terça-feira, 8 de março de 2011

NO ESTRANGEIRO - O GESTO É TUDO



NOTA: este artigo, da minha autoria, foi publicado na revista "Notícias Magazine"

Para si, que gosta de viajar, leia o que segue. Para si, que “sai para fora cá dentro”,
não desdenhe a mesma leitura. Saibam todos que há gestos interditos
e etiquetas recomendadas para quem contacta com outras gentes
de outros países e de outras civilizações .
Se não poder decorar, leve consigo uma cópia desta peça. Depois não se queixe
que foi mal recebido pelos autóctones!


Contou-se e registou-se uma célebre gafe de Richard Nixon, então presidente americano que, numa visita à América latina nos anos 50, saudou à chegada com aquele gesto tipicamente americano para dizer OK. Formou com os dedos polegar e indicador da mão direita um circulo, sem adivinhar que todos os jornais do dia seguinte trariam nas primeiras páginas aquele sinal de mãos. Alguém lhe explicou, tardiamente, tratar-se de um gesto que, naquele continente, é utilizado como convite a uma relação sexual. Nixon engoliu em seco e deve ter dado uma sova verbal nos seus assessores diplomáticos.
Pior ainda, foi aquela surra que um meu amigo levou na Turquia quando decidiu fazer auto-stop com o punho fechado e polegar no ar, indicador da direcção da boleia. Três turcos carrancudos não gostaram da grosseria de conotações sexuais e injuriosas, supostamente dirigida a eles.
Segundo dizem, os caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém e os cuidados também não. Necessário se torna para os viajantes seguir as regras de etiqueta fundamentais, os costumes e os comportamentos dos indígenas dos países a visitar, pois são claramente distintos dos nossos. Mais cuidado se torna a utilização da linguagem corporal, dos gestos e ademanes.
O cumprimento social
Viaje o leitor para a Rússia e fique a saber: o cumprimento do eslavo, mesmo entre homens, é um beijo na bochecha; mas, esperem, por vezes até na boca! Nos países islâmicos não irá receber o beijo, mas não lhes estenda o “bacalhau”; coloque a sua mão direita sobre o peito, do lado do coração, depois eleve-a até à testa e passe-a pela cabeça, nesta sequência.
Se vir um chinoca, um japonês ou um coreano inclinar-se à sua frente como um girassol, é sinal de que o está a cumprimentar. Você faça o mesmo, inclinando-se o suficiente para reconhecer a dignidade do cumprimentado. A inclinação do corpo e da cabeça é tanto mais intensa quanto maior for o respeito pela pessoa. Na Índia e na Tailândia o cumprimento é mais discreto e cerimonioso. Cumprimentam o visitante juntando as mãos à frente do peito, em prece.
O aperto de mão é o mais comum na maior parte do Mundo. Há quem junte ao aperto de manápulas, à moda latina, um abraço efusivo e umas palmadinhas nas costas. Não o faça perante os escandinavos e, pelas mais elementares regras da etiqueta, quando apertar a mão a alguém evite ter a outra camuflada atrás das costas, na algibeira do casaco ou das calças.
O leitor mais propenso a viagens exóticas, prepare-se para encontrar cumprimentos de indígenas em estado semi-selvagem. Alguns cumprimentam mostrando a língua, outros lambendo as faces do visitante ou esfregando nariz contra nariz. Nem se admire o leitor se viajar pela Nova Zelândia e alguém lhe cuspir nos pés. Tratar-se-á de um maori e está a cumprimentá-lo com todo o respeito. Como é apanágio de alguns portugueses, puxe da saliva e faça o mesmo. Arranja um interlocutor e um amigo.
Gestos de mãos
Um senhor chamado Mario Pei contou 700 000 sinais corporais distintos com que os humanos são capazes de comunicar sem palavras e o estudioso M. Krout contou 5 000 gestos diferentes para as mãos, cada um correspondente a uma expressão verbal. Há quem assegure que comunicamos em 7% pelo conteúdo das palavras, 38% pelo tom de voz e 55% pela expressão não verbal, gestos de mãos e expressões faciais. É sabido que em países estrangeiros, principalmente onde não dominamos a língua, existe a tendência de comunicarmos através dos gestos. Ora, meus amigos, perante autóctones que não compreenderão patavina da nossa língua, nos 55% é que está o busílis. Muitos gestos das mãos e dos dedos, constituem linguagem mimética, quase sempre informativa, por vezes insultuosa, grande parte interdita. É com esta exacta forma de comunicação que se entendem os surdos-mudos, é com ela que os oradores (principalmente os parlamentares) dão ênfase aos seus discursos e verborreias.
Há gestos que não revestem propriamente formas de comunicação. É o caso da pouco higiénica passagem dos dedos pelas cavernas do nariz. Quem “limpar macacos” na Líbia e na Síria pode fazê-lo sabendo que a mensagem passa com o significado de convite sexual. E se, no cúmulo da limpeza ou do prurido nasal, o leitor der em colocar o polegar e o indicador nas duas aberturas nasais, está a insultar o nativo com qualquer coisa semelhante a “vá para o diabo que o carregue”. Contudo, caso esteja nalgum lugar da Arábia Saudita e tenha “pescado o macaquinho”, retirado o dito e enrolado para o lançar algures, pode crer que a pessoa na sua cercania terá esse gesto como uma ameaça de morte e o leitor não saberá árabe suficiente para convencer o indignado do contrário. A sua mãezinha não lhe repetia que o dedinho não se mete no nariz?
Nem só no interior dos canais nasais a linguagem é perigosa. Basta saber que coçar o nariz com o indicador é, na Jordânia, um anódino convite sexual à dama mais próxima de si, tanto mais grave se o respectivo esposo estiver por perto. E o simples sinal de silêncio que se faz vulgarmente colocando o indicador em riste à frente da base da penca nasal, é tido na Síria e no Líbano como uma ofensa ao homem que se encontrar diante. É como se o chamasse pederasta ou homossexual, o que pode não ser o caso, infelizmente para a sua integridade física.
Para infelicidade do amigo que visitou a Turquia – já referido, a abrir – eu não tinha escrito esta peça. Ficou porém a saber que o simples gesto de pedir boleia com o polegar no ar é perigoso para aquelas bandas. Este sinal é originário dos Estados Unidos e serve para conseguir fazer parar as viaturas que nos hão-de conduzir, como penduras, ao local pretendido. Mas esse gesto, quando firme e fixo, pode significar, entre nós, qualquer coisa como OK, super ou impecável. No entanto, no Japão tem o significado de cinco, no Punjab sinónimo de desistência e impotência sexual, a ideia de companheiro e camarada no Japão e insulto de carácter sexual em quase todo o continente africano, Irão, Rússia, Turquia, Austrália e Médio Oriente. Em Espanha, mais precisamente no País Basco, significa apoio à causa separatista.
Não faça estalidos com os dedos indicador e médio para chamar o empregado num café ou restaurante do Japão ou dos Estados Unidos. Essa atitude é tida como desprezo, de tal forma que nem mesmo a pode aliviar através de uma boa gorjeta. Use estes dedos para formar o V de vitória em qualquer parte do mundo, à excepção da Austrália, pois significa para eles, em linguagem lusa, que está a mandar alguém “para baixo de Braga”.
O dedo mínimo não está livre de conotações proibidas. Veja-se, por exemplo, quando se ergue o dedo mínimo, solitário, com o punho fechado, para dizermos que “é o meu dedo mindinho que adivinha”. Na América latina significa que nos regozijamos com a magreza do interlocutor, se ele não for bem abonado de carnes nem tiver aquele aspecto saturado de gorduras e colesterol, enquanto no Japão o mesmo gesto é maliciosamente tomado com o significado de amante. Nesta última hipótese, imagine o leitor que o faz diante do casal seu anfitrião!
Há quem tenha por costume unir o polegar de uma mão com o de outra e o mesmo com os dedos indicadores, formando um losango. Perca este hábito na América do Sul quando estiver diante de uma senhora, pois está a querer dizer que ela é prostituta. Esse losango, segundo os nativos, é a representação manual do órgão feminino e, na dúvida, as mãos nos bolsos livram de valente chatice. O mesmo acontece se, nas mesmas paragens sul americanas, esfregar as mãos (sinal de contentamento entre nós), o que equivale a chamar a senhora de lésbica. A situação seguinte seria imprópria para cardíacos.
Jamais se coloque em frente de um italiano com as mãos juntas, em prece, tendo os polegares erguidos. É como se estivesse a chamar burro ao transalpino e ele não irá gostar da conotação. Na Líbia, o leitor deverá pensar duas vezes antes de colocar a palma da mão no pescoço: se estiver frente a uma mulher ela tomará a atitude por convite ao sexo; se for o marido dela, é como se estivesse a dizer-lhe que é homossexual.
Na Grécia não exiba a palma da mão com os dedos esticados e abertos. Os gregos tomam o gesto como ofensa grave ( a moutza) e o viajante, à conta dele, pode ver-se grego para se livrar de arrelias. Em alguns países africanos pode ter o significado de “filho de cinco pais” para quem for exibido. Na Turquia, o mesmo gesto é visto como um elogio. Já no México, é motivo de desafio estar em frente de um natural com as mãos nos quadris. Outro tabu é cumprimentar um árabe com a mão esquerda. Deve ser utilizada a direita (e nunca a de uma mulher), uma vez que a mão esquerda está reservada para a limpeza das partes íntimas. Nada de beijos e abraços. O mais eficaz é ficar mesmo pelas palavras como “salaam” ou “salaam alaykun”.
Refeições, restaurantes e gorjetas
No Japão pode fazer aquilo que não se atreve a fazer à mesa de um restaurante lisboeta. Chupe o macarrão e o esparguete como se fosse um aspirador, beba a sopa directamente da tigela, sem colher. Na China, nem se importe com os ruídos do sorver, pois é um elogio à cozinheira. É também na China e nos países islâmicos que cai bem ouvir um arroto no final da refeição. A sonoridade do mesmo classifica, numa escala de decibéis, o valor do pitéu. Para mostrar que não quer repetir, fixe esta mensagem “discreta”: chupe os dedos.
Atenção, muita atenção: se é canhoto, pratique com a mão direita o uso da colher e do garfo. Na Índia, Egipto, Marrocos, Malásia, Tailândia e Arábia Saudita, a mão esquerda é indigna de levar o comer à boca. Reservaram para esta os cuidados da higiene das ditas “partes”.
Dirão que os tabus só existem nos países exóticos e de arreigados costumes antigos. Pois então anote que, na Inglaterra, não deve passar o pão nos molhos e, em França, não palite os dentes (manuseando o cure-dent), nem mesmo com a outra mão a servir de biombo.
Na maioria dos restaurantes árabes – pelo menos, os mais tradicionais – as mulheres e os homens sentam-se em zonas separadas. Nestes locais evite sentar-se de perna cruzada com a sola do sapato virada para outra pessoa. Mesmo que, entre os presentes, reconheça o rei do petróleo, nunca aponte com o dedo.
Não convide um árabe para comer carne de porco nem um indiano para degustar um bom bife de vitela; aceite de um japonês uma chávena de chá a ferver e não faça má cara à bebida pouco aromática que um tibetano lhe ofereça; a mulher ocidental não deverá propor um brinde na Alemanha e saiba que ofenderá o anfitrião irlandês ou russo se recusar, sem motivos de saúde, uma bebida alcoólica.
Para evitar um equívoco, não faça a apreciação de um bom prato à anfitriã japonesa colocando os dedos indicadores no lóbulo da orelha. A senhora ficará envergonhada com a descortesia por entender que serviu um prato demasiado quente. No Japão , se tiver de pedir ao empregado qualquer coisa em número de quatro não o faça exibindo os quatro dedos da mão, pois este tomará o gesto com um insulto acima de “besta e quadrúpede”. Na Itália, não se ofenda se o empregado de mesa lhe perguntar se pretende um ou dois “cornicio”, pois trata-se de pepino em conserva. Nem tampouco recuse um aferventado prato de caldo verde se o empregado italiano lhe recomendar na ementa escrita na lista del giorno a afamada “zuppa di cavolo”.
Quanto à gorjeta, pode optar por sair com os trocados no bolso ou esportular qualquer coisa entre 10% e 15% sobre o valor total do serviço, aumentando a percentagem se foi tratado com a excepção reservada aos marajás. Evite dar gorjetas na Coreia do Sul, em Cingapura e no Japão, para que os empregados não fiquem com os olhos em bico.
No geral
A leitora que viaje para um país islâmico deve levar um véu ou um lenço para cobrir os cabelos e prepare-se para assumir um papel de segundo plano, igualzinho ao que reserva ao “caniche” lá de casa. Não vista o vermelho no mês do Ramadão e, se não quer passar por viúva, não use roupas de cor roxa no Egipto.
O leitor não se mostre indignado se a respectiva esposa, de andar donairoso, lhe disser que levou um apalpão num souk (mercado) do Egipto ou de Marrocos, pois aqueles árabes são danados para a brincadeira... com a mulher dos outros, evidentemente.
Os leitores evitem espirrar diante do anfitrião japonês e não se assoem nas ruas da Coreia do Sul. Na Síria não faça expelir o fumo sobre o rosto de uma mulher, uma vez que, para além de uma geral atitude nada polida, é tida por um convite para a cama. No Japão não ria alto de uma anedota nem, no país do Taj Mahal, encare fixamente um indiano, pois sentir-se-á humilhado.
Na Rússia não trate os naturais por camaradas (tavaritch) e, se o leitor é do sexo masculino, evite dirigir-se a uma mulher árabe em público nem a cumprimente com beijos ou abraços, mesmo que esta seja afegã e se esconda por dentro da burka. Nas mesquitas não entre calçado e não se misture na zona das mulheres, se for homem, nem na zona dos homens, se for mulher. Para evitar contrariar a higiene, em Marrocos leve consigo papel higiénico, pois não o encontrará ao lado da sanita.
Ao abanar a cabeça em sinal de sim ou não, saiba o leitor que o sinal por nós tido como de negação tem na Bulgária, Índia e Paquistão o significado de “sim”. E este simples equívoco pode deixá-lo numa verdadeira situação embaraçosa, se não tiver o cuidado primário de saber, na língua nativa, estas duas expressões de afirmativa e negativa.
Antes de viajar, siga o conselho deste arrazoado e consulte um bom guia turístico, mormente aquele que avise sobre atitudes e costumes. Não deixará ficar mal a já pouco afamada cortesia dos patrícios e poderá evitar aborrecimentos e situações críticas que, porventura, não resolverá com um bom punhado de dólares. A não ser que queira passar as férias num hospital. Férias, enfim, para turista esquecer.

domingo, 6 de março de 2011

O HOMEM-MACACO DO AVELOSO




Num País onde se fazem tantas macacadas, não podia faltar a fama e a escama do Homem-Macaco. Albaninho do Mal ou Homem-Macaco do Aveloso, subia por paredes, mostrava possuir uma força descomunal, bebia em grandes quantidades qualquer líquido que encontrasse, trepava a torres, metia medo ao medo. No fundo, no fundo, era uma infeliz criatura a quem acometiam uns estranhos e nunca esclarecidos ataques.
Nascido na aldeia do Aveloso, concelho da Meda, Albano de Jesus Beirão até aos sete anos de idade, foi uma criança como as outras da sua aldeia. O primeiro ataque ia surgir nesta idade. Apascentava então uma cabra, no campo, no mês de Janeiro, altura em que os pais colhiam a azeitona. Acendeu uma fogueira com umas silvas e sentou-se ao redor do lume, de pernas cruzadas. Contou ter visto um pássaro preto voar à sua volta durante algum tempo. De súbito, levantou-se e largou em corrida desenfreada e sem rumo. Era o primeiro de muitos êxtases que lhe transformariam a vida durante 43 anos.
Como se comportava ele na altura dos ataques?
“ Parecia o diabo em figura de gente. Não conhecia ninguém, galopava e escoicinhava, dava uivos… Mas não fazia mal a ninguém, principalmente se fossem crianças. Mesmo com os ataques, se visse uma mulher não se virava contra ela.”
Acima de tudo, os seus conterrâneos não o temiam, conquanto respeitassem a força descomunal e espectaculosa que o Sr. Albaninho tinha. Quando Albano Beirão se metia, por razões da sua estranha sina, em situações perigosas, livrava-se dos apuros graças à ajuda dos bombeiros. Foi assim “pescado” do alto da estátua do Marquês de Pombal e do Arco da Rua Augusta em Lisboa ou da Torre dos Clérigos do Porto. Um bombeiro portuense acabou por morrer quando tentava resgatar daquela torre da cidade invicta o inusitado escalador. Uma testemunha disse a um jornal que o homem-macaco beirão, urrando pelas ruas de Lisboa, decidiu saltar para o tejadilho de um eléctrico, repetindo esta proeza três vezes, perante o pasmo de quem passava.
Pior, confessou certa vez, era desaparecer o ataque e deixá-lo com a cabeça entalada numa sarjeta. A solução era rebentar com a sarjeta ou esperar pelo próximo ataque. Dizia que na baixa lisboeta fechavam as lojas quando ele passava; no Porto exigiam que as autoridades o levassem para onde não houvesse nem eira nem beira ou pé de figueira…
O registo de um curioso acontecimento da sua vida vai a seguir.
Encontrando-se certo dia na praça da vila da Meda, levantou um dos bancos de pedra que estão junto à igreja. Ergueu a pedra e atirou com ela ao chão, partindo-a em duas. Dois guardas que viram o estrago na coisa pública intimaram-no, sob prisão, a comparecer perante o Administrador do concelho, um tal Dr. Faria.
-- Os senhores não sabem quem é este homem? – inquiriu o Administrador.
Os guardas eram novos no quartel, não sabiam.
-- Ponham-se a andar para o Posto, e depressa, antes que ele faça alguma coisa…
-- E as nossas armas? Nós temos armas, podemos dominá-lo…
-- Quais armas, nem meias armas! Vão-se lá embora antes que ele vos ponha de plantão com uma ou duas palmatoadas tesas!
Quando era acometido pelo estado sobrenatural tinha absoluta necessidade de beber líquidos. Fazia-o com uma sofreguidão animalesca, absorvendo grandes quantidades sem cuidar da qualidade do que ingeria. Diziam que conseguia emborcar dezenas de litros, fosse água, leite, água de cal, água de animais, água estagnada ou de chiqueiro e até urina.
Enfim, o efémero remoinho das façanhas extra-normais do dito Homem-Macaco arriscam-se a passarem, para o futuro, como triviais e pouco inéditas macacadas.
Santos Costa

sábado, 20 de novembro de 2010

NASH


Depois das "memórias" de um Fiat Topolino (ratinho), sai desta feita um Nash, carro americano e enredo também dali. Desenhei esta também em duas pranchas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O ATENTADO A SALAZAR


Estou a reformular uma BD publicada há uns anos no semanário "O CRIME" e também reproduzida num álbum "Registos Criminais", com o título de "ATENTADO A SALAZAR", que conta a forma como foi perpretado esse golpe. Dado que a coisa ainda vai demorar, aqui seguem duas pranchas dessa obra, que deverá contar com cerca de 80.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SE O MEU CARRO FALASSE...




Com este título genérico, pretendi narrar a História dos Automóveis em banda desenhada. Cheguei mesmo a propor o tema a uma revista de automóveis antigos, a qual se mostrou interessada, mas não concretizando a ideia por achar muito caro para a revista.
Com algumas modificações (principalmente ao nível do enquadramento), aqui vai a história de um Fiat Topolino, em duas pranchas.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

BRUXAS E FEITICEIRAS



Patuscas criaturas, temidas e mal encaradas, velhas de nariz um tanto adunco, queixo espetado com pelos e corcova, espremidas de carnes e voz cavernosa; dançam com o Diabo, reúnem-se nas encruzilhadas, deitam maus-olhados e chupam o sangue às criancinhas. Assim se vêem as bruxas e feiticeiras. Entre estas, ainda as benzedeiras, que servem para tratar o mau-olhado, talham os “ares”, endireitam espinhelas caídas, cortam sarampos e zagres, varrem malefícios e invejas. Estas últimas, que também são chamadas “corpo-aberto” e “santinhas”, têm como utensílios tesouras e facas (para talhar os ares), águas bentas, ramos de alecrim e azeite puro de oliva.
Apesar de a Inquisição ter dado grande baixa na actividade das bruxas, o certo é que, toleradas mais tarde, continuam a viver numa quase clandestinidade. Para se conhecerem, segundo o povo, e caso alguma entre em casa de alguém, a pessoa que morar lá deverá esconder uma vassoura atrás da porta, virada ao contrário. A bruxa, assim, não conseguirá sair.
- Se num casal nascem sete rapazes, o último será lobisomem; se sete raparigas, a última será bruxa.

- A criança que chorar três vezes no ventre da mãe ficará fadada com poderes sobrenaturais e poderá ser adivinho, benzilhão ou bruxa.

- Quando alguém, tido com poderes de bruxaria, estiver para morrer, só finará quando lhe entregarem uma peneira; a pessoa que faz a entrega da peneira ficará com os poderes de bruxaria.

- Nas encruzilhadas, os cruzeiros e as cruzes afugentam os demónios, as bruxas e as assombrações.

- Quando se passa por alguém que se julgue com poderes de bruxaria, devem cruzar-se os dedos indicador e médio (figa) .

- Se chove e faz sol ao mesmo tempo é sinal de que as bruxas estão a pentear-se.

- Quando o lume da lareira começa a dar estalidos, é porque estão as bruxas a mijar nele.

- É crença vulgar que as bruxas andam vestidas de branco.

- A criança que tem gravada no céu da boca uma cruz da forma dos “pintos”, será bruxa ou bento.


- As bruxas berram nos telhados como os gatos. Mal pressentem os bebés, correm para eles para os chuparem. Quando assim é, deve-se deitar para o telhado umas pedrinhas de sal, para que elas fiquem entretidas a apanhá-lo. Esta crença surge por julgar-se que aquelas criaturas são obrigadas a contar todos os grãos antes de poderem produzir qualquer malefício.

- Quando alguém passa descalço por um sítio onde um burro se tenha espojado, deve cuspir para que as bruxas não o incomodem.

- Depois da meia-noite é perigoso passar por um cruzamento: é lugar de encontro de bruxas e lobisomens.

- As bruxas encontram-se nas encruzilhadas nos dias de S. João e de S. Tomás, nas vésperas de Natal, nas sextas-feiras e sábados.

- As bruxas retiram durante a noite os bebés dos leitos e jogam com eles nas encruzilhadas; pela manhã, colocam os meninos nos berços, sem que as mães dêem conta.

- Para que as bruxas e feiticeiras não entrem em casa e na família, faz-se o seguinte: uma mistura de aipos, aniz, pão de trigo ralado e três pedrinhas de sal, tudo metido numa bolsinha que se prende atrás da porta da entrada.

- As bruxas andam nas encruzilhadas e ao pé dos rios e correm as aldeias com luzes na mão.

- Para fazer fugir uma bruxa, cruzam-se os dedos de uma das mãos e diz-se:
Tu és ferro
Eu sou aço,
Tu és o Diabo,
E eu te embaço.

- Para afugentar as bruxas e feiticeiras, apanha-se um pouco de ruda, alecrim, arruda e terra do cemitério, misturando tudo num caco ou numa panela. Com estes ingredientes deita-se-lhe o fogo e faz-se um defumadouro, que se colocará numa encruzilhada.

- A mesma receita anterior poderá ter como destino a ribeira. Porém, quem executar este trabalho deverá deitar o caco para trás do ombro e não olhar para trás, para o Diabo não vir tentar, enquanto reza um Padre Nosso e uma Avé Maria.

- Se uma bruxa estiver na igreja e se se deixar o missal aberto ou se deitar na pia da água benta uma moeda com uma cruz, ela não pode sair de lá.

- Acredita-se que as bruxas quando deixam os maridos na cama, a dormir, para irem dançar nas eiras e encruzilhadas, responsam-nos assim:
Eu te benzo meu Belzebu
Com a fralda do meu cu,
Enquanto eu não vier,
Não acordes tu.

- Para que acabe o feitiço que as bruxas lançam às crianças, que as impede de mamar, fazem-se defumadouros com certas ervas do campo, a que se mistura água benta, sendo então passadas pelo fumo. A cinza restante, coloca--se num caco, numa encruzilhada.

- Uma bruxa não pode morrer sem entregar os novelos do seu fadário. Daí o ser perigoso pegar nas mãos das ditas quando estão para morrer.

- As bruxas dançam à roda, nuas, dão grandes gargalhadas e tocam pandeireta.

- As bruxas costumam entrar pelas fechaduras das portas e bebem o vinho das adegas.

- As bruxas costumam montar em burras, com as costas viradas para a cabeça do animal.

- Se uma bruxa entrar na casa de uma pessoa e esta quiser ter a certeza de que ela o é, esconde uma vassoura atrás da porta, virada ao contrário, ou deita um banco de pernas para o ar. A bruxa não consegue sair.

superstições
Trata-se de um dos assuntos com mais riqueza etnográfica, de tal sorte se encontra pleno o registo dos medos, das rezas e responsos, dos maus olhados, das bruxas e lobisomens. Manietados pela tradição que os privou de um raciocínio mais material e menos metafísico. A voz da razão, nestas ocasiões, fica tão muda como uma rabeca escavacada.
Como exemplo, assim seguem apenas uma superstição de cada espécie:
Alimentos- em cima da mesa onde se come o pão não se coloca dinheiro, porque traz pobreza à casa;
Animais- uma porca que ande a fazer criação deve trazer ao pescoço fitinhas vermelhas, para se evitar o mau olhado;
Bruxas- quando o lume da lareira começa a dar estalidos, é porque estão as bruxas a mijar nele;
Casamento- uma jovem não deve experimentar o vestido de noiva de outra rapariga, para evitar perder casamento;
Crianças- o primeiro corte de unhas de um recém-nascido deve ser feito pela madrinha, a fim de evitar que venha a ser ladra;
Deus- não se deve cuspir no lume, porque constitui uma afronta a Deus;
Diabo- a arruda, o aipo e o alecrim são bons contra o Diabo.
Gravidez- as grávidas não devem pegar em gatos, porque as crianças nascerão com asma;
Morte- não deve ficar um número de par de velas acesas num velório, pois será prenúncio de outra morte.

































segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PADRE COSTA DE TRANCOSO - 3ª EDIÇÃO

Acaba de sair para as bancas - mas só em Trancoso -a 3ª edição do livro "O Padre Costa de Trancoso", de que sou autor. Tal como as edições anteriores, o preço de capa é de 9 euros.
Fora dos grandes circuitos comerciais, modestamente circunscrita a venda à terra do frutuoso prior, este livro traz a lume a figura lendária do pároco do séc . XV, que teve o ensejo de fazer gerar no ventre de 53 mulheres, qualquer coisa como 299 filhos.
O livro encontra-se â venda:
No Quiosque-Papelaria A GIL
Na Papelaria Trancosense
No Posto de Turismo.
Dentro em breve - e se não faltar - trarei aqui algumas passagens da obra.
Uma leitura que deixo ao critério de cada um. E bom proveito.