Tal como acontece na tauromaquia, em que o toureiro, bandarilheiro ou cavaleiro, são investidos nas respectiva categorias, as bruxas também recebem a sua investidura; não em estoques, bandarilhas ou farpas, mas porventura em varinhas, alhos porros ou vassouras voadoras, à moda antiga.