terça-feira, 20 de novembro de 2012

DE NOVO: O ATENTADO A SALAZAR

 

Ando na onda das experiências gráficas com trabalhos meus já editados no jornal "O Crime". Este, "O Atentado a Salazar", não só saiu publicado semanalmente no referido jornal, como também num álbum editado pela editora "Época de Ouro".
Acontece que a forma como publiquei o trabalho, como se fosse o relato de um livro de História, tirou-lhe o envolvimento humano de uma personagem interveniente, naturalmente ficcionada, que agora pretendo remediar, necessariamente ampliando a obra.
Como sou volúvel nas ideias e nas decisões, dá-me para fazer experiências na matéria, designadamente na cor ou no p/b ou ainda, como no caso acima, recorrendo a pantones cinza, em ambiente da época (anos 30). Para além disso, resolvi dar-lhe corpo, reduzindo as vinhetas por página a duas ou três (máximo 4), de forma a ampliar a imagem e torná-la mais arejada para os balões. Não contente com a alteração, modifiquei o corpo da letra para um "mistral" negrito.
O Evaristo, o Nuno Amado e, mais recentemente, o André Azevedo opinaram sobre as suas preferências de cor e p/b em postagens anteriores; e, como todas elas são opiniões livres, sinceras e desassombradas, vou guardando-as para a decisão final.
Não desgosto deste formato e desta combinação do preto com os tons de cinza. A ver vamos...


sábado, 17 de novembro de 2012

BATALHA DE TRANCOSO EM BD


Foi em 1985 que me encomendaram este pequeno álbum. Comemorava-se então o VI Centenário da Batalha de Trancoso (1385) e a Câmara Municipal entendeu que era uma forma de divulgar, através da Banda Desenhada, este importante acontecimento histórico, uma vez que esta batalha (juntamente com as de Atoleiros e Aljubarrota) foi decisiva para a independência de Portugal no séc. XIV.
Sei que foram feitas várias edições, esgotando-se sucessivamente (tal como agora, que não se encontra disponível), pois eu vendi os direitos de edição.
Sei também - porque li numa acta da Câmara, dessa altura - que o jornal "Expresso" pretendeu editar
este álbum, com uma tiragem fenomenal, mas que a Câmara e o jornal não chegaram a acordo.
Enfim, é um trabalho com 27 anos e a alegria de saber que, muitos daqueles que então eram crianças, conheceram esta batalha através da BD, chegando alguns a reproduzir os desenhos que aí encontraram, pois o álbum não trata só da batalha, como também divulga os monumentos, figuras e outros acontecimentos históricos.

sábado, 10 de novembro de 2012

A BD HISTÓRICA, SOCIAL E POLÍTICA

Aqui há uns anos (1994) fiz um álbum de banda desenhada sobre os 20 anos da vida política portuguesa que envolveu o período entre 1974 e 1994. Embora de cariz partidário, o álbum teve a particularidade de desenvolver e registar os acontecimentos na época. Para mim, foi a oportunidade (de que não recebi um "chavo") de trabalhar sobre o rosto das figuras políticas de então, algumas que ainda continuam na berlinda e com os rostos mais envelhecidos ou menos jovens, como acontece com o actual primeiro-ministro que se encontra a discursar numa vinheta mais adiante.
Não aparece o texto, propositadamente, porque isso pouco importa. O exercício que hoje proponho é o reconhecimento dos "rostos" - uns mais agradáveis outros menos, porque de vários quadrantes partidários - e a convicção de que esta forma de "propagandear" não tem sido utilizada em Portugal, embora eu considere que se deva fazer, de forma isenta e não arregimentada, na História de Portugal.
Em pranchas datadas ao alto, registei acontecimentos que envolveram projectos e concretizações - como é o caso do Centro Cultural de Belém e da fundação da SIC - que podem observar nas vinhetas a seguir.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A CORES OU A P/B?


A propósito do penúltimo post - "O Atentado a Salazar" - interrogava se a BD em execução (adaptação) estaria melhor a p/b, como foi publicado no roginal, ou a cores. Sobre as duas primeiras vinhetas, apliquei "à pressa" uns toques de photoshop. Não sei se valerá a pena...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

UM DIA TRISTE





Faleceu hoje a Dra. Maria Emília Tracana. Com ela faleceu uma grande fatia da cultura portuguesa e da animação sociocultural.
Não tenho mais palavras, senão aquelas que deviam ser ditas nestas circunstâncias, mas que não sei proferir.
Vitimada por doença incurável, com ela foi o que encontrei de mais puro e mais profundo na dedicação a uma causa, a uma escola, à cultura e a uma região.
Ela dedicou-se à Escola Profissional e aos seus alunos; fê-lo a tempo inteiro com uma tal dedicação como não encontro paralelo. Ela dedicou-se ao traje e confeccionou (ela própria e segundo o seu desenho) trajes desde o séc. XII ao séc. XVII (mais de 250 peças), de todos os estratos sociais; teatro; música; pintura; banda desenhada; culinária; produtos regionais (Feira da Castanha e Feira das Tradições); coleccionismo; jornalismo; etnografia; olaria; escultura; exposições (a dos 100 anos da República, que levou a várias cidades); actividade cívina na direcção da Confraria das sartdinhas Doces; actividade municipal, como deputada da Assembleia Municipal de Trancoso; cinema (porque participou num filme);  jogos tradicionais… Tudo que fosse arte, animação, alegria, empenho, ela estava lá.
Há 15 dias atrás, impossibilitada de sair do leito, falou-me de um sonho, um seu projecto que não tivera oportunidade de concretizar: escrever um livro sobre os 20 anos de animação sociocultural. Prometi-lhe que a ajudava. Trabalhei dia e noite, juntando milhares de recortes de imprensa, fotografias, inúmeros artigos seus publicados em jornais e revistas. Consultei-a; minha filha recolheu oralmente impressões suas e passou-as a escrito. Procurei ajuda na Escola Profissional. Lutei contra o tempo, imaginando que a Dra. Emília teria oportunidade de ver o seu livro publicado; porque é o seu livro, do seu trabalho, do que ela deixou escrito e que eu, contando com as suas indicações preciosas, levaria até ao prelo (levaria, não – levarei. Estou decidido a fazê-lo).
Perdi a corrida, porque a doença da Dra. Emília foi mais rápida.
Não tenho mais palavras. Só digo que mantenho a promessa de publicar o livro dela, porque a sua acção, a sua actividade, o seu dinamismo, a sua entrega aos outros – mais do que a si própria – , as centenas de alunos que ela acompanhou, designadamente nas Provas de Aptidão Profissional, nos eventos que ela iniciou em várias cidades e concelhos e que continuam como marcas indeléveis do seu talento, impõem essa vontade.
Assim, coloco aqui uma fotografia dela e duas outras, daquele evento (um  de muitos) que hoje continuam e que ela tão bem conseguiu recriar , ano a ano – As Bodas Reais de D. Dinis e D. Isabel de Aragão; uma outra, a mais recente participação dela e dos seus alunos e colegas professores no programa da RTP1, Praça da Alegria.
À Dra. Emília, parceira na cultura, a saudade que é a sua ausência, a sua Amizade desinteressada e empenhada.
Para sempre.


sábado, 20 de outubro de 2012

O ATENTADO A SALAZAR


Há uns anos atrás, publiquei semanalmente no jornal semanário "O Crime" uma página de BD, sendo as séries constituídas por episódios verídicos no âmbito do crime e dos acontecimentos paralelos ligados ao mesmo, como o regicídio, a execução dos Távoras e o atentado que foi preparado, sem êxito, a Salazar.
Toda a série foi preparada em pranchas semanais de 4 vinhetas, com tiras semelhantes às que os diários publicavam diariamente. Como o formato do jornal era semelhante a uma publicação em A3, as quatro vinhetas liam-se/viam-se bem; o mesmo não acontece quando reduzidas para A4.
Como pretendo ampliar esta série de "O Atentado a Salazar", decidi que a publicação futura será feita num formato que permita a publicação de 3 tiras por página, o que fará com que, na futura publicação em álbum, este detenha as medidas de 20x20 ou 22x22 (formato quadrado), que se arruma facilmente nas estantes. Já o mesmo não diria se pretendesse o formato italiano, que faria publicar, por página, duas tiras.
Ainda não decidi se devo publicar a preto e branco ou com a aplicação de cor através de um "pantone" mais adequado ao tema.
Para os menos acostumados a esta linguagem da BD, tira é o conjunto de vinhetas seguidas (na imagem acima, a primeira tira - onde está a camioneta - tem duas vinhetas, enquanto a tira de baixo tem 3).


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CRENDICES E SUPERSTIÇÕES - ANIMAIS


Tenho vindo a prometer para aqueles que mais se interessam por este ramo da etnografia, a publicação regular de algumas crendices e superstições, uma vez que tenho um livro publicado com um naipe de assuntos desse teor, devidamente arrumados por ordem alfabética.
Chegou agora a oportunidade de deixar aqui algumas (as primeiras) do capítulo ANIMAIS, pois estes tinham na sabedoria e no medo do povo, uma especial atenção.
- Os lagartos são amigos dos homens e as cobras das mulheres.
 
- Quando se deita penso ao gado, o dono não deve permanecer a presenciar o repasto do animal.
- A coruja bebe o azeite das lâmpadas das igrejas.
- Matar um gato preto, acarreta sete anos de azar.
- Não se devem destruir as teias de aranha, por se acreditar que foi uma daquelas teias que ocultou o Menino Jesus aos soldados de Herodes.
- Não se devem matar os aranhiços pequenos, porque são prenúncio de dinheiro.
- Quando um cão uiva é sinal de morte próxima.
- Quando alguém encontra uma cobra a acasalar com um cobrão, deve atirar-lhes um lenço, pois assim não deixará de ter sorte na vida.
- Quando se ouve uma rã cantar, é sinal de bom tempo.
- Matar uma rã causa dor de cabeça. Dizem que s rãs vão diariamente ao Céu para lavarem os pés de Nosso Senhor.
 
- Uma caveira de burro espetada num pau e colocada junto a um campo de sementeira, espanta o mau olhado.
- Uma porca que ande a fazer criação deve trazer ao pescoço fitinhas vermelhas, para se evitar o mau olhado.
- Para não se perderem os porcos que se deitam fora do chiqueiro, mede-se-lhes a cauda com um pau e guarda-se este por baixo da pia.
- Quando se lança o sangue do porco para a panela, a fim de cozer, deve-se proceder como se estivesse a chamar o porco, a fim de fazer crescer a cozedura.
- Não se devem matar as andorinhas, que são as pitinhas de Nossa Senhora.
- Não se deve ter na capoeira pita “galena”, isto é, que cante de galo.
- As cobras vão ter à cama com as mães dos recém-nascidos e metem a ponta do rabo na boca dos petizes enquanto sugam o leite das mães.
- Se alguém tentar matar um sapo e este não fique bem morto, é certo que o bicho vai de noite ter à cama de quem lhe fez o mal.
- Quando se observa um sapo, diz-se que nascem sapinhos na boca. Para o evitar, deve-se cuspir três vezes de cada vez que se pronuncie o seu nome.
- O sapo é considerado o ajudante das bruxas.
- Quando alguém é mordido por um lacrau, ficará sem dores se utilizar na ferida sangue de mulher menstruada.
- Quem tentar matar uma aranha, esta vai de noite ter com essa pessoa à cama.
- Não se devem matar as rãs, que vão lavar diariamente os pés de Nossa Senhor; quem o fizer, ficará com dores de cabeça 
- Para tirar uma cobra que entre na boca de alguém, basta colocar-lhe aos pés uma bacia com leite.
- Quando os animais “aguam”, o dono deve roubar uma folha de couve de sete hortas sem os proprietários saberem.
- Noutra versão, para curar o augamento devem ser roubadas couves em nove hortas.
- Quando a coruja “canta” sobre o telhado das habitações, é sinal de morte próxima.
- Conta-se que a poupa era mulher do cuco, mas que ela andava amancebada com o mocho. O cuco, enciumado, foi bater no cu do mocho e este, enquanto apanhava, ia dizendo – ui, ui!. O cuco, a cada pancada, dizia – no cu, no cu! A poupa, pelo seu lado, apelava – poucas, poucas! Assim é o canto deles.
- É mau sinal para uma pessoa ouvir cantar o cuco enquanto está em jejum.
- Quando algum animal (vitela ou vaca) tiver infecção, dá-se-lhe água de linhaça e grão de linho cozido.
- As “névoas” (feridas nos olhos) das vacas curam-se com mel, aplicando-se este directamente nos olhos infectados do animal.
- As mulheres menstruadas não se devem aproximar dos furões, porque eles morrem. Estes bichos não devem ser tratados por mulheres.
- O bafo das vacas é santo, porque Nosso Senhor nasceu junto de um daqueles animais, o qual O aqueceu.
- Quando se arranca um cabelo pela raiz e se deixa mergulhado durante muito tempo em água, engrossa e transforma-se em cobra.
- Quando se passa por um sítio onde um burro se espolinhou no chão, deve-se cuspir nesse sítio três vezes para não nascerem “trilhaduras” nas plantas dos pés.
- Quem vir uma centopeia e quiser matá-la, para que ela não fuja deve dizer: São Bento te tolha.
- Quando se vê um sapo, deve-se cuspir três vezes, pois ele é venenoso  ; igualmente, quando se pronuncia a palavra sapo, deve-se fazer a mesma operação, para evitar que nasçam “sapinhos na boca”.