sexta-feira, 28 de junho de 2013

POLICIAL - A OUTRA CAPA (II)

"Quem tem capa, sempre escapa", diz o provérbio popular. Não sei se a capa conseguirá fazer escapar o policial, mas o certo é que fiz duas para a mesma obra. Uma, a postada anteriormente; esta, com outra cor, sendo o amarelo comum às duas.
O certo é que a personagem principal - como se pode ler no trecho do primeiro capítulo colocado no post anterior - não é o vulgar detective nem o advogado armado em criminologista ou mesmo um inspector da judiciária. A personagem, que pretendo levar para outros títulos é, nada mais nada menos, um funcionário das finanças.
No entanto, depois dos retoques finais,  seguirá para publicação... Sabe-se lá, como?!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O MEU PRIMEIRO POLICIAL




Já tenho um projecto de capa, que é este acima, para o meu primeiro policial. Aproveitei o desenho de uma mulher com uma arma, de outra publicação policial americana, e adaptei-a como pastiche. O resto compus de acordo com o enredo.

Os primeiros parágrafos vão a seguir...

UM

 

Se queres o cão, aceita as pulgas

(provérbio espanhol)
Fatal como o vinho que condenou ao amor eterno Tristão e Isolda, a minha paixão pelas mulheres tem feito com que jamais lhes venha a pregar uma partida como essa de as levar ao altar. Nas minhas andanças de solteirão convicto, tenho feito amizades por aí a fora. Tornei-me amantíssimo de jovens independentes, de certas malcasadas, dos maridos condescendentes e do meu anjo da guarda. Tenho, com todos eles, sacrossantas alianças: por uns, enorme afecto; por outros, solidariedade; por todos, o desejo de que sejam abençoados pelos deuses.
Não é meu timbre confidenciar os casos que tenho tido. Não confio segredos deste teor aos pares do meu sexo, por seguir a máxima de um avô malandro e avisado: todo o meu melhor amigo pode ter um melhor amigo que é meu inimigo.
Estava precisamente a pensar que seria agradável ficar naquela manhã em vale de lençóis, meditando nos prós e nos contras de alguns casos em que me tinha envolvido, sobretudo graças às candidatas do sexo oposto.         Pelos números verdes do relógio digital verifiquei estar cerca de meia hora atrasado em relação ao costume. O único efeito que isso produziu em mim foi recordar-me que mais um dia de trabalho me esperava, embora na senhora minha cabeça continuasse a partitura de protesto dos carrilhões de Mafra.
Uma incipiente interrogação médica era necessário colocar: estaria com gripe? Podia ser que sim, podia ser que não, mas a verdade é que eu me encontrava, naquela altura do campeonato, interessadíssimo em receber os meus honorários por inteiro, pagos em tempo e devidas horas pela direcção-geral dos impostos, a quem servia. Era necessário partir para a luta, incomodando os contribuintes relapsos, os contabilistas manhosos dos contribuintes relapsos e saltar por cima daquela debilidade física.
Fazia um pouco de frio em Lisboa. Olhei através da janela e verifiquei que chovia com intensidade. Encolhi os ombros e resolvi adoptar o conselho que o general Tchiukov deu aos seus soldados quando os nazistas cercaram Estalinegrado — paciência e ironia.
Na noite anterior tinha ido à ópera. Não se tratava de programa do meu agrado, mas nem tudo o que somos obrigados a fazer pode merecer igualmente a nossa estima. Detesto ópera. Mas caiu-me como mosca na sopa um convite de duas raparigas e de um ex-colega da minha licenciatura do ISEG – sim, de Economia, porque para além do Direito, optei por mais um "canudo" - para assistirmos todos a uma representação de Don Giovanni, de Mozart. Depois do dueto em cena, escrito na papelosa como La Ci Darem La Mano, em que o D.Juan seduz a bela Zerlina, tudo aquilo em pleno dia do casamento dela com o pobre Masetto, senti que, pela noite dentro, essa iniciativa ia caber a mim e ao Geraldo, ocasional anfitrião. Tanto assim foi que, a pretexto de secarmos as lágrimas do drama, nos acolhemos no apartamento dele.
(...)
Sou funcionário do fisco, mais propriamente da inspecção tributária, nível 2, antes designado por perito de fiscalização tributária de primeira classe. Trabalho duro, contra uns ou contra todos, em prol da recolha de receitas que permitem ao Estado a capacidade de exercer as suas funções sociais, redistribuição de riqueza, controle de soberania e blá-blá-blá… Em suma, pratico aquilo que me é pedido na função: combater a economia não registada e a fraude; quantificar o que não é observável ao olho do comum dos mortais sem preparação própria nesta área; confrontar resultados e contra-resultados de exercício para fazer extrapolações matemáticas; passar a pente fino contabilidades e documentos arquivados em sítios onde não lembraria ao diabo e neles detectar facturação, subfacturação, sobrefacturação e custos de exercício; detectar e esventrar à lupa as empresas fantasma e operações fictícias para embolsar o IVA; farejar a marosca dos contabilistas matreiros e a ilegalidade das sucessões artificiais de compras e vendas intercomunitárias para e entre sítios onde o mesmo diabo perdeu as botas. Ao fim e ao cabo, já toda a gente sabe ao que andamos, eu e os meus colegas, e pouca gente apreciará o nosso esforço. Até a designação com que nos brindam – fisco – tem algo que se lhe diga. Fisco significa cesto e cesto pode lembrar-nos aqueles cabazes de vime, fundos quanto bastam para recolher as contribuições e os impostos. Podem ser fundos e não terem fundo, mas esse pormenor é da competência e da manha de quem governa. Era em cestos dessa natureza, chamados fiscus, que os romanos usavam para a liquidação dos impostos, provavelmente com outras artes de fazer contas à matéria colectável e com a incongruente falta de equidade que percorreu a arte de tributar até aos nossos dias.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

AMOR, AMOR


Ando a escrever um romance policial. Melhor, estou a acabar de escrever o meu primeiro romance policial. Julgo que já publiquei em quase todos os géneros (quase, porque nunca escrevi nada sobre ficção científica e terror), mas falta-me publicar o meu romance policial, pois é o género de literatura que muito aprecio.
Sobre romances de amor escrevi muito. Curiosamente, este género não faz o meu género. Mas escrevi-os durante muito tempo, como já deixei expresso anteriormente neste blogue.
Ao arrumar umas gavetas, encontrei uma revista das edições Impala e deparei com uma página inteira de publicidade dedicada ao livro que a Editora resolveu publicar, juntando vinte dos meus contos (eles foram mais de duas centenas). Essa publicidade circulou em todas as revistas do Grupo, desde as mais pequenas às maiores.
Às vezes, sabe bem recordar estas "relíquias"; recordar, porque me deu prazer escrever para onde escrevi e onde me pagaram sempre a tempo e horas.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CONCURSO (PRÉMIOS) DE BD FNAC (FRANÇA,EVIDENTEMENTE)


Ao espiolhar nos meus arquivos de revistas, encontrei o nº 161 da saudosa À SUIVRE, de Setembro de 1991 (curiosamente, número atrasado que adquiri, há uns anos, na Dr. Kartoon de Coimbra). Nesse número encontrei os premiados no "Concours FNAC des Createurs de BD", cujo primeiro prémio rendeu ao vencedor 22.000 Francos Franceses. O segundo e terceiro prémios foram de 10.000 FF e os restantes (até ao 33º),uma selecção de obras até ao valor de 1.000 FF.
A imagem que emoldura este post foi retirada dessa revista e faz parte da série La Petite Reine, de Jean-Claude Servais (um álbum que se dedica a uma história onde "reinam" as abelhas).
Com alguma curiosidade fui pesquisar na Net e encontrei um prémio FNAC 2011 e um outro de 2012.
O de 2011, exigia 8 pranchas sob o tema " Super-Heróis... ou quase" e o júri compunha-se de desenhadores, argumentistas, editores,etc.  - (este exemplo é para dar ao Jorge Machado-Dias, que não concorda que os desenhadores e argumentistas sejam jurados), com a escolha de 5 finalistas, enquanto os leitores escolheriam um 6º.
O de 2012, ainda sob a batuta da FNAC, foi criado como prémio Angoulême 2012, como busca de novos talentos.
Não sei se a FNAC instalada em Portugal tem promovido estes prémios ou algo semelhante.

terça-feira, 28 de maio de 2013

PROVÉRBIOS E GATOS


Tinha decidido, há algum tempo atrás, trazer aqui esta obra da Catherine Labey. Não o fiz logo porque, sendo eu membro do júri dos PPBD 2012, e sendo esta uma obra concorrente, podia existir, nalgumas mentes "pensadoras", a ideia que eu estava a influnciar (pobre de mim!) a votação do quarteirão de jurados.
Mas, como diz o provérbio - vale mais tarde que nunca - aqui fica o registo.
Quero esclarecer que não me lembro de existir sem a companhia de, pelo menos, um gato. Ainda hoje, há aqueles que pertencem à casa e outros que se aproveitam de algum conforto para me escolherem como companheiro. O gato, pela sua forma de ser, não tem "dono"; ao contrário de algumas pessoas, é muito independente e livre, apenas retribuindo quando é servido. Nisto, não deixa de ser fiel e faz uma companhia extraordinária, principalmente a escritores e desenhadores.

Retiradas as imagens de um ficheiro PDF, não aparecem as legendas.
Por isso: 1ª imagem : Saber esperar é uma virtude; 2ª imagem: Nem tudo o que vem à rede... é peixe!
 
O certo é que a Catherine - que também gosta de gatos - aproveitou esses seus amigos para divulgar, pelos mais novos (e pelos menos novos, pois então), algumas jóias do rifoneiro, cujas sentenças judiciosas se aplicaram como se aplicam no dia a dia em questões comuns a qualquer de nós.
Tenho o Rifoneiro Português, de Pedro Chaves e o Grande Livro dos Provérbios, de José Pedro Machado, que, por vezes, consulto para obter algumas dessas pérolas da sabedoria popular. Mas, de todo, concordo que, para os mais novos, esta é a forma de divulgar esse tesouro etnográfico com humor e criatividade, de que a Catherine é tão capaz e eficaz.
É de leitura e releitura, tal livro. Os companheiros de quatro patas "teatralizam" esses ditados que, todos nós, muitas vezes, nos servimos para demonstrar as nossas razões e alguns artifícios de razão.
É de leitura recomendada, principalmente para quem tem filhos e lhes quer transmitir esta arte da linguagem (as metáforas, os rifões, os axiomas), que é a sabedoria popular.

sábado, 25 de maio de 2013

CRUZ CREDO



Já lá vai algum tempo que eu publiquei na INDY, revista de O INDEPENDENTE, uma peça escrita intitulada "Cruz Credo", com ilustrações de Gonçalo Pena. Essa revista era então dirigida pelo jornalista e cineasta António-Pedro Vasconcelos e colaboraram nela, para além de mim, o Vasco Pulido Valente, José Júdice, Alfredo Saramago e a dupla Nuno Saraiva e Júlio Pinto, com duas páginas de BD (Arnaldo, o pós-catapléptico).
As páginas estão aqui reproduzidas e o texto rondava o tema das Bruxas e Bruxas à Portuguesa. Felizes tempos!