quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"O MALHADINHAS"



 
 
Na postagem anterior, referi-me a trabalhos que vou fazendo para publicar "por mim próprio", uma vez que sou também editor (autor-editor) e estou inscrito na APEL (Asociação Portuguesa de Editores e Livreiros).
Ora, tenho de dizer que nem todos os trabalhos publicarei, porque: uns estão incompletos e acabou-se a pachorra para os concluir; outros não têm mercado que os absorva - e eu não abdico de edições abaixo de meio milhar de exemplares ( emprego a palavra "milhar" porque ainda há quem a confunda com "milhão"); outros não me é permitido publicar, porque há direitos que têm de ser respeitados... E eu respeito-os.
No último caso está "O Malhadinhas", obra que orcei em cerca de 230 pranchas e das quais concluí 114. Os direitos estão com a Bertrand e eu, que lhes comuniquei o trabalho, nem sequer recebi resposta apreciativa ou depreciativa, mesmo sequer se tinham recebido a proposta e, caso afirmativo, se alguém a leu antes de a eliminar com um mero clic. 
As quatro pranchas acima - que ilustram a cena da taberna - não tem qualquer tratamento digital, foi toda realizada em papel, com as legendas coladas. Acontece que, uma parte do trabalho, cerca de 20 pranchas, levei-as ao computador para colorir e o resultado não me agradou de todo. O exemplo a seguir é um dos vinte.


 
 
Este meu blogue é, por assim dizer, a montra daquilo que fiz, do que faço e do que vou fazendo, como se se tratasse da catarse de obras que condenei e me condenaram a um mero exercício de paciência e prazer, de que não abdico, quer sejam ou não passadas ao prelo.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

MANGAS DE ALPACA




 
 
Em 1986 estive doente e "caí" à cama durante quinze dias, aproveitando a convalescença da última das duas semanas para escrever uma novela. Essa mesma foi levada à estampa e distribuídos os seus 2.000 exemplares pela Bertrand. Não era banda desenhada; antes um livro de texto, de que nem sequer a capa era da minha autoria.
Ora, anos volvidos após essa publicação, em altura de defeso, decidi passar a banda desenhada algumas das passagens, uma vez que o livro - apropriado a uma adaptação teatral, dadas as suas características cómicas - tinha várias situações que colocavam em evidência algum funcionalismo público pós-25 de Abril.

Influenciado pelo traço caricatural de Miguelanxo Prado, "brinquei" com duas ou três dessas passagens, uma das quais tenho incompleta nas quatro pranchas acima e a outra, apenas o seu início na prancha a seguir.
Nunca dei em publicar esta "brincadeira" desenhada retirada do meu livro, porque não completei em banda desenhada o que corresponde ao texto dese livro, justamente intitulado "Mangas de Alpaca", todo ele pleno de humor (na minha opinião), onde não faltou a cacofonia dos nomes e apelidos sob pronúncia (exemplo: Amilcar Alho).
Lembrei-me de trazer isto aqui pelo prazer que me dá publicar o impublicável, por forma a justificar o trabalho que me levou a fazê-lo. Sempre admirei o traço do Prado e quis, desta forma, imitá-lo.
Mais me rendeu imitar o traço de Morris na RTP, onde 5 minutos a desenhar o Lucky Luke e os Dalton me rendeu, em 1988, cerca de 400 contos.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O ESTRIPADOR

 
 
Há uns bons tempos atrás - e durante cinco anos - desenhei uma página semanal para o jornal "O Crime". Tive então a oportunidade de registar em desenho os casos mais tenebrosos no âmbito dos registos criminais, alguns deles que me causaram, na fase de trabalho, alguns pesadelos durante a noite. Foi aliás por causa disso que, após uma série de mais de três dezenas de "dossiers", acabei por largar, prometendo ao director que regressaria... e não regressei.
Um dos que me "custaram" a fazer, não só pelo seu mistério, mas pelas situações que desenhei - após consulta às imagens reais das vítimas - foi o "Estripador".


 
 
Mais tarde, quis voltar a publicar, então em formato de comic, alguns desses episódios - tendo mesmo acabado "O Atentado a Salazar" e "A Execução dos Távoras" - mas quando peguei no estripador, voltei a esmorecer.



 
 
Ficam aqui algumas das páginas e um projecto de capa de uma obra que foi publicada em páginas com ceca de dez vinhetas em quatro tiras e que no comic enquadrariam páginas de 1 a quatro vinhetas.



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Página 187 - UMA SÓ VINHETA

 
 
Por vezes, aprecio deixar algumas páginas com uma só vinheta. Dá mais amplitude ao enquadramento e permite chamar a atenção para a acção a decorrer.
Neste caso, da página 187 de As Aventuras do Magriço, quis apresentar a entrada no recinto (estádio) do torneio, com o público de uma só claque (a dos ingleses, porque não havia "charters" para levar portugueses até ali) a entrar ordeiramente.
O tamanho do livro é de 24 x 17 e a altura da mancha é de 21, pelo que os pormenores e o texto podem ser vistos e lidos sem necessidade de lupa.


domingo, 28 de setembro de 2014

A MENINA DE 50 ANOS - TODA A MAFALDA


 
Não é meu costume trazer ao blogue lançamentos de editoras que não sejam aquelas que me dizem respeito ou que me merecem este humilde destaque na blogosfera. No entanto, esta inclusão de TODA A MAFALDA resulta do grande respeito que tenho pela figura da menininha que encantou os meus filhos e de que possuo todas as tiras, inclusive numa edição anterior, da Bertrand, e das edições da ASA com O Público.
Esta edição da VERBO parece-me a mais conseguida e a mais interessante, quer se tenham ou não outras edições congéneres.
Nota-se aqui o dedo da Maria José e esta eficácia, precisamente na comemoração do meio centenário da "heroína" de palmo e meio, surge oportuna e necessária.
Do Editor, temos o seguinte texto:
 
Assinalando os 50 anos de Mafalda, a Verbo reedita em Portugal todas as suas tiras numa nova edição cartonada que, para além de beneficiar de uma capa inédita, conta ainda com artigos de opinião e diversa informação que, guiando o leitor, o ajudam a contextualizar a personagem e os gags nos acontecimentos históricos que a Argentina e o Mundo vivenciaram entre 1964 e 1973.
 
As duas ilustrações têm copyright (© Joaquín S. Lavado (Quino)/Caminito S.a.s. - Literary Agency)  e foram gentilmente cedidas pela Editorial Verbo.


sábado, 27 de setembro de 2014

DUAS PÁGINAS DAS AVENTURAS DO MAGRIÇO


 
 
São as páginas 26 e 27 de "As Aventuras do Magriço", de um total de 250 para este primeiro volume de uma série de três; saga essa que se circunscreve à viagem até Londres e ao respectivo torneio (1º volume), a intervenção do herói no condado da Flandres e a viagem de regresso (2º volume) e  a fase da ampliação dos domínios até à tomada de Ceuta (3º volume).
A demora na conclusão do trabalho deve-se a duas ou três razões: a primeira, porque se meteram outros trabalhos pelo meio (e não de BD); a segunda porque quis modificar o lettering das legendas no tamanho da fonte; a terceira - que talvez nem razão é - resultou da tentativa de recuperar os rascunhos e publicá-los em vez da arte final.
A prancha 26 e 27, agora inseridas, contêm o pormenor do aproveitamento e alteração de duas vinhetas já elaboradas para outro trabalho publicado, pelo gosto de me autoplagiar e por ser caso único em toda a obra.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O REGRESSO COM A BREVE MONOGRAFIA

 
 
Estou de regresso, sim.
Foi um interregno de alguns meses, mas isso não significou que eu não continuasse a trabalhar na investigação, ficção escrita e desenhada. Prova disso, é que foi publicada, há quinze dias, a terceira edição, totalmente remodelada e actualizada, da "Breve Monografia de Trancoso", que já se encontrava esgotada há mais de uma década, sem que eu me preocupasse em repor nova edição.
Neste lapso de tempo, não participei em blogues e não frequentei o meu, nem sequer para saber como é que iam as "coisas" por esta casa.
Naturalmente, como imóvel devoluto durante tanto tempo, são necessárias alguma varredela e limpeza de pó (deixando ficar as aranhas no seu "métier"). Para ser sincero custou um pouco a entrar a chave na fechadura, uma vez que já me tinha esquecido da "pass". À terceira tentativa, acertei.
Quanto a BD, não tenho comprado, lido ou seguido, pois tenho andado ocupado com outras obras. Isso não quer dizer que tenha repudiado a matéria, pois que, conforme prometi algures lá para trás, é este o ano da publicação de "As Aventuras do Magriço", livro que tem esperado melhores dias para se concluir, mas que tem sido guarnecido de mais vinhetas e mais páginas.
Para quem aqui tem vindo ou quem era frequentador deste espaço, as minhas desculpas.
Volto breve.