quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"A VIAGEM DO ELEFANTE" de JOÃO AMARAL

Trago hoje a este meu blogue um livro que considero de grande valia, por três razões e mais uma.
As três razões são: é uma obra que aborda um tema histórico, tanto do meu agrado; ter sido escrita pelo maior escritor português contemporâneo, que também é do meu agrado; ter sido adaptada e desenhada pelo execelente desenhador e autor de Bd João Amaral, que igualmente me agrada ler e ver mais uma vez. A outra razão, a "mais uma", prende-se com o facto de que é a primeira vez que José Saramago tem um livro seu adaptado a Banda Desenhada em Portugal (e possivelmente no resto do mundo).
Não faltou coragem ao João, para decidir esta adaptação, que mereceu elogios da Pilar, porquanto é uma obra exigente em termos de pormenores de época, que ele soube respeitar.



Não tenho qualquer dúvida de que "A Viagem do Elefante", em boa hora aproveitada pela Porto Editora, nesta versão, trará mais leitores para a obra de Saramago, assim como trará mais apetência de leitores para a Banda Desenhada.
O João é um Autor com grande capacidade de trabalho, que alia a simplicidade de comunicação, a amizade, a mestria com que elabora as vinhetas, o tratamento da cor e tudo o mais que consta da sua obra, de que esta constitui um dos expoentes, a uma bonomia e disponibilidade que nos garante que é um grande entre os grandes autores contemporâneos portugueses.
Mas não é só isso. É um autor dedicado à Banda Desenhada, presente em certames e lançamentos (de que o do meu livro é exemplo), acompanhado da esposa, a Cristina Amaral, que é uma excelente fotógrafa e, naturalmente, um apoio sempre necessário a quem dedica muito tempo a esta arte.



 
 
É um álbum com certa envergadura, essencial numa estante; direi que é uma excelente hipótese para quem o adquirir, para si, pensar também em aproveitar o ensejo para adquirir outro ou outros exemplares para oferta a amigos e familiares.
Tenho o grato prazer de deixar este post, porque o João não é um concorrente, mas um bom amigo e um bom companheiro de jornada nestas artes.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DESENHAR AUTOMÓVEIS - 1

Tem-me servido este blog como repositório de trabalhos conluídos e inconclusos, esparsos, memórias, publicações, investigações e outras tarefas que realizei sobretudo com prazer. A escrita, a ficção, a investigação histórica, o jornalismo e a banda desenhada resultam de ferramentas inatas que eu utilizo com maior ou menor primor, suadas algumas, nenhuma ao ponto do sacrifício.
Eu gosto de desenhar automóveis. Com três ou quatro anos de idade desenhava comboios e automóveis, obviamente tão estilizados como o são os desenhos de crianças dessa idade e de alguns autores vanguardistas que querem fazer da BD uma "picassada" modernista.
Por isso, a peça que hoje levo a este meu espaço de arquivo. Sim, porque é um arquivo que eu disponibilizo a quem o queira ler ou ver, sem me importar se são muitos ou poucos, se apreciam ou
vilipendiam o estendal que aqui deixo ao "relento".
Como gosto de desenhar automóveis, o paradoxo é pretender desenhá-los em fim de vida - vulgo sucatas - tendo-o feito em algumas BD's.
É o caso desta prancha de vinheta única, que hoje aqui coloco, perdida entre outros papéis, pois que perdida a função que ela tinha na série que desenhei sob o título genérico "Se o meu carro falasse...".
Trata-se de um trabalhosem retoque final, executado com marcadores de diversas espessuras.
Um automóvel abandonado tem muitas histórias para contar.
Quando as vemos perdidas e abandonadas num espaço isolado ou em parque de sucateiro, há ali uma nostalgia que me prende particularmente a essas viaturas e imagino as alegrias dos seus proprietários na primeira viagem que fizeram com elas, os amores e desamores passados nos seus habitáculos, as peripécias e as contravenções, naturalmente assacadas à fragilidade humana, ao longo de milhares de quilómetros.
Voltarei com outros automóveis em artigos que intercalarei, porque para além de fazedor deste blog, sou o seu assíduo leitor.

domingo, 30 de novembro de 2014

LENDAS

Na sequência da peça colocada anteriormente, e ainda no campo das publicações por mim editadas sob a chancela "O Bandarra", aqui vem este livro que está também esgotado há muito, pois ao fim de dois meses já não havia stock (1.000 exemplares, de texto, com desenhos a cores e a p/b, impresso em papel IOR 90 gr., cosido à linha), e do qual, como é meu hábito, não pretendo fazer nova edição.
Trata-se também de um trabalho de campo, de recolha oral - e também bibliográfica - e tem 31 lendas, o que, para um concelho, já é bastante, uma vez que algumas estavam em risco de se perder na memória dos que partem.
O miolo tem uma ilustração de página, a preto e branco, para cada uma das lendas, e tem um caderno intercalar, em papel couché, com ilustrações a cores, mistas de desenho e foto, com a particularidade de serem montadas com tesoura e cola (à falta de photoshop ou outra ajuda análoga).



sábado, 29 de novembro de 2014

CRENDICES E SUPERSTIÇÕES

 
 
Quando não escrevo nem desenho, investigo para fazer uma coisa ou outra. De entre todas as formas de recolha de elementos, a pesquisa de campo é a minha preferida, designadamente quando procuro ruínas, vestígios do passado ou pretendo recolher o património cultural imaterial do povo.
Há uns bons anos atrás - cerca de 25 - deitei mãos a esta tarefa para colectar material que publicasse numa colecção que estava para encetar, então em parceria com o município.





 
 
Daí saíram três edições de mil exemplares cada, relativamente ao assunto em epígrafe - "Crendices e Superstições Trancosanas", que na primeira das edições se intitulava "Crendices e Superstições - no concelho de Trancoso".
A primeira edição publicou-se em formato de livro, abrindo uma colecção de livros com o tema "Cadernos de Trancoso", de que saíram sete títulos. Desta publicou-se mais uma edição, precisamente igual, apenas tendo mudado o aspecto da capa, que de cartão "cromocard" sem plasticização, passou a tê-la. Entre as duas, e nas edições que editei sob a chancela "O Bandarra" (de que saíram mais de duas dezenas de livros, incluindo o "Almanaque O Bandarra), mudei o formato e a capa, acresentando outras recolhas no miolo da obra, evidentemente ilustrada com desenhos e fotografias.
As três edições têm a particularidade de, na encadernação, serem cosidas à linha em vez da comum forma de colagem a quente. Os livros podem ser escandarados, que não rebentam.
Todas as edições estão esgotadas e eu, na minha teimosia de sempre, tenho recusado algumas sugestões que visam precisamente repor a obra, mesmo que não seja actualizada ou ampliada.
Trago aqui estas duas capas e este título porque pretendo fazer, neste espaço, um repositório do que fui editando.




domingo, 16 de novembro de 2014

O AUTOR DIVERTE-SE

Sim, é verdade. Acontece comigo. Se não houvesse alegria no que escrevo e no que desenho, não o faria. Os meus rendimentos têm outra fonte e essa bastaria. A BD, por exemplo, requer alguma disponibilidade e pachorra, coisa que não me tem faltado.
Por isso, principalmente por isso, nem tudo o que faço se destina à publicação em forma de papel impresso, como é o caso de algumas das adaptações que fiz em BD de livros escritos por mim, alguns deles já publicados, como é o caso do "Mangas de Alpaca", referido no post de 3 de Novembro.
Aí publiquei algumas pranchas coloridas, de entre as quais, a última, retorna a este post para exibir a alteração que lhe fiz, adaptando-a a outro formato e "deturpando a imagem" , à guisa daqueles espelhos da Feira Popular, côncavos e convexos, que ora nos "fazem" magros como espeques de feijoeiro, ora gordos como o Frei João Sem Cuidados.
Como então disse - e repito - segui o traço de Miguelanxo Prado, a sua forma caricatural de retratar o pequeno-burguês e os seus tiques.
Uma das passagens desse livro - e destas pranchas - prende-se com um caso real, que eu ficcionei nessa obra, e que reproduzo parcialmente.
Repare-se que há ~textos que têm gralhas, como é o caso de "avivelou" por "afivelou" e "desa" por "dessa", mas isso é facilmente suprível com a tecnologia digital, que vou dominando. Só dei conta da "ave gralhuda" depois de colocar o post e reedito sem corrigir. Nestas coisas não pode haver "stress".






quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"O MALHADINHAS"



 
 
Na postagem anterior, referi-me a trabalhos que vou fazendo para publicar "por mim próprio", uma vez que sou também editor (autor-editor) e estou inscrito na APEL (Asociação Portuguesa de Editores e Livreiros).
Ora, tenho de dizer que nem todos os trabalhos publicarei, porque: uns estão incompletos e acabou-se a pachorra para os concluir; outros não têm mercado que os absorva - e eu não abdico de edições abaixo de meio milhar de exemplares ( emprego a palavra "milhar" porque ainda há quem a confunda com "milhão"); outros não me é permitido publicar, porque há direitos que têm de ser respeitados... E eu respeito-os.
No último caso está "O Malhadinhas", obra que orcei em cerca de 230 pranchas e das quais concluí 114. Os direitos estão com a Bertrand e eu, que lhes comuniquei o trabalho, nem sequer recebi resposta apreciativa ou depreciativa, mesmo sequer se tinham recebido a proposta e, caso afirmativo, se alguém a leu antes de a eliminar com um mero clic. 
As quatro pranchas acima - que ilustram a cena da taberna - não tem qualquer tratamento digital, foi toda realizada em papel, com as legendas coladas. Acontece que, uma parte do trabalho, cerca de 20 pranchas, levei-as ao computador para colorir e o resultado não me agradou de todo. O exemplo a seguir é um dos vinte.


 
 
Este meu blogue é, por assim dizer, a montra daquilo que fiz, do que faço e do que vou fazendo, como se se tratasse da catarse de obras que condenei e me condenaram a um mero exercício de paciência e prazer, de que não abdico, quer sejam ou não passadas ao prelo.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

MANGAS DE ALPACA




 
 
Em 1986 estive doente e "caí" à cama durante quinze dias, aproveitando a convalescença da última das duas semanas para escrever uma novela. Essa mesma foi levada à estampa e distribuídos os seus 2.000 exemplares pela Bertrand. Não era banda desenhada; antes um livro de texto, de que nem sequer a capa era da minha autoria.
Ora, anos volvidos após essa publicação, em altura de defeso, decidi passar a banda desenhada algumas das passagens, uma vez que o livro - apropriado a uma adaptação teatral, dadas as suas características cómicas - tinha várias situações que colocavam em evidência algum funcionalismo público pós-25 de Abril.

Influenciado pelo traço caricatural de Miguelanxo Prado, "brinquei" com duas ou três dessas passagens, uma das quais tenho incompleta nas quatro pranchas acima e a outra, apenas o seu início na prancha a seguir.
Nunca dei em publicar esta "brincadeira" desenhada retirada do meu livro, porque não completei em banda desenhada o que corresponde ao texto dese livro, justamente intitulado "Mangas de Alpaca", todo ele pleno de humor (na minha opinião), onde não faltou a cacofonia dos nomes e apelidos sob pronúncia (exemplo: Amilcar Alho).
Lembrei-me de trazer isto aqui pelo prazer que me dá publicar o impublicável, por forma a justificar o trabalho que me levou a fazê-lo. Sempre admirei o traço do Prado e quis, desta forma, imitá-lo.
Mais me rendeu imitar o traço de Morris na RTP, onde 5 minutos a desenhar o Lucky Luke e os Dalton me rendeu, em 1988, cerca de 400 contos.