quinta-feira, 23 de março de 2017

ARRANJOS DIGITAIS

Esta obra começou por ser feita para ser publicada a cores... e não foi. Dada a sua amplitude e o incipiente mercado, levou-me a alterar o padrão e a modificar a sua apresentação, passando da cor ao preto e branco com cinzentos aplicados à trama.
Optei então por publicá-la em formato mais reduzido - A5 - com as "pintinhas" aplicadas como "screenshots" para lhe dar os cinzentos. E saiu assim do prelo.

A tentação do formato e do preto e branco foi mais forte e vá de transformar o trabalho no seu tamanho natural - o A4 - fazendo realçar na prancha, agora sem "pintinhas", a liberdade e a ruptura dos enquadramentos de forma a passar despercebido o limite entre vinhetas.
O que significa isto? Naturalmente, paciência e tempo, um espírito auto-crítico e constante desejo de mudança.
Esta última versão a preto e branco vai ser publicada, em formato de álbum, para amigos e coleccionadores. Ah, sem esquecer que vai ser publicada para mim, pondo assim um ponto final nas alterações a que o meu inconstante gosto apela. Pelo menos, até uma outra alteração...

segunda-feira, 20 de março de 2017

ARTE FINAL E ARRANJOS DIGITAIS



O meu trabalho em BD passa por muitas fases e muitas técnicas, algumas delas saídas do meu bestunto, não necessariamente as mais fáceis e as mais heterodoxas.
É o caso da página que acabei ontem para O Magriço, reproduzida em cima através da tintagem no papel e em baixo no acabamento em computador.
A propósito desta saga, quero dizer que já estou na abordagem do 5º álbum, o que significa que os outros quatro estão concluídos, na ideia de que os darei à estampa, nesta versão, em formato A4.
Este quinto álbum, que se segue ao torneio de Londres, vai encontrar o herói em terras da Flandres, mais propriamente no ducado, onde se encontra, como duquesa, a filha de D. João I de Portugal. Já estaria muito mais adiantado, não fosse esta minha alternância entre a ficção escrita, as publicações históricas e outros trabalhos em desenho, numa inconstância que não me aplaude a fidelidade seja em que género for. É dizer que apenas faço o que me "dá na veneta", o que significa que singro pelos meus impulsos repentinos.

sábado, 18 de março de 2017

APONTAMENTOS CURIOSOS



Em determinadas ocasiões de repouso intelectual e artístico, passo para o meu "notebook" de capa dura "canson", utilizando uma esferográfica de cor preta, os apontamentos e notas curiosas, onde também junto alguns desenhos. É uma válvula de escape que me permite dar vazão a três características que me são peculiares: escrita, desenho e espírito curioso.
Aconselho a todos - a todos mesmo, inclusive aos que não sabem desenhar - a fazerem este exercício, que poderão utilizar posteriormente numa reunião de família e amigos (nem que sejam apenas registos de anedotas), porque é uma forma de criação, se bem que utilizadas fontes que forneçam estes dados, e estas as mais diversas.
Vou dar aqui quatro exemplos retirados deste  meu "book":
Primeiro:
Se multiplicar 111, 111,111 por 111, 111,111, o resultado é igual a 12345678987654321.
Segundo:
Não foi um homem, mas sim uma mulher, quem inventou os limpa pára-brisas. Tratou-se da americana Mary Anderson, em 1903. No entanto, estes limpadores funcionavam manualmente até 1916 (estão a ver a trabalheira sem ninguém no lugar do pendura), ano em que nos Estados Unidos apareceram os limpadores mecânicos.
Terceiro:
A probabilidade de se obter o "jackpot" do euromilhões é astronomicamente baixa: apenas 0,0000009% o que equivale a 1 em 116.531.800, que é o número de combinações possível. Vendo estas coisas de outra maneira: há tantas combinações possíveis que, mesmo que se demorasse 10 segundos a preencher uma chave, demorar-se-ia 37 anos ininterruptos a preencher todas as chaves.
O melhor é confiar na sorte!
Quarto:
Durante uma só estação, uma abelha obreira colhe várias vezes o seu peso em mel. No entanto, como é levíssima (não excede em média as 7 gramas) seriam precisos, deste modo, 140 anos para juntar 1 quilo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

CHEGARAM MAIS DOIS LIVROS




Acabadinhos de chegar da gráfica, mais dois títulos, um dos quais anunciados atrás, neste blog, enquanto o outro surge pela sua periodicidade trimestral.
Estou um autêntico editor! Na forja, ainda para este ano, estão mais títulos, de entre os quais dois volumes A4 de banda desenhada.
Irei dando pormenores, consoante a disponibilidade e o interesse em os manifestar.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O PRÍNCIPE VALENTE EM TRANCOSO


O Geraldes Lino é, sem dúvida alguma, um dos mais entusiastas e persistentes animadores e divulgadores da Banda Desenhada em Portugal. Incansável, sempre presente em tudo o que transpire BD, não deixa de ousar ir sempre mais longe, em desafios inéditos que congregam autores nas mais
inesperadas realizações editoriais.
É o caso dos enormes (em altura, largura e qualidade) fanzines EFEMÉRIDE, onde tive o privilégio de ser convidado para participar em dois números. Num desses números, o que havia de imaginar o Lino para comemorar condignamente a efeméride da primeira publicação do Príncipe Valente (1937)?
Convidou autores portugueses para elaborarem "pastiches" onde aparecesse essa sempre viva e grandiosa personagem criada por Hal Foster.
Eu aceitei o desafio - até porque recusar um pedido do Lino é um pecado capital - e vá de participar no tema - Príncipe Valente no Século XXI - emparceirando na publicação com mais 21 desenhadores, sendo a capa do talentoso e inesquecível Carlos Alberto.
É claro que eu, colocando o Príncipe Valente em Trancoso, contribuí modestamente para a obra, acompanhado pelos maiores vultos da banda desenhada portuguesa - Pedro Massano; José Garcês; José Ruy; Ricardo Cabrita; Baptista Mendes; Manuela Torres; Augusto Trigo e Irene Trigo; João Amaral; Rui Pimentel; Zé Manel; José Abrantes; Zé Paulo; Carlos Marques; Nazaré Álvares; Pedro Castro; António Salvador; Pedro Nogueira; Álvaro; Renato Abreu; Paulo Monteiro e Susa Monteiro - com paginação e design de Jorge Silva.
É um álbum precioso, que o Lino tratou de editar por ele, com data de 2007.
É uma homenagem ao Geraldes Lino, ao Hal Foster e aos Desenhadores que colaboraram nesta obra, que hoje publico este post.
Acima vão as três tiras da minha autoria, estas com algumas alterações de lettering em relação ao original.
Para além de Val e de Aleta, tratei de compor a imagem do sapateiro com o rosto do Lino e não deixei de colocar o próprio Autor do cavaleiro medieval como vendedor de automóveis! A Banda Desenhada, como sonho de fazer e sonho de ler, permite-nos coisas extraordinárias.

quarta-feira, 8 de março de 2017

ENCICLOPÉDIA ALEGRE 5 (IMPOSTOS)

Com um interregno generoso neste meu item bloguístico, até me esqueci de “postar” entradas sobre o tema. Lembrou-me da “coisa” a propósito dos nomes que a estrangeirada deu à “Geringonça”, que também é um Imposto – e não uma Contribuição – uma vez que governa sem ser directamente votada para ficar em primeiro lugar para governar. Se isto é confuso, eu vos confundo neste poço de perplexidades sem fundo. O caso das traduções do vocábulo Portasiano por essas línguas-de-trapos para além de Vilar Formoso tem dado que falar; pelo menos, foi o que li num semanário abandonado e perdido numa sarjeta (quando o seu lugar seria num ecoponto), na altura em que não tinha trocos nem pachorra para comprar um em primeira mão.
Mas vamos ao vocábulo de hoje.
Durou muitos anos este termo “contribuição”, designadamente nos diplomas fiscais e na própria designação da entidade que superintende – a Direcção Geral das Contribuições e Impostos. Com a queda do que se chamava, muito despropositadamente contribuições, a própria designação da direcção geral deixou de conter esse termo e passou a ser conhecida como Direcção Geral dos Impostos, embora mantivesse a sigla DGCI.
Disse despropositadamente e disse bem, porque a contribuição pressupõe quem contribua com um propósito generoso, direi mesmo voluntário. E não era esse o caso.
Acabou o termo? Nada disso! Então como é que se chama, ou que outro nome tem, a contribuição audiovisual? E o que são as chamadas “contribuições extraordinárias”? Quando até a própria Wikipédia pede “contribuições”!...
Uma coisa é dizer: eu contribuo para a AMI, porque tenho pena dos mais necessitados; outra será dizer: eu contribuo para o IMI, porque tenho pena dos menos carenciados. Para além disso, convenhamos que se o IMI fosse contribuição, seria designado por COMI (Contribuição Municipal de Imóveis) – logo, se o predicado exige sujeito, ou vice-versa, se COMI, comi alguma coisa…
O que contribui chama-se contribuinte, pessoa que o devia fazer graciosamente, segundo a etimologia da palavra. E não o faz. A não ser que seja um filantropo ou altruísta, mesmo assim para outras causas. Há quem ache que o contribuinte é um mecenas ou um trabalhador sem direito a féria. Aquele que foi actor e presidente americano muito antes de Trump, que se chamou Reagan, disse mais ou menos isto: “O contribuinte é o único cidadão que trabalha para o governo sem ter de prestar concurso.”
Também se pode meter neste saco todo aquele “chico” que contribuiu para os dez mil milhões nas “offshores”, na órbita da frase keynesiana de que evitar os impostos é a "única actividade que actualmente contém alguma recompensa".
O livro do ex-presidente da república, que levou o título “As Quintas-Feiras e Outros Dias” bem que podia ter outro título, mais apelativo, capaz de catapultar estas memórias para uma cifra equivalente à publicação das de Obama – 60 milhões (!). Se fosse eu, chamar-lhe-ia “As Quintas-Feiras e Outras Contribuições”. Mas, confesso, eu também não teria pachorra nem capacidade para escrever memórias deste quilate.
Voltemos à família contribuição e imposto, cujo parentesco, no seio das designações fiscais, deve andar à volta de primos. Não havia uma redundância de designações para o mesmo fim? Não entrava tudo no mesmo saco, pela via da mesma caixa? Logo, um estava a mais.
Não estava, disso vos garanto. Os catedráticos aludem a diferentes significados técnicos para a existência dos dois ramos, coisa que eu não contesto.
O próprio termo imposto, se quisermos, já significa contribuir (concordo, por imposição), tanto assim que os serviços fiscais tratam por contribuintes os pagadores de impostos e não por impostores. Nalguns casos, sinceramente, mais impostores que contribuintes.

sábado, 4 de março de 2017

A TORRE DOS CLÉRIGOS E O "HOMEM-MACACO"



Trata-se de uma única vinheta numa prancha de cinco. Faz parte de um álbum de BD que fiz para o Município de Mêda e diz respeito a uma passagem na vida do Homem-Macaco do Aveloso, de seu nome Albano Beirão. É, sobretudo, um registo gráfico de um acontecimento verídico quando o "homem-macaco", durante um dos seus ataques, subiu a pulso a Torre dos Clérigos (Porto) e, para descer (passado o ataque), teve de ser auxiliado pelos bombeiros.
A tragédia aconteceu quando um dos bombeiros salvadores caiu do alto da torre...
Em cima o tratamento de preto e em baixo o de aguarela final, tal como o retirei dos originais em formato A3.